Ser mulher, numa sociedade patriarcal e machista é um combate assertivo a todo tempo, independente de classe social, mulheres estão sujeitas as diversas violações. Levantar as questões de gênero tem suas particularidades, é contextualizar formas diferentes de sobrevivência, porém as mulheres em situação de rua e as que estão inseridas na sociedade não apresentam uma caracterização tão distante, pois ambas estão submetidas às relações de poder e submissão da figura masculina. Muitas dessas mulheres acabam “arranjando” um parceiro para poder sobreviver nas ruas, mas mesmo assim não ficam libertas dos abusos sexuais constantes e as agressões que surgem de todos os lados e muita das vezes do próprio parceiro.

 

Muitas nem pensam em denunciar o agressor, não só, por não confiar na segurança que o Estado deveria oferecer como a maioria vê em seus parceiros uma forma de segurança, uma vez que sozinhas estão mais vulneráveis às violências que as ruas apresentam. É uma contradição social, muitas mulheres em condição de rua, saem de casa por abusos domésticos e acabam por encontrar na rua, situação tão pior quanto.

 

O uso abusivo de drogas é algo presente nas vidas das mulheres em situação de rua. Para fugir da realidade muitas acabam fazendo uso de entorpecentes e tendo uma relação intima com a prostituição, já que lojas e mercados não aceitam alguém sem moradia. Pouco se fala sobre essa mulher que vive nas ruas, não é só a grande mídia como os meios acadêmicos que amam estudar a pobreza, mas de nada fazem para mudar o contexto que estamos. Moradores  que estão nas ruas e não são das ruas são invisíveis e as mulheres então, nem existem, as políticas públicas são totalmente inexistentes , enquanto nos mulheres possuímos um pouco de privilegio e lutamos por melhores condições no mercado, essas mulheres lutam por dignidade e condições básicas. Quando você estiver passando na rua e ver aquela mulher toda suja e, quem sabe, embriagada para poder suportar a dor, tenha pelo menos um olhar amoroso e um pouco de empatia. Que Sororidade seja para todas, sempre!

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