A agência da Caixa Econômica parecia aquele inferno rotineiro. Eu com a cabeça cheia, pensando num jeito de me livrar daquilo logo, mesmo sabendo que seria mais uma tarde inteira perdida numa fila para não resolver nada. Eles estavam na minha frente, abraçados. Ela parecia mais nova do que eu, e ele extremamente aborrecido, talvez pela espera, talvez pelo que veio a seguir. Provavelmente não era a primeira vez que ela dizia aquilo e eu não tive como deixar de ouvir:

Acho que você devia ser mais carinhoso comigo, amor.

É? – e a abraçou um pouco mais forte.

É. – e ela se aconchegou no moletom dele.

Ouvi e julguei, foi automático.
Ele aparentando vinte e poucos anos na sua pose de cara pouco afetivo, ela jovem demais pra perceber que essas coisas não costumam terminar bem.

Talvez você esteja pensando merda, você nem os conhece” – comecei a debater com meus próprios botões dentro da minha cabeça.

Já vi muitas garotas levarem namoros inteiros ao lado de caras que se escondiam atrás de frases infames como “homens não precisam demonstrar”, “é só o meu jeito” ou “eu sou mais seco mesmo”.

No tempo que passei ali eles pouco conversaram. Era só uma janela em milhões de pedaços de histórias, rostos e vidas que a gente ouve e conhece todo dia, em filas, ônibus e ruas. Mas incomodou. Devo ter remoido aquilo até a noite, quando finalmente concluí:

“qual é Bah, quantas vezes você já não fez pior do que isso?”

Muito tempo. Uma vida inteira praticamente desculpando o desinteresse dos outros e perguntando o que havia de errado comigo. Mas sabe, esse clichê “não receber uma mensagem, também é uma mensagem”, não sei quem escreveu, mas é real.

Uma vez li um texto incrível da Dandara Barbosa onde ela dizia: “Ninguém precisa ser lembrado daquilo que gosta, eu vou no bar que tem minha cerveja preferida faça chuva, faça sol”.

Ela estava falando sobre não procurar desculpas para falar com quem não quer ser encontrado, mais específicamente ficantes ou “crushs”. Mas de verdade, eu acho que isso serve pra tudo na vida, principalmente para o amor.

Como disse antes, eu passei muito tempo achando que o tanto que eu demonstrasse ou que eu procurasse, faria a pessoa se tocar. Mas essa história de tudo dando errado o tempo todo para no final todo mundo ser feliz para sempre só dá certo nos filmes, e adivinha por que? Tudo dá errado, mas eles querem estar juntos. “Água mole em pedra dura”, não serve pra amor, não é luta.

Nina Simone disse: “aprenda a levantar-se da mesa quando o amor não estiver mais sendo servido”, e mais do que isso eu digo: se você notar que ele não vai ser servido nem se sente.

Vencer alguém pelo cansaço, não é conquistar, é ficar com as migalhas, e não dá para amar ninguém se a gente não se amar primeiro não é RuPaul?

Vocês devem estar pensando nas milhões de histórias maravilhosas em que um dos lados insistiu e resultou em Happy Ending, dá certo pra algumas pessoas, mas conquista é diferente de achar que você vai conseguir dar conta pelos dois. Saiba diferenciar isso do famigerado “papel de trouxa”.

E pra terminar eu deixo outro pensamento da Dandara:
“É chato quando mais uma tentativa frustrada fracassa? É. Mas não seguir em frente é tortura.

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