Tenho lembrança de desde sempre ter o desejo de ser mãe, por isso, sempre li muito sobre parto, maternagem, as diversas formas de criação, etc… E, como qualquer outro assunto, existem opiniões e defesas divergentes. Há quem defenda a ideia simplista de que a mulher nasceu para parir e que o parto é uma coisa natural. Há quem defenda as cesáreas eletivas, já que a tecnologia e avanço da ciência servem justamente para ‘evitar sofrimentos’. Há também, a teoria do ‘foi sempre assim e sobrevivemos’.
Nesta lógica de divergência, a maioria das mulheres fazem parte da parcela de população que não tem acesso à informação de qualidade, ao pré-natal de qualidade, à equipe de saúde de qualidade, à estrutura de saúde de qualidade. Uma outra parcela de população, pode pagar por tudo isso, porém, ainda assim, não tem a garantia de nada (pelo simples fato de ser MULHER, já que vivemos num sistema Capitalista e Patriarcal).
E no meio de tudo isso, vez ou outra me deparo com as críticas em relação à romantização do parto. Vários depoimentos, de ambas as classes sociais, de que não era tudo mil maravilhas como se ouvia por aí, ou como se lia em revistas. O que fica evidente, é que na maioria dos casos, o parto é assunto alheio. Se prioriza a vontade do médico. Se prioriza o melhor para o bebê. Ou ainda, a vontade do pai, da sogra, da vizinha… A mulher em questão, ou não tem opção de escolha pela condição social que vive, ou é ‘pressionada’ pelo círculo social a parir na maternidade X, com equipe médica Y, com cesárea agendada para facilitar a vida ou na casa de parto da Fulana, com a equipe da Beutrana, naquela banheira de unicórnio rosa com bolhas de purpurina para que o bebê seja bem recebido quando desejar nascer.
Hoje Cadu completa 10 meses e a cada mesversário dele, me pego revivendo o dia do parto. Foi lindo! Foi maravilhoso! Foi perfeito! Me emociono só de lembrar!
Só que quando faço esse relato, sempre tem alguém julgando sobre a romantização do parto. Eu entendo quem critica. Eu mesma criticaria um discurso desse antes de ter parido. Porém, é só o meu relato na mais pura sinceridade. O fato é que eu tive acesso ao pré-natal de qualidade, acesso à equipe de saúde de qualidade, acesso à informação. Tanto acesso à informação, que inclusive soube de todos os meus direitos e pari num hospital público, com equipe de plantão do SUS. Exceto a doula, EU NÃO GASTEI UM CENTAVO. Não tive nenhum trauma no parto. Não fui obrigada a ficar em determinada posição. Fora a indução por misoprostol, não sofri nenhuma outra intervenção. Não sofri violência obstétrica. Não tiraram meu filho de perto de mim em nenhum momento. Eu estava INFORMADA dos meus direitos. Estava SEGURA que podia, por exemplo, pedir analgesia se fosse necessário caso não estivesse aguentando a dor. Eu SABIA que podia escolher como parir, que podia ter meu companheiro do meu lado o tempo todo, que podia escolher ficar deitada, em pé, no chuveiro, na bola…
Antes do nascimento do Cadu, eu criticava a romatização do parto e desdenhava os discursos de partos lindos e maravilhosos. Agora, depois de ter passado a minha vez e de ouvir tantas outras mães, percebo que os partos sem traumas – tidos como romantizados – são de mulheres que como eu, estavam empoderadas e informadas.
A luta é por relatos de partos ‘romantizados’ sim! Por mulheres empoderadas, informadas e com acesso de qualidade na gestação, no parto e no pós-parto.

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