Da diva de Hollywood que participou da criação da tecnologia que deu origem ao bluetooth, até a inventora da primeira vacina contra hanseníase, mulheres excepcionais que foram pouco reconhecidas ou invisibilizadas por uma História machista que na maioria das vezes deu preferência apenas a heróis homens.

Hedy Lamarr

Foi uma atriz descrita como “a mulher mais bonita do mundo”, que estrelou cerca de 30 filmes durante a carreira, entre eles o clássico “Sansão e Dalila” (1949) e o polêmico “Êxtase” (1933) em que protagonizou aquela que é considerada a primeira cena de orgasmo feminino da história do cinema. Considerada uma diva apenas por sua beleza estonteante pois era constantemente subestimada como atriz, o mundo foi surpreendido ao saber que Hedy foi a co-criadora ao lado de George Antheil da ”frequency hopping”. Conhecida hoje como bluetooth, 3g e GPS, a tecnologia permite que informações sejam transmitidas em diferentes frequências sem serem interceptadas por terceiros e nasceu da necessidade de lutar contra Hitler já que Hedy era judia e ficou aterrorizada com o massacre promovido pelo ditador e George perdeu o irmão durante a guerra. Os dois fizeram a descoberta enquanto tocavam piano e Hedy repetia as notas que ele tocava em outra escala. Porém, por conta da co-criadora do projeto ser uma estrela de cinema a tecnologia não foi levada a sério e durante a guerra apenas versões similares foram utilizadas. Somente em 1962 durante a crise dos mísseis em Cuba uma versão em larga escala foi implementada e apenas em 1997 George e Hedy foram homenageados por sua contribuição científica pela Electronic Frontier Foundation, entidade internacional sem fins lucrativos, sediada nos EUA, que luta pelos direitos digitais, mas Hedy jamais recebeu qualquer valor em dinheiro ou o reconhecimento merecido por sua invenção . Ela foi uma mulher atormentada pelos exigentes padrões de beleza hollywoodianos que a tornaram viciada em plásticas e a fizeram se tornar reclusa até o fim da vida por conta da desfiguração de seu rosto, mas isso jamais apagará a magnitude do que ela ajudou a criar.

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Dandara dos Palmares

Quando se fala em Consciência Negra o nome que vem à mente da maioria das pessoas é Zumbi dos Palmares, porém principalmente o movimento feminista negro tem celebrado cada vez mais a maior figura feminina de resistência da época da escravatura: Dandara dos Palmares. Assim como outras grandes mulheres negras tiveram seus nomes e lutas praticamente negligenciados da história por um sistema racista e machista, existem raros registros documentais dos feitos de Dandara, mas ela permanece viva na memória do povo negro como aquela que liderou em pé de igualdade com Zumbi o maior quilombo do Brasil. Palmares se tornou um símbolo não só de acolhimento aos negros que fugiam de seus senhores mas também de organização enquanto comunidade e isso se deve em grande parte aos esforços de Dandara. Um resgate histórico dá conta de que ela dominava técnicas de capoeira, caça e agricultura, e teve participação ativa na luta física contra as tentativas de invasão do quilombo pelos colonizadores, além de delegar funções para a manutenção e ajudar a prover alimentação.

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Marie Curie 

Terminou o colegial aos 15 anos, mas não conseguiu cursar a Universidade de Varsóvia, na Polônia onde vivia, porque a instituição não aceitava mulheres. Por isso, aos 17 anos mudou-se para a França para estudar física na Universidade Paris-Sorbonne. Recebeu o diploma em 1893 e ganhou uma bolsa para estudar matemática. Marie e seu marido Pierre Curie desenvolveram a teoria da radioatividade após estudarem a radioatividade espontânea descoberta por Henri Becquerel, além disso ela descobriu dois novos elementos radioativos: o rádio e o polônio (em homenagem a seu país natal). Em 1903, Marie e Pierre dividiram o Prêmio Nobel de Física com Henri pela descoberta da radioatividade e em 1911, ela recebeu o Prêmio Nobel de Química pela descoberta dos elementos, tornando-se assim a primeira pessoa e a primeira mulher a receber o Nobel em duas categorias diferentes. Ela quase não foi indicada a receber o prêmio de física pois a comissão julgou que sua contribuição não havia sido “‘importante o bastante”, mas quando Pierre soube ele insistiu que o trabalho foi conjunto entre ele e Marie. A descoberta do rádio e do polônio foi muito importante para o desenvolvimento do raio X e durante a Primeira Guerra Mundial, Marie foi pessoalmente ao campo de batalha levando aparelhos portáteis para ajudar a examinar soldados feridos.

