Sou contra a legalização da prostituição

O projeto sobre a legalização da prostituição apresentado pelo deputado Jean Wyllys (PSOL), obteve muitos debates. Foi fortemente discutido a partir dos eventos da copa do mundo e olimpíadas, o que explícita os objetivos de tal projeto: a exploração do corpo feminino e grandes arrecadações de dinheiro por parte dos cafetões e cafetinas que se tornariam empresários.

Tentar aprovar um projeto como este em um período festivo, de grande recepção de turistas, deixa visível os reias interesses na legalização da prostituição que não consistem em garantir direitos as mulheres e travestis, mas tornar mais fácil a exploração de seus corpos.

Se refletirmos sobre a legalização já podemos obter exemplos, na Holanda a prostituição foi legalizada a 14 anos e os resultados não foram benéficos, os abusos não cessaram, muitas mulheres ainda são forçadas a se prostituirem e ainda são traficadas.
As mulheres ainda possuem dificuldade em abrir contas bancárias, adquirir empréstimos ou mesmo encontrar outro tipo de trabalho.
Com isto é possível enxergar que o problema não é a ilegalização, mas sim o estigma que ronda tal ato, juntamente com a estrutarilização do patriarcado.

O Brasil ainda possui altos índices de menores e crianças que se prostituem, com a legalização isto não daria margem para que estas porcentagens aumentassem? Ou permanecessem? Usando o exemplo da Holanda, o índice de crianças inseridas nesta vida também aumentou…

Tatiane Satin de 21 anos, ex prostituta, deixou claro em um debate o que acha sobre a prostituição:

“Para mim a prostituição é estupro pago. Em quatro anos nunca conheci uma mulher com uma história feliz na prostituição. O PL da cafetinagem não dá direito nenhum, e transforma os cafetões em grandes empresários”

Por que não oferecer outras oportunidades a estas mulheres? Outras chances? Por que não garantir uma autonomia real? Muitas das mulheres e travestis que se encontram na prostituição estiveram a margem da sociedade, o que deixa visível que além de ser um problema de gênero é um problema social.

O que muito me incomoda é esta falsa liberdade que tentam nos empurrar garganta a baixo, por que ao invés de legalizar, não garantem e oferecem outras possibilidades as pessoas que se encontram inseridas na prostituição? A legalização me parece uma forma de nos “passar a perna” e continuar explorando corpos, porque para eles é mais fácil vender essa fajuta “liberdade” do que respeitar o nosso não.

(Com todas estas reflexões gostaria de indicar um filme as pessoas que se interessam sobre o assunto: Sonhos roubados. É acessível no YouTube).

Lê, 20, paulista. Criadora da página TODAS Fridas.

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