“Funk não é cultura” É sim!!!

O funk surgiu nos Estados Unidos em 1960 como manifestação cultural da periferia, como ritmo dançante das favela e dos guetos. No Brasil o funk ganha força nos anos 90 com letras politizadas que expunham a realidade da periferia, sendo assim, a voz da favela, contando a realidade das comunidades e a vida de quem vive nela. O funk em si nunca teve um caráter “requintado” (elitista)  sempre expondo as mazelas que a sociedade sempre fez questão de deixar a margem e talvez seja por isso que sempre foi condenado, sempre sendo alvo de ataques e preconceitos por ser um ritmo que é predominante entre as camadas populares.

O funk não é machista – tema que já foi retratado aqui no blog – quem o produz pode ser, o funk é uma manifestação cultural como o tal do “mpb” que nós tanto endeuzamos, mas que também é carregado de letras machistas e sexistas, acontece que é muito mais favorável rechaçar um ritmo que surge na periferia do que um ritmo que é produzido e ouvido por classes “cheias de cultura”. Se vamos problematizar músicas que atacam mulheres, que escracha a sexualidade por que não fazemos isso de forma geral? Vamos falar então de algumas músicas que fazem isso e não são funks?

‘Te pego na escola
E encho a tua bola
Com todo o meu amor
Te levo pra festa
E testo o teu sexo
Com ar de professor”

Faz parte do meu show, Cazuza – Vocês problematizam o termo “novinha” que é dito nas letras de funk e não veem problema nenhum no trecho desta música? Isso soa completamente problemático, aparenta ser aqueles homens mais velhos que se “envolvem” com garotas mais novas, pedofilia o nome né?

“Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer […]

Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você”

Minha namorada, Vinicius de Moraes

E não podemos deixar de falar da romantização dos relacionamentos abusivos não é mesmo?

“Bunda de sonho a cara é um pesadelo
Shit, shit pequena Raimunda”

Sexista, reducionista e machista, não?

Eu poderia citar uma infinidade de músicas que carregam N problemáticas aqui e que são consideradas cultura por que estão dentro de uma categoria que é definida como “música popular brasileira”. Entretanto,  a romantização dessas músicas acontece, elas não citadas, se quer julgadas, porque estão dentro do gosto de camadas mais abastadas, enquanto o funk que retrata coisas similares ou iguais é escrachado e nem é considerado cultura, fato que se confirma quando temos uma proposta de PL (projeto de lei) para criminaliza-lo. Não só no funk nossos corpos são sexualizados, não só nele que somos atacados, então parem de selecionar o que vocês vão criticar e façam isso de forma honesta!

Sem contar que para algumas pessoas o funk ofereceu oportunidades, melhorou a vida, ofereceu novas condições, parem de ignorar este fato só porque a vida de um favelado tem pouca importância para você!

Independente se o funk esta dentre os ritmos que você gosta de ouvir ele é cultura sim! Acho que poderíamos ser menos hipócritas e pararmos de separar o que gostamos e não gostamos entre cultura ou não.

O funk tem uma história de resistência e precisamos valorizar isso.

Lê, 20, paulista. Criadora da página TODAS Fridas.

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