Momentos antes de Marielle ser brutalmente assassinada, participou de um evento na ” Casa das Pretas”  que fica no Rio de Janeiro, o debate foi sobre o  feminicidio e o quanto era necessário a luta constante  pela conquista e reconhecimento de direitos das mulheres negras, faveladas e periféricas. Logo em seguida, Marielle foi executada por quem não aceitava que sua voz tivesse resistência e luta, uma voz indignada, que lutava de forma árdua a favor daqueles que o sistema há muito tempo esqueceu.  O machismo presente em nossa sociedade manteve os feminicidios políticos, que se viam muito presentes na época da ditadura militar, um regime autoritário que estuprou, torturou e matou várias mulheres.

A morte de uma militante que veio da favela, mulher negra é mais uma derrota para todas nós, é uma perda irreparável. Uma voz que é silenciada, quando morre uma mulher, se perde uma parte dos nossos sonhos e lutas.  Não existe ideologia ou partido quando vidas são perdidas a sangue frio, quando uma representatividade de luta se parte. Tentaram executar a resistência e a esperança. O que mais pode acontecer? Quantas Olgas, Marielles, Joanas, Claudia, Fernandas, terão que morrer? O ódio cegou as pessoas, não importa quem seja. Para muitos digitar palavras de ódio parece ser um prazer, principalmente se for contra mulheres, militantes e feministas. Muitos puxam o gatilho APENAS digitando.

Estamos cansadas, o futuro do nosso país é incerto. Amanhã Marielle e Anderson, serão esquecidos? Quantos mais terão que morrer? Quantos mais terão que sofrer só por que LUTAM por um mundo menos desigual? E do que adianta dia 8 de março, jogar flores e dizer que mulheres são incríveis e maravilhosas, se quando levantamos a nossa voz e não abaixamos as nossas cabeça, somos mortas? Quantas mulheres foram silenciadas para que o sistema, o  machismo e a misoginia  pudessem continuar a existir  e perpetuar a sua crueldade?

Deixo com vocês as últimas palavras de Marielle no Facebook: “Nós, mulheres negras, somos a maioria da população. E ainda assim precisamos mover estruturas para garantir direitos iguais. Por isso, amanhã, quarta-feira (14), vamos reunir mulheres incríveis pra compartilhar nossas vivências, seguindo os passos das que vieram antes de nós. Somos resistência, afeto, luta e esperança! VEM! Esse evento lindo faz parte da campanha 21 dias de ativismo contra o racismo!”.

São tempos sombrios, mas não desistam, porque  a maldade não dorme um segundo. Nem a morte silencia aqueles que lutam por justiça.

 

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