Eu não quero ser mãe!

Pensei várias e várias vezes em como começar este texto, sem ridicularizar a maternidade ou mulheres que querem ser mães ou foram, porque na maioria das vezes é isso que vemos — ataques.

Reflito também se o meu “não querer ser mãe” parte da construção social da maternidade, pois ela é edificada na doação completa da mulher, de por vezes ter que abandonar o emprego, não ter tempo para si, se doar completamente aos filhos — ter que se abandonar — e ainda por cima ser taxada de má mãe, ser cobrada excessivamente, ser responsável por qualquer coisa que aconteça a criança, se desdobrar em três, quatro, cinco. Sobrecarregando-se com filhos, trabalho e casa, enquanto o pai parece ser uma figura invisível que não deve, e não é cobrada de nada que diga respeito ao bem estar, educação, saúde, cuidados com a criança. Imagino como deve ser bom ser pai, ausentar-se da vida da criança e mesmo assim não ter uma infinidade de xingamentos destinados a si, aparecer uma vez ou outra e ainda assim estar livre de cobranças, afinal:  “ele trabalha a semana inteira”.

Após tudo isso eu tenho certeza que a maternidade não é para mim, eu não quero ser alvo destas cobranças. Maternidade real é muito mais do que os comerciais, novelas e filmes “tentam mostrar”, a maternidade é romantizada, como algo simples, bonitinho e fofo, mas não é bem assim.

Sem contar que a sociedade nos vê como objeto de reprodução, a vida da mulher já tem um ciclo pronto: namorar, casar e ter filhos. Se você chega na casa dois “casar” e não teve filhos, se prepare para as cobranças! Parece que se sua opção é não te-los você está incompleta, falta algo. A isso podemos chamar de “maternidade compulsória”.

Isto tudo é assustador, as cobranças na vida de uma mulher podem ser maiores do que imaginamos, muito maior do que ela própria!

É inevitável não dizermos que a maternidade é um papel super cobrado de nós, desde a infância recebemos brinquedos que estimulam esse “desejo natural”, não, não é natural é construído socialmente e interiorizado em nós.

Não querer gerar uma criança é algo que vai contra o papel que é destinado desde sempre a fêmea, mas te-los também é uma opção, só entendo que é preciso desconstruir a romantização da maternidade para que as mulheres possam enxerga-la de forma real para que elas realmente possam tomar SUAS decisões.
Gerar e ter um filho não deve ser o troféu máximo da vida de uma mulher.

Lê, 20, paulista. Criadora da página TODAS Fridas.

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  1. Uau! resumiu tudo realmente eu não me vejo no papel de mãe podem me considerar egoísta mais eu quero curtir meu casamento viajar muito e não ter hora para chegar em casa quero minha independência me desculpe sociedade mais não quero que a minha vida se resuma a ser ‘ mãe’ essa mesma mãe que tem que ser uma boa mãe uma boa esposa uma boa dona de casa não quero isso para a minha vida

  2. Isso é algo que dá medo em quase todas, essa cobrança só da mulher, essa responsabilidade gigante que nem todo mundo quer ter sobre um outro ser humano, vale a pena a reflexão do texto!

  3. Muito legal saber que uma jovem já tem sua opinião formada ! Claro que vc pode um dia resolver , mas neste momento vc não quer!!! Parabéns acredito que quando soubermos o que nos faz bem , teremos mais da metade da luta vencida !!! Acredito que pegar as redeas de nossas vidas em nossas mãos ajuda bastante a ter esta postura linda !!!!!!!!bjs

  4. Eu sempre pensei como você. Mas fiquei casada por 7 anos, curti, viajei, etc. E chegou a hora que decidimos ter um neném. Mas, desde a gravidez, já tinha certeza que não seria a mãe romântica. Rss
    Minha filha nasceu e sempre deixei o pai se virar (toma que o filho é teu). Ele sempre trocou fralda, dá banho, dá mamadeira, coloca para dormir, reveza as madrugadas, etc. Nós dois fazemos o papel de “mãe”.
    Escutei pessoas dizendo, com cara de espanto, “Nossa mas o pai faz isso?”. E a resposta sempre foi: “Claro, ele é o pai”.

    Hoje ela tem 5 meses e eu trabalho. Meu primeiro dia de trabalho foi pura alegria pq eu n aguentava mais ficar em casa.

    Acho que antes de tomar a decisão de ser mãe ou não, deve-se escolher bem o pai. Rssss
    Beijis

  5. Gostei muito do que você escreveu! Muitas vezes me acho uma mulher anormal por não querer ser mãe. Penso muitas vezes que pode ser medo de assumir todas essas responsabilidades sozinha, pq como vc bem disse aos homens não cabem tantas cobranças. Chego a me sentir um ser ruim por isso.

  6. Se te inspira: eu sou dez anos mais velha que você, nunca quis filho e continuo sem querer. E já me senti muito culpada por isso, hoje não mais. Minha mãe sempre me disse: “Quem tem que querer o filho é a mulher, porque é nas suas costas que tudo vai; portanto, se não quiser de coração, não tenha. Eu te apoio.”
    Eu tenho uma mãe que eu não seria.

  7. Entendo e acho louvável sua decisão. Eu quero ter um filho, não pela imposição social, mas porque me vejo desejando isso. Sou cobrada constantemente, mas faço questão de bradar que vai acontecer quando eu quiser e no tempo já predeterminado por mim e pelo meu parceiro. O direito de escolha é meu, o corpo é meu e por mais que a sociedade tente nos tirar isso, esse poder só será dela se assim nos permitimos.

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