Era meados de outro de 2006, eu com 19 anos, universitária, morando longe dos meus pais, “namorava” um homem 10 anos mais velho. Fazia uns 4 meses quase, tentei contar para minha mãe, de imediato ela foi contra, fingi que acatei e mantive o relacionamento escondido.
No inicio me tratava como um bebê, talvez pela diferença de idade, o tempo foi passando e ele se tornou super possessivo. Eu não acatava as “ordens” dele, não tinha intenção de assumir nada com ele, até hoje me pergunto o que me prendia a ele.
Uma noite saímos para um rolê, ele teve uma crise de ciúmes e eu nem lembro o porquê, era indiferente também, resolvemos ir embora, um pouco alcoolizados, ele estava uma fera e se achou no direito de colocar nossas vidas em risco, fez roleta russa de moto. Eu gritava e batia nele na intenção que ele parasse, mas ele não parava, só parou quando chegou em frente a minha casa.
Não quis ir embora e dormiu por lá mesmo. De manhã, fui levantar bem de mansinho e ele acordou super agressivo, me pegou pelo braço e ameaçou um soco, eu gritei e uma amiga veio ao meu socorro e ele parou. Mandei ele embora.
Repensei o ocorrido, nem meu pai nunca encostou a mão em mim, chamei ele num lago ali perto, onde tinha pista de caminhada, terminei tudo e ele se fez de vitima. Voltei me sentindo livre de novo, mal sabia o que me aguardava.
Passaram uns três dias eu acho, numa manhã de feriado eu estava dormindo e a campainha começou a tocar, atendi, era ele, todo ralado, drogado, transtornado, eu assustei e acabei abrindo o portão no impulso, minha pior escolha.
A rua estava deserta, meu colega de casa dormia e nem ouviu nada, ele me pegou pelos cabelos e me fez inúmeras ameaças, mentiu que estava armado, a todo tempo ele repetia:
– Se não voltar comigo, eu te devolvo num caixão para sua mamâezinha.
– Se não for comigo, você não fica com mais ninguém.

Me arrastou para rua lateral, tinha uma pilha de tijolos e ameaçava dizendo que iria moer minha cabeça numa tijolada, eu tinha certeza que não sairia viva.
Não pior que tudo isso, me obrigou a subir na moto do jeito que eu estava, descalça, sem capacete, me levou na casa dele e me trancou num quarto.
Ali as ameaças continuavam, eu não lembro de muita coisa, mas o suficiente para me sentir aterrorizada, , me obrigou manter relação com ele entre varias ameaças.
As horas enfim passaram e por volta das 17 horas, resolveu tomar banho, achei um calmante desses fortes e quando voltou, eu com muita calma sugeri que ele tomasse, por sorte aceitou e em minutos acabou cochilando e euconsegui fazer uma ligação, avisei meu amigo que se não chegasse em 20 minutos, que ele acionasse a polícia, que eu estava em cárcere privado no lugar x.
Ele acordou no final da ligação e eu falei que voltaria, e se não me levasse embora, a polícia seria acionada, enfim ele concordou.
Eu estava em pânico internamente, mas por fora conseguia me manter equilibrada, mesmo sonolento me deixou em casa e me senti segura.
Não contei detalhes para ninguém, depois disso desencadeei um medo imenso de sair na rua, não frequentava mais a faculdade, ele passava, acelerava a moto em frente de casa, me sentia num filme de terror. Até que ele desistiu.
Janeiro 2007, descobri uma gestação já avançada na qual ele era o genitor. O restante da gestação foi de pânico, dormindo em um colchão ao lado da cama dos meus pais e dependente deles emocionalmente e fisicamente, não saia de casa sozinha. Tinha medo das perguntas, dos carros, de tudo, em tudo eu o enxergava.
Segui a gestação, hoje pouco mais de 10 anos ainda dói, por um tempo certas partes da história eu esqueci até que na época da campanha #meuamigosecreto me veio a tona e foi muito difícil relembrar. Hoje convivo com isso de uma maneira menos pior, me tornei militante pelo direitos das mulheres, sou doula e pretendo me engajar cada vez mais nas causas em prol do bem estar físico e mental das mulheres, poder colaborar de alguma forma para que outras não passem por isso e as que passaram ter o devido apoio e assistência.
Eu não denunciei, ate então nunca contei na integra essa, hoje mesmo que anonimamente me sinto um pouco liberta em tornar isso público.
Hoje ele se diz evangélico, colaborar de igreja, talvez nem se lembre de tudo que aconteceu naquele dia, com certeza quem olha para ele não imagina o monstro que ele é.
Peço para todas as mulheres que lerem esse depoimento, a qualquer sinal de agressão, caiam fora, denunciem, façam um escândalo!!
#juntassomosmaiaforte

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