Os macho desconstruído da faculdade

Quando a gente adentra a universidade tende a achar que ali não será uma extensão da sociedade em que vivemos, que ali o pessoal é super legal, politizado, desconstruído e etc, até percebermos que vivemos em uma bolha, em que as pessoas se condicionam a viver apenas aquilo, como se a universidade fosse uma extensão afastada da sociedade - o que acaba sendo na realidade, pois não deixa de ser um lugar de privilégio que vela a segregação, tanto racial como econômica - vivemos apenas aquela vida, nos condicionamos aquele ciclo, até percebermos de forma explícita que ainda que ali seja uma bolha acadêmica, o machismo, misoginia e racismo e tantas outras opressões estruturais se fazem presentes como em todo lugar, é que aquela bolha só restringe o ciclo de vivência, mas de opressões não, o pessoal não é tão legal, os caras não são menos machistas e misóginos.
A universidade é um lugar em que os abusos acontecem, estupros acontecem ali, mulheres são negligenciadas e os abusadores não são expulsos, nenhuma medida é tomada, o que também reflete a sociedade em que a gente vive.
O mais trágico de tudo isso é que os caras que cometem abusos e estupros, viram comentário na faculdade e alguns meses depois já está tudo bem, já estão nas festas e eventos com o pessoal, nem uma medida é tomada e a vítima tem que conviver nos mesmos locais que o agressor que por vezes nega o abuso e promete até processo.
A desconstrução dos homens na universidade existe: no discurso. Na prática eles continuam os mesmos misóginos, continuam nos vendo como inferiores e somos submetidas a violência deles, nos debates e aulas defendem nossas pautas, mas quando abrimos a boca pra falar eles nos cortam, nos interrompem, homens nos violentam em qualquer lugar, em qualquer circunstância, esse foi um dos maiores aprendizados que a USP me deu.

Lê, 20, paulista. Adepta da corrente radical e, criadora da página TODAS Fridas.

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