08 de março: revisitar conceitos, fortalecer lutas!

Mês de março. A mídia inicia o intenso fluxo de mensagens e propagandas com vistas à ofertas “imperdíveis” em comemoração à data de 08 de março – convencionado o Dia Internacional da Mulher (neste tema sugiro leitura de outro artigo do blog). No estudo da história, sabemos que esta data é repleta de conquistas e também controvérsias (BLAY, 2001). Neste sentido, percebemos que a luta de mulheres, no conjunto de manifestações da época, revelam a trajetória em busca de melhores condições de vida. Observamos que é no dia 08 de março, que se remete às memórias referentes ao suposto incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York, tendo destaque a morte de mulheres que, exploradas pelo capital, eram perseguidas no movimento operário nos Estados Unidos.

Buscando somar à data reflexões sobre a pauta das mulheres, bem como agregar reflexões sobre as pautas feministas, especialmente nos desafios atuais, inauguro a primeira postagem no blog “Todas Fridas”. E neste sentido é indispensável registrar a alegria imensa pela oportunidade de compor um coletivo de mulheres que tem no horizonte a bandeira feminina em pauta, cuja nomeação referencia a renomada artista e professora Mexicana Frida Kahlo, mulher símbolo de força e resistência, que registrou na história os desafios da realidade de ser mulher no mundo, em especial, com suas pinturas surrealistas que eram constituídas a partir de sua própria vida (LEVINZON, 2009).

Na foto que ilustra este post, estou visitando uma exposição sobre a vida de Frida. Num flagra de um olhar que não focaliza o fotógrafo, me vejo nesta foto um símbolo de busca do encontro de outros sentidos possíveis a minha existência, de encontro com a história de Frida e de tantas outras mulheres que vivem os mesmos dilemas que eu. Nesse sentido, foi que analisei o blog “Todas Fridas”. Observei que o blog soma em seus arquivos muitas publicações (datadas desde 2016) compondo um panorama que indica cerca de 70 artigos, organizados em 38 categorias, configurando-se como um elemento de ampliação do (auto)conhecimento, bem como de acesso a produtos que procuram fortalecer a força das mulheres, por nossas próprias mãos.

Portanto, como podemos observar com as próprias produções presentes no blog, observamos que a luta pela justiça social, focalizando a pauta feminista é constante, não se dá em apenas um dia do ano – nos dispomos a trabalhar para isto. Logo, àqueles que resolvem na data de 08 de março nos “homenagear” seja com flores, seja com fotos de pia ou roupas para lavar, informamos que o efeito de sua postagem, será a mesma que em todos os outros anos, além de não provocar efeito nenhum, irá somar o rol das postagens patéticas que não nos afetam mais. Crescemos enquanto movimento e temos afirmado o quando buscamos evoluir enquanto sociedade. Evolução esta que compreende os desafios do processo, mas que também busca reconhecer o quanto avançamos!

Não queremos, com isso, dizer que somos contra o carinho dedicado (seja nesta ou em qualquer outra data), que não gostamos de flores, da cor rosa, de um jantar, mas, também dizer que somos mais que isso. Buscamos que nos reconheçam em nossas lutas e, que somem a elas, estudando e realizando, cotidianamente, a autocrítica em sua postura, qualificando a presença da mulher na sociedade.

Nossa bandeira inclui a luta por um mundo mais justo, integrando o direto à educação, a defesa por mais instituições públicas de educação infantil, melhores condições de trabalho, remuneração e valorização social. Neste sentido, os textos com as quais busco contribuir daqui para frente no blog, pelo menos uma vez por mês, focalizarão temas cotidianos da vida de ser mulher, com postagens que tem como objetivo possibilitar que cada um de nós, também possa, abandonar e evoluir, analisando nossos preconceitos, pensamentos e reflexões em temas correlatos ao feminismo, buscando ressignificar a postura que ainda insiste em ver a mulher como submissa. Podemos aprender com a energia de Frida um pouco disso, um pouco de conhecimento de nós mesmas e, com o seu poder criativo (LEVINZON, 2009), acreditar que juntas e juntos possamos fortalecer nossas bandeiras em prol do movimento de afirmação de nossos direitos e de avanços nas políticas públicas.

Finalizamos o primeiro post, demarcando a necessidade de se revisitar conceitos, lembrando que foi o tempo, em que comemorávamos e pautávamos o tema “mulher” em apenas em um dia do ano, seja fazendo um cartaz nas escolas ou recebendo uma rosa na porta dos comércios. Vivemos tempos outros, tempos de fortalecimento e de luta comum, tempos de autoconhecimento e crença em “nossos eus” constituindo a força coletiva e a esperança de um mundo melhor, mais justo e igualitário. Afinal, já mostramos a que viemos e, à condição de desigualdade de onde vivemos, não pretendemos voltar!

Referências:
BLAY, Eva Alterman. 8 de março: conquistas e controvérsias. Estudos Feministas. 2001. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ref/v9n2/8643.pdf>. Acesso em: 06 mar. 2018.

LEVINZON, Gina Khafif. Frida Kahlo: a pintura como processo de busca de si mesmo. Revista brasileira de psicanálise,  São Paulo ,  v. 43, n. 2, p. 49-60, jun.  2009 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0486-641X2009000200006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  07  mar.  2018.

Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo (2013). Mestra e doutoranda em Educação pelo Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (2015). Realiza pesquisas na área de Educação, com ênfase em Trabalho Docente, Formação de Professores e Educação Infantil. Atualmente mora em Vitória-ES.

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  1. Texto maravilhoso Kallyne. Hoje e todos os outros dias do ano, somos mulheres poderosas, lindas, merecedoras de homenagens e de um mundo mais igualitário. Somos Todas Fridas.

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