Temos assistido os avanços neoliberais empurrados a goela abaixo nas decisões educacionais, e por isso, tem-se feito muitas reflexões sobre o tema.
Recapitulando, o neoliberalismo tiveram muitas ações agressivas no Brasil junto ao governo militar, se intensificando no governo do FHC, mas não somente neste governo, através dos vários empréstimos cedidos ao nosso país, por instituições financeiras internacionais como, Banco Mundial e FMI. Estas instituições pediam uma contrapartida: mudanças na forma de “pensar” educação no Brasil, e, consequentemente, maneiras de barrar a autonomia científica-tecnológica do país, uma maneira de fidelizar os países subdesenvolvidos neste ciclo de empréstimos. Essas mudanças se dão principalmente com o objetivo de colocar na lógica educacional, os princípios neoliberais que estas instituições defendem e pulverizam por todos os países que solicitam empréstimos. Sabemos que o neoliberalismo tem como um dos pilares concentrar a culpa de todos os fracassos e sucessos no sujeito, já que “todas as ferramentas estão aí para serem exploradas e consumidas e só não aproveita quem não quer”, este é um dos discursos introduzidos diariamente pela mídia e outros meios de comunicação e propaganda.
Além da estrutura organizacional da educação para a formação de mão-de-obra que o mercado “necessita” para este seguir funcionando, já que o neoliberalismo tem como sentença que o “mercado” é um mecanismo autorregulável, assim, os princípios de oferta e demanda irão se ajustar a uma concorrência justa e indissociável. Quem presencia a rotina do mercado sabe que isso não é verdade, e o capitalismo é extremamente cruel e agressivo, burlando a livre concorrência com cartéis e outros “jeitinhos” de maximizar o lucro.
Se colocarmos a lógica neoliberal na escola temos: os “melhores” alunos serão recompensados com os melhores empregos e cargos e ganham mais por isto. Já os “piores”, serão excluídos deste sistema, já que o capitalismo precisa sempre da maior eficiência e eficácia, e a melhor mão-de-obra com maior qualificação. Temos a pergunta, o que acontece com as “peças” defeituosas deste sistema? As peças defeituosas é a classe chamada de “alunos-problema”. Devemos desistir deles e deixar eles para a marginalidade, (a margem das oportunidades e de todo o sucesso) ou devemos ter opções de minimizar esses efeitos num sistema que é originalmente excludente? Por isso, a meritocracia não é a melhor opção, pois, a educação deveria ser o único meio de dar as mesmas oportunidades para todas as “peças” integrantes deste sistema, desde a base, o início da sua caminhada de formação.
Como dar as mesmas chances para todas as “peças”, se as oportunidades de alguns são, desde o primeiro momento, melhores do que as dadas as massas?
É isso que a reforma do Ensino médio pretende. Aniquilar as alternativas de educação pública para a maioria da população brasileira, formando mão-de-obra barata e mal qualificada, para maximizar o lucro e o status que a educação privada tem neste país, além de facilitar e baratear a compra do “trabalho” destes futuros trabalhadores que serão mal remunerados pela falta de conhecimento, chances, escolhas e situações diversas de aprendizagem, já justificando os baixos salários. Ou ainda, oportunizando a educação de “primeira”, “segunda” e “terceira” linha, sendo a primeira oportunizada para a classe alta, a segunda para a massa popular em escola pública, e a terceira, por fim, a educação dada no turno noturno oriundo do EJA (Educação de Jovens e Adultos). Pois, a lei empurra que o sistema educacional brasileiro garanta o acesso universal de todos os brasileiros, havendo a inclusão de todos, mas esse aumento do acesso, faz uma inclusão “excludente”, possuindo uma educação de mais baixa qualidade.
Veja bem, não estou dizendo que sou a favor que por ter aumentado o acesso, deva ter a qualidade comprometida, estou dizendo que os diferentes governos agem dessa forma, resultando nestes efeitos. Ainda, temos a notícia de ter uma porcentagem do ensino básico à distância. Sabemos que o ensino à distância precisa de uma disciplina interna muito bem desenvolvida, e é antipedagógico que essa modalidade seja inserida na primeira etapa de formação, na qual as experiências e trocas interpessoais também são aprendizagens necessárias, muito além do puro conteudismo.
Por isso, essas são as intenções, ou podemos dizer, más intenções destinadas ao nosso povo brasileiro, que dependem das políticas públicas para a sua autonomia e emancipação. Os ricos não precisam da assistência do Estado, e nem mesmo, as leis funcionam para eles, infelizmente. A maior resistência que a classe trabalhadora e as massas populares podem fazer aos avanços neoliberais, deste governo, da política que beneficia quem já é beneficiado, é se qualificando integralmente, possuindo consciência política, social e sistémica, e ainda, perceber as relações de poder existentes e quais relações nós estamos submetidos, diariamente.

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