Representatividade importa?

 

                                                                                        Fonte: Internet

(“Bem, quando eu tinha nove anos, Star Trek apareceu. Eu olhei aquilo e saí gritando pela casa: ‘Venham aqui, mãe, todos, venham correndo, venham rápido, há uma moça negra na televisão e ela não é uma empregada!’ Eu soube com certeza naquele momento que eu poderia ser qualquer coisa que eu quisesse ser.” – Whoopi Godberg)

 

 

 

Vemos a discussão sobre representatividade e geralmente há os que se dividem entre o ideal em um mundo ideal e os que querem se ver representados como pessoas que fazem parte da sociedade e não como pessoas fora do “padrão” instituído.

Quem não está dentro deste padrão, sabe quais são os danos de crescer sob esta perspectiva, ser visto como alguém “exótico” e ou “bizarro” e por isto ser considerada de “menor valor” na sociedade, independente do que se faça e quem se seja como pessoa e isto não pode deixar de ser considerado.

Lutamos por um ideal, uma sociedade equitária, mas vivemos em uma sociedade que é totalmente o oposto disto e que legitima a opressão das pessoas que não são o padrão imposto.

Nenhuma pessoa tem condições de lutar por algo melhor quando não se acha merecedora, quando se vê como “escória”. A autoafirmação, valorização pessoal, autoconhecimento e conhecimento da história do seu povo, são fundamentais no processo de fortalecimento individual.

Assim sendo, sabemos porque lutamos, mas também sabemos o mundo em qual vivemos e como somos representados nele e sabemos que esta representação não condiz com a realidade, então, por isso a representatividade importa sim. Não é tudo, mas tem relevância.

Não precisamos consumir tudo o que nos colocam, mas não podemos aceitar que nos representem de uma forma equivocada, para não utilizar um termo mais agressivo. Não somos brinquedos dos que lucram com isso.

Então, se nos vemos representados inadequadamente, vamos falar sim, pois ninguém tem o direito de nos “usar” de forma abjeta.

No que precisamos consumir, também fazemos escolhas com base no que acreditamos, por isso o consumo crítico é fundamental e representatividade importa sim.

Apenas consumo consciente não vai mudar o mundo, mas é uma das coisas que também irá tornar possível a mudança.

Psicóloga, feminista interseccional, mulher negra, Servidora Pública da Saúde.

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