Ser mulher e ser mãe. A luta começa em casa.

 

Até que ponto eu me comprometo como protagonista da minha vida? Você já parou para pensar sobre isso? Ser protagonista da sua vida, não quer dizer que não tenha medo, pelo contrário: reconhecer que tem medo, que sente dor, mas que antes de se superar aceita a si , é o primeiro passo.
Sou uma mulher que já venceu algumas batalhas e posso sim me orgulhar disso, mas no entanto, ainda tenho medo e acredito que esse meu “medo” é o que me faz pensar em lutar. Tenho 03 filhos: dois meninos e uma menina, um parceiro de vida incrível, que mergulhou nesse caminho comigo e juntos, buscamos aprender, nos entender, e sermos seguros ao ponto de passarmos valores positivos aos nossos filhos.
O mais velho, vai fazer 13 anos daqui uns dias. O que mais ouvimos? “Já está namorando? Vai ser pegador hein? Iiiiiiiiiiiiiiiiiii…Vai dar trabalho, bonito desse jeito? Se prepara…vai te um monte de mulher atrás. O que você vai ser quando crescer (então, a criança não é nada?)”… e blá blá blá… Esse tipo de coisa que enche (o saco, a cabeça, as ideias). Meu filho é só uma criança que fará 13 anos, mas ainda é uma criança. Quando e se, ele quiser namorar, vai acontecer e nós estaremos abertos para falar sobre isso. Ele não é obrigado a namorar agora, a fazer algo agora, a crescer agora. O do meio, tem 09 e ouvimos muito:”Esse é come quieto. Vai pegar até as namoradas do irmão”. Cara, que saco isso. Já instiga na criança que tudo é competição, mas, e o respeito? Respeito que ele deve ter com todos e por todos (homem, mulher, criança, velho…bicho, planta, gente!). Fica aonde? A caçula, tem apenas 1 ano e 7 meses. E escuto: “ai que bom, uma mocinha pra te ajudar em casa (como se por ser mulher, ela passasse a ser a única com o papel de arrumar qualquer coisa dentro de casa). Coitada, não vai poder namorar, com um pai e dois irmãos no pé dela. Ela é linda, será que vai ser namoradeira?” ou coisas como: “Nossa, mas ela gosta do Capitão América? Isso é brinquedo de menino! (oi?, isso é apenas brinquedo)”.
É muito difícil ser mãe. É muito difícil ser mulher. Vivo constantemente com as perguntas (que às vezes prefiro nem responder) das pessoas sobre quem são, o que são e o que fazem os meus filhos. Trabalho fora. E trabalho muito. Sou julgada por isso. TODOS OS DIAS como se eu os abandonasse ou terceirizasse o meu papel de mãe, por ter a sorte (neste país, alguns momentos, termos emprego é quase que sorte mesmo) de ter um emprego. E mais, como se fosse alguma espécie de crime, gostar de trabalhar. Gente! Eles precisam da mamãe bem. Ou seja, cabeça saudável. E eu me sinto feliz em trabalhar,  por isso acredito que estou bem resolvida, o que torna mais fácil conseguir ajudar com os dilemas, descobertas e medos que eles possam vir a ter, ainda que tenha que trabalhar como se não tivesse filhos, pois preciso produzir e ser mãe, como se não trabalhasse fora, pois eles precisam de mim o tempo todo (viva o celular, internet e etc).
Queria que as pessoas apenas parassem: parassem de cobrar da gente tudo o tempo todo.
Jota vai namorar um dia? Não sei, mas ele ainda é uma criança e não precisa mesmo pensar nisso agora. Lulu é um menino: um doce e levado menino que espero aprenda que respeito é sempre o primeiro crivo em toda e qualquer situação. A pequena Duda, ela é um bebê, chegou na nossa família não para ser uma escrava e limpar a sujeira de todos, ela faz parte da família e terá as tarefas dela, como todos nós temos. O que eu quero para eles? Quero apenas que sejam felizes. Que façam boas escolhas. Que batalhem. Que aprendam. Que sejam unidos. Que os meninos respeitem o espaço de todas as mulheres. Que saibam valorizar e reconhecer as conquistas, que sejam tolerantes e busquem equidade. Que Duda seja forte (a chamo de Tuiuiu Valente), destemida. Que encare tudo de cabeça erguida. Ela sabe que é capaz de tudo.
Hoje, vejo que a luta começa dentro de casa. Sim. Dentro de casa. E eu tenho muuuuuito a aprender: tentando ajudar que os meninos compreendam que o legal do mundo é todos juntos: direitos iguais, oportunidades iguais, que as pessoas são diferentes e que estas diferenças, nem de longe são características que definam quem é um ser bom ou ruim. São apenas diferenças. Que na dúvida se esta situação é legal ou não, que é melhor recuar. Na dúvida, pare. Pense. Pondere. A outra pessoa consentiu? Gostou? Gostaria se fosse comigo? Se ainda assim eles tiverem dúvida, que pensem… que pensem muito. Espero que eles vejam em mim, alguém em quem possam confiar, compartilhar. Que eles sejam protetores de toda e qualquer pessoa que precisar de ajuda. Que saibam que tudo, tudo nesta vida, começa pelo RESPEITO.
Falamos diariamente sobre a vida. O porquê das coisas. Aprendo muito com eles. Aprendo principalmente que devo buscar sempre um mundo com mais equidade.
Ser mãe, mulher, esposa, trabalhadora, dona de casa, filha…nesse mundão! Não é mole não. Mas a gente consegue e cada dia é um dia a mais pra aprendermos e evoluirmos.
Se aceitem, se amem. Acreditem no poder que vocês têm. Pois de verdade, ele é enorme!

 

Mulher, mãe, esposa, funcionária de uma multinacional, sócia de um rancho. Com medos, erros e acertos. Uma mulher real. Que tem problemas reais como tantas de nós. Envolvida no meu maior empreendimento. Ajudar a formar 03 pessoinhas melhores pro mundo. Aprendo todos os dias mais com eles, que eles comigo.

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