Luiz Carlos Ruas é morto por tentar ajudar travesti

Irei começar este texto com estas palavras: “Não sou uma má pessoa”.
A seguinte frase foi dita por um dos agressores e responsáveis pela morte do senhor Luiz Carlos Ruas, 54, que foi espancado ate a morte por dois rapazes que estavam perseguindo uma travesti, e ele então foi defende-la.
Reflito sobre este caso: a dor da família do senhor Ruas, a homofobia/transfobia estruturada e enraizada em nossa sociedade, mas uma frase se repete insistentemente “Não sou uma má pessoa”.
Quantas “não más pessoas” a gente não vê? Essa frase me fez lembrar alguns políticos e religiosos, que disseminam ódio, homofobia, lesbofobia, transfobia, que exaltam torturadores, que fazem menção ao estupro; me lembrou dos cidadãos de bens que dizem que bandido bom é bandido morto, que apóiam esses políticos e religiosos. Definitivamente o sentido da palavra “bem” e “má” devem significar outras coisas, foram distorcidas.
O senhor Ruas foi morto com chutes e socos, por tentar ajudar uma travesti (que seria ela a espancada), o senhor Ruas foi espancado ate a morte, o senhor Ruas era conhecido por ser bondoso em ajudar as pessoas, mas “não sou uma má pessoa”.
Nossa sociedade é construída e se mantém preconceituosa, desigual, machista, violenta, abusadora e intolerante, mas parece difícil estas coisas ficarem claras enquanto nós tivermos “cidadãos de bens” afirmando e apoiando estes tipos de atos.

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Lê, 20, paulista. Criadora da página TODAS Fridas.

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