Surubinha de leve? Estupro de vulnerável!!!

Antes de discorrer sobre a música em questão gostaria de contextualizar algumas coisas, sendo estas:

– O funk, não é misógino, machista, como muitas pessoas afirmam, o funk surgiu como voz da periferia e foi submetido a mudanças com o decorrer do tempo. Quem faz as letras das músicas que agridem mulheres é que é machista, misógino, generalizar uma categoria só expressa o preconceito que existe por esse ritmo ter nascido em favelas.

– É sempre bom lembrar que assim como alguns funks, existem MUITAS letras de outras categorias musicais que são violentas com mulheres é só colocar no google “músicas que agridem mulheres” e aparecerão muitas! inclusive o famoso e conceitual MPB possui letras de agressão, de estupro e pedofilia, então acho válido apontarmos todos esses aspectos em todas canções, por que é muito estranha esta seletividade não?

– Precisamos levar em conta o contexto social que o cantor/autor da música esta inserido, mas não estou falando de relativizar a violência que existe da mulher na letra, pois é perceptível que em músicas feitas por pessoas de diferentes classes sociais a mulher sempre esta em condição degradante, o que só expressa uma cultura machista, mas é válido pensarmos o cantor já teve contato com outras realidades?

Mas vamos a letra da música “surubinha de leve”: “surubinha de leve, com essas filha da p***, taca bebida, depois taca a p*** e abandona na rua” esse refrão parece um relato de violação, estupro de vulnerável, em que se droga ou embriaga uma pessoa propositalmente para poder fazer o que quiser com ela, no caso estupra-la, e sabemos que isso não é incomum, quantas garotas e mulheres foram submetidas a isso? Foram estupradas. Es-tu-pra-das… E ainda assim existem pessoas que relativizam esta letra, ela é problemática sim.

Existe algo normal em drogar alguém ou embriaga-la para ter algo forçado com ela? Se não há consentimento é estupro, se a pessoa não esta em condições de decidir isto se trata de estupro.

135 mulheres são estupradas por dia no Brasil.

É desesperador pensar que muitas das pessoas que ouvem está música não tem e não terão acesso a estas questões, e que estupro ainda é algo relativizado desta maneira como algo, normal, corriqueiro. É mais desesperador ainda saber que mulheres acham isto normal… Feminismo pra que?

Lê, 20, paulista. Criadora da página TODAS Fridas.

Deixe uma resposta