Estudante da USP relata caso de racismo

Eu Thaynara Floriano, nasci mulher preta, na periferia da zona norte de São Paulo, inserida em uma família que nunca me deixou desamparada, cresci entendendo todo o meu privilegio, roupas boas, brinquedos caros, comida farta, nada me faltou em casa, mas existem coisas importantes a ressaltar quando falo sobre tudo que tive, a principal delas foi a dificuldade em entender o papel do preto em sociedade, mas isso aconteceu até eu ser inserida em um mundo branco, dentro do conforto do meu lar eu não entendia o quão cruel o mundo seria comigo, e ele foi pior do que podia pensar. Eu estudo na Universidade de São Paulo, uma conquista pessoal enorme, tenho 21 anos e estou lutando pra ter um espaço em um uma sociedade que exclui mulheres e abusa psicologicamente e fisicamente delas todos os dias, estou em luta só por acordar e tenho passado por problemas enormes dentro de uma questão que não acreditei que passaria em casa, eu moro com amigos na zona leste de São Paulo e um mês atrás sofri racismo em casa, uma acusação de roubo de uma garota branca, acusação de roubo em uma casa com várias outras pessoas, mas que eu somente fui acusada e questionada sobre o lugar onde os pertences estavam, eu me queixei do ocorrido, expliquei o meu lado e toda a situação racista e mesmo assim eu estou sendo exposta por essa garota como errada, exposta dentro do meio no qual estudamos, quando eu decidi não fazer o mesmo pra não gerar conflitos e posicionamentos dentro de questões importantes a mim, mas decidi escrever esse texto porque percebi que não existe uma situação que só me interessa quando vivemos em sociedade, o racismo velado existe e quando você diz a uma pessoa branca que ela é racista ou foi em determinado momento ela não vai assumir e vai se virar contra você, porque essa é mais uma prova de que preto não tem voz e não tem direito de se sentir ofendido, a nossa luta é todo dia.

texto: Thaynara Floriano

Lê, 20, paulista. Adepta da corrente radical e, criadora da página TODAS Fridas.

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