Motivos pelos quais as vítimas mais frequentes de relacionamentos abusivos são mulheres

É muito comum mulheres permanecerem em relacionamentos abusivos, aguentando os maus tratos e abusos durante anos. E outras durante toda sua vida.

Você já se perguntou o porquê que as vítimas mais frequentes que permanecem em um relacionamento abusivo são mulheres?

Primeiramente, queria deixar claro que um relacionamento abusivo não é apenas aquele que ocorre algum tipo de violência física. Um relacionamento abusivo também é aquele onde há abusos psicológicos, que podem ser tão impactantes quanto a agressão física. Uma vez que, a vítima se sente impotente, com medo, e com sua auto estima extremamente baixa e acaba se culpando por seus abusos.
Para quem nunca passou por um relacionamento abusivo, não consegue entender o porquê da vítima consentir a tamanhos atos absurdos cometidos pelo seu agressor. Principalmente, quando esses abusos estão ligados a violência sexual e agressões físicas. Na visão da vítima, a possibilidade de denunciar o parceiro é um ato temeroso, já que a ação esta ligada diretamente a um processo juridicamente logo e ineficiente. Outras até acreditam na mudança do seu agressor.

Nos 99% dos casos as vítimas são do sexo feminino. Entre o percentual a maioria delas sente se responsável por seu abuso, mostrando assim a cultura da culpabilização das vítimas. Uma cultura doentia, machista e patriarcal, na qual o homem exerce uma relação de poder sobre a mulher, aumentando o número de mulheres vítimas.
Desde sempre, as tradições permitem que os homens tenham privilégios com relação às mulheres, e a maioria desses privilégios estão envolvidos no matrimônio.
Na maioria das vezes, para livrar-se de pais agressivos, a mulher se envolve, se apaixona e se casa, mas o que ela não espera é que o seu “grande amor” é tão violento, físico e emocionalmente, quanto tudo que ela tem fugido.
Então acontece a primeira vez, mas ela acredita que é uma fase e vai passar, que são problemas familiares como os de todo mundo e logo tudo ficará bem. Quando se da conta está com filhos e acorrentada em um relacionamento abusivo.
Qual opção? Abandonar tudo e voltar para os pais, onde eram igualmente violentos? Denunciar?
Outra situação muito comum é: a mulher não tem estrutura, família, amigos, condições financeiras. Se apaixona, se envolve e bum: relacionamento abusivo, violência. Como se livrar? Com qual estabilidade emocional?
Até mesmo as mulheres “bem resolvidas” tem dificuldades de assumir que foram “reféns” desses relacionamentos, porque na realidade todas estão envolvidas emocionalmente com seu agressor e tem esperança de que aquela ofensa seja a última, que aquele tapa seja o último.
Tentam se convencer que não está financeiramente dependentes e que podem voltam ao mercado de trabalho quando quiserem, e que o “marido não tem o controle”.
E o pior: quando algo ruim acontece, tentam se convencer que mereceram, que procuraram, que fizeram algo para que chegasse aquele ponto, que talvez de fato sejam “loucas”, porque tem esperança de uma vida “”normal””. Normal? Aos olhos de quem?

Esse texto não é só sobre relacionamentos  abusivos heterossexuais, é sobre machismo, culpabilização, abusos, auto estima, condições financeiras, emocional, medo e impunidade.
É sobre uma sociedade  que desumaniza mulheres e que as culpa todos os dias pela sua própria violência, sua própria morte.

 

Sou Bruna Torres, 19 anos, mulher negra, feminista, estudante de exatas, escritora, administradora do TODAS Fridas.

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