Terça-feira, 16:00 horas, em pleno centro da cidade, carros, buzinas, pessoas na rua, o pico do movimento, e um homem se sente no direito de parar o carro próximo à calçada, abrir todos os vidros e se masturbar explicitamente. E se para vocês ainda é pouco, acrescento: ao lado de uma escola.

Minha atitude, com medo do que um ser desse é capaz de fazer, foi correr até meu carro e ligar para polícia. Mais despreparado que eu, o atendente do 190 demorou exatos 8 minutos até concluir que mandaria um carro para averiguar. Oito minutos. Nesse tempo, com certeza o homem poderia ter atacado uma mulher, uma criança, uma senhora; e para aqueles que continuam achando que não é nada demais: poderia ser sua irmã ou mãe passando por aquela rua, naquele momento.

Mas era eu. Eu, que você não conhece, não ama, não admira, e provavelmente não tem a menor empatia. Assim como a polícia, que ao me atender, ouvir meu nervosismo, e constatar que se tratava de um atentado ao pudor, assédio e constrangimento, também não teve a menor empatia. Afinal, era só um homem se masturbando no centro da cidade, no meio da tarde, ao lado de uma escola; pobre coitado, não deve ter se aguentado de vontade e teve que parar o carro. Já pensou se fosse uma rua escura e uma moça estivesse passando? Um estupro poderia acontecer sem qualquer dúvida, e a culpa, é óbvio, seria da moça. Quem mandou ela passar naquela rua escura, naquele momento?

Ainda bem que ele só estava se masturbando, em plena luz do dia. Porque, se nem pra isso a polícia está preparada, pense para um estupro. Repito, culpa seria da moça, e os oito minutos de demora para concluir a ocorrência custaria, provavelmente, a vida de mais uma mulher.

E você, mulher, já precisou da polícia hoje?

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