Levante o braço, mas para acolher!

Nos grupos de mães da internet, saíram dois casos “importantes”. Um sobre uma criança que ficou presa na tela de proteção da janela (miga, passa o número do fornecedor, porque a tela funciona!). E outra de uma mãe que “impediu” o filho de ir à festa de aniversário que o pai organizou em comemoração do 5º aniversário da criança.
E de repente, um monte de mulheres, mães, com as mais diferentes histórias simplesmente atacam as mães dessas duas crianças. Mesmo sem conhecer cada história.
Cabem aqui, algumas reflexões…
A criança que ficou presa na tela da janela… crianças pequenas (e grandes também) aprontam em fração de segundos. É sério! Dizer que, “nossa, que mãe irresponsável que deixa um bebê sozinho” é muito fácil. Gente! Mães fazem cocô, vocês sabiam? Bebem água. Atendem ao telefone. Ah! Elas têm vida também.
A criança pode ter subido num segundo de distração (ou de piriri) desta mãe (aliás, o pai ninguém nem cita, como sempre!) e subiu na janela. E que bom que tinha tela. E melhor ainda que a tela funcionou. Fico pensando no desespero desta mãe quando viu a criança nesta situação. Misericórdia! Só de imaginar me dá um frio na barriga. Aí penso…como as pessoas filmam, xingam e não fazem NADA! Gente! O que essas pessoas queriam? Que a criança caísse. Caramba! Eu teria saído feito uma louca tentando chamar no apartamento desta família. Pensar em gravar e ficar esperando como vai resolver ou terminar esta cena???
Falta mesmo mais sororidade. Falta mesmo, mais empatia. Mais amor.
Aí vem o caso da tal festa. Outra situação em que “sabemos” só um lado da história (também não estou dizendo que o pai é ruim, afinal, não conheço a família). Mas gente…quantas crianças vivem com “pais de aniversário”? Quero falar sobre nós, mães, mulheres, que apontamos tanto a conduta da “mãe que impediu que a criança fosse a festa preparada pelo pai” sem conhecer absolutamente nada. Mesmo muitas vezes, sendo nós, as mesmas mães que criam os filhos sozinha, com a grande contribuição de 250,00 reais (quando tem) do pai. As mesmas mães que precisam resolver sozinhas a nota baixa na escola; o medo do dentista; o machucado no joelho; o braço quebrado; aprender a comer (e gostar) brócolis; ou explicar sabe-se Deus como que não é porque o pai não veio pra festa na escola, que o filho não é amado por ela e por um tanto de gente (porque o filho, sente sim, a ausência do pai).
O jeito mais fácil de se posicionar em qualquer uma dessas situações é apontar o dedo pra mãe. É culpar a mãe que não viu a peraltice, afinal, é obrigação dela fazer tudo sozinha. Dizer atrocidades da mãe que não levou o filho a tal festa, porque nossa…mas o pai arrumou tudo e gastou a maior grana.
Parem!
Apenas parem!
Parem de apontar. Parem de se achar superior a coleguinha do lado. Ela precisa de parceria assim como você. A coleguinha sentada no fundo do ônibus que você pega todos os dias pra ir pro trabalho, e “está sempre com cara fechada” talvez seja mais uma com problemas, abusos, ou simplesmente, na dela. Respeitem. Respeitem a mim. Respeitem-se. Respeitem a todas nós.
Precisamos nos apoiar. Nos defender. Nos ajudar.
Se formos juntas, será pelo menos, menos difícil.
Portanto, antes de acusar naquele grupo da net, ou no papo do vestiário, ou no grupo do whats… se coloque no lugar da outra. Talvez, num futuro próximo, a outra seja você. E realmente será melhor, se não tiver todos os dedos apontados te criticando.
Abram a mente. Olhem pra si e para os seus dilemas. E principalmente, levante sim os braços. Peça sua vez de falar e agir. Abra o braços, sem apontar o dedo. Abra os braços para acolher.

Mulher, mãe, esposa, funcionária de uma multinacional, sócia de um rancho. Com medos, erros e acertos. Uma mulher real. Que tem problemas reais como tantas de nós. Envolvida no meu maior empreendimento. Ajudar a formar 03 pessoinhas melhores pro mundo. Aprendo todos os dias mais com eles, que eles comigo.

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