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Nísia Augusta 

Foi a precursora do feminismo no Brasil. Inconformada com a educação patriarcal recebida pelas mulheres, criou em 1838 uma escola específicamente voltada para elas que não ensinasse costura ou boas maneiras mas sim línguas, matemática, ciências e artes com métodos pedagógicas inovadores. Tudo isso foi uma afronta ao sistema de dominação feminina vigente na época, onde o saber era destinado somente aos homens e as mulheres cabia apenas as funções do lar. Porém, sua luta resultou em uma intensa propaganda de difamação por parte da mídia, que desqualificava desde seu método de ensino até sua vida pessoal espalhando boatos de que ela era promíscua em relações extraconjugais com homens e até com suas alunas. Ela também precisou lidar com as acusações de adultério feitas por seu ex marido com quem havia sido obrigada a se casar e de quem se separou aos 13 anos. Afrontou mais uma vez a sociedade machista nomeando sua instituição de “Colégio Augusto” em homenagem a seu companheiro Manoel Augusto com quem viveu em meio a toda as dificuldades e com quem teve dois filhos. Foi ativa na luta abolicionista e a principal voz da época a denunciar a opressão contra os povos indígenas. Mesmo após migrar para a Europa continuou escrevendo livros de literatura e resistência política, e se tornou grande amiga e alinhada com o pensamento do filósofo positivista Auguste Comte, exceto pelo viés racista já que sempre foi uma defensora das minorias.

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Rosa Parks

No dia 1 de dezembro de 1955 no auge dos conflitos raciais nos EUA que haviam começado em 1900, a costureira Rosa Parks se recusou a ceder o lugar para homens brancos em um ônibus, em Montgomery, capital do Alabama. Por lei os assentos da frente eram destinados a pessoas brancas, e nesse dia Rosa estava sentada nos assentos do meio, quando alguns brancos entraram e ficaram de pé e o motorista pediu que ela e outros três negros se levantassem para cederem os lugares, apenas ela se recusou. Rosa foi presa injustamente por violar a lei de segregação do código da cidade de Montgomery apesar de não estar sentada nas primeiras cadeiras. No dia seguinte, ela foi solta ao ter sua fiança paga por Edgar Nixon, presidente da NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor). Rosa era casada com Reymond Parks, membro da associação e já era uma militante pelos direitos civis. A prisão dela resultou em um grande boicote aos ônibus urbanos em que os trabalhadores negros e os simpatizantes da causa passaram a ir para o trabalho a pé, o que gerou um enorme prejuízo as empresas. O protesto teve o apoio de grandes personalidades do movimento negro, inclusive da maior delas, o pastor Martin Luther King que congregava em Montgomery, e se tornou um grande movimento contra a segregação que durou 382 dias e terminou em janeiro de 1956 quando a Suprema Corte dos EUA declarou inconstitucionais as leis de segregação racial. Foi a primeira grande vitória do movimento pelos direitos civis. Rosa Parks foi ameaçada, teve dificuldades em conseguir emprego mas se tornou um dos maiores símbolos da luta contra o racismo nos EUA e no mundo.

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Chiquinha Gonzaga

Nasceu sinházinha e aproveitou o período de transformações sociais em que as mulheres da alta sociedade passaram a ter acesso a educação, para se instruir. Aprendeu a ler, escrever, fazer cálculos e estudou catecismo, mas sua grande paixão era o piano. Casou-se aos 16 anos com o empresário Jacinto Ribeiro do Amaral escolhido por seu pai, e continuou se dedicando a música, o que causou um grande desconforto na família já que seu marido não aprovava o hobby. Isso e a paixão por outro homem a fizeram se rebelar e ir embora de casa para viver com João Batista de Carvalho. O escândalo fez com que Jacinto movesse um processo de divórcio contra Chiquinha por adultério e abandono de lar. Ela ficou mal falada na cidade e precisou recorrer a música como fonte de renda. Dedicou-se a compor e publicar obras. Era comum que as moças ricas musicistas publicassem seus trabalhos, mas jamais de modo que sobrepusesse seu dever de mãe ou esposa, porém Chiquinha fez disso o centro de sua vida. Foi a primeira mulher a compor uma marchinha de Carnaval, a famosa e mais emblemática: “ô abre alas que eu quero passar”, além de ter se tornado maestrina quando sequer havia o termo feminino para a função. Regeu grandes orquestras com foco em instrumentos pouco conhecidos. Abolicionista convicta, era militante contra a desigualdade social. Foi uma das artistas mais exploradas de sua época, por isso fundou em 1917, a primeira sociedade nacional protetora e arrecadadora de direitos autorais, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat). Foi uma das artistas mais proeminentes e celebradas do Brasil, mesmo em vida e seu nome tornou-se um símbolo da cultura brasileira também fora do país.

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Alice Ball 

Além de ter sido a primeira pessoa negra e a primeira mulher a se formar na Universidade do Havaí, desenvolveu o método mais eficaz de tratamento da hanseníase conhecida como lepra na época. No início do século XX a doença se espalhou rapidamente. De forma emergencial a polícia passou a isolar os pacientes e administrar o óleo de chaulmoogra, um remédio pouco eficaz e que provocava dores abdominais absurdas. Alice comovida com a situação, aos 23 anos criou um extrato de óleo injetável, quase indolor que além de combater mais rapidamente a lepra, não necessitava de isolamento e os pacientes podiam ficar perto de suas famílias. A “vacina” foi utilizