Aceit(ação)

Aceitar – verbo transitivo direto, conformar-se, estar de acordo. Verbo facilmente utilizado na língua portuguesa, no nosso cotidiano, com uma dificuldade enorme de ser internalizado por cada um, entendido, compreendido, aceito. Aceitação é um verbo, uma ação, imposta de forma ativa (ou deveria ser!).

Ultimamente temos sido bombardeados por expressões “aceite-se!”; nós acreditamos nisso, colocamos no nosso discurso, repetimos muitas vezes durante o dia mentalmente, hoje vou me deter a aceitação de si mesma psicológica, por isso, pergunto, mas é real? Digo real, no sentido de que tu te entendes, te permites errar, te consolas quando erra, não é tão dura contigo mesma, pondera que era o melhor que poderia ter feito, e que esse melhor foi ótimo. Fazes o exercício de reflexão sobre os teus pontos “fracos”, mas eles não te fragilizam, já que sabes que fazem parte do que tu és, te enriquecem, te tornas interessante.

Como os meus “defeitos” podem me tornar interessante? Pensam as pessoas  que estejam lendo até aqui. Não somos somente constituídos de qualidades. Sim, temos que reconhecer nossos pontos fortes, mas temos obstáculos, os nossos defeitos. E somos tudo isso. TUDO! Logo, devemos aceitá-los, termos uma convivência amigável, firmar um pacto de “boa vizinhança”. O que seria? Refletir sobre, defini-los, admitir que eles estão aqui dentro, sim, este momento pode ser vergonhoso ou um tanto embaraçoso, mas persista, vale a pena! Então, ainda siga essa autoanálise do quão impactante são na tua vida, nas tuas relações, atitudes diárias, escolhas, eles te influenciam de uma maneira negativa? Tu tens total liberdade de mudar, caso isso seja a TUA vontade.

Quando a aceitação de como tu és se torna um empecilho em um relacionamento? Ouvirás muitas vezes, “tu precisas mudar!”, “tu nunca mudas mesmo!” E tenho que te dizer, tu não vais mudar mesmo, (lembre-se do que escrevi acima, caso TU não “queiras”). E quando o teu “querer” é influenciado pela opinião ou “querer” do outro? Vamos explicar, quando tu precisas mudar para que então se “encaixe” naquele relacionamento, para ele dar “certo”? Já respondo de imediato, estas deixando de te aceitar, entender, permitir ser tu mesma, pois o outro também não te aceita da forma e completude que és, este ser complexo, muitas vezes anjo, outras nem tanto. Mas esta pessoa és tu.

Entretanto, façamos o exercício de refletir com os papéis trocados: na verdade, tu não aceitas o outro (pessoa na qual tu te relacionas), o que devemos fazer? Como devemos agir? Mocinh@, é difícil perceber que o outro não se encaixa nas tuas expectativas, quereres, que vive a vida da sua maneira, que os seus problemas são muito pesados para ti, que ele não te trata ou age da maneira que gostarias, mas, aceitar o outro, muitas das vezes, é deixar esta pessoa viver a sua complexidade sozinha já que entendes que tu não consegues permanecer. Aceitar é abrir mão de um relacionamento por admitir que este ser é como é, tem seus muitos pontos positivos e negativos, porém, tu não lidas e não convives harmoniosamente com eles. Aceitar é não torturar o outro e a si mesmo com a esperança de uma “mudança”. Aceitar é o não engano, não se enganar que em algum momento será diferente. Aceitar é libertação. Aceitar é amor (principalmente por si, mas também, pelo outro). Aceitar é se perdoar de ter tentado tantas vezes, dado mil chances, mas se permitir desistir por estar cansada daquilo. Aceite as tuas tentativas, aceite as razões na qual, tentou tantas vezes. Aceite teus sentimentos a partir disso! Aceite-se!

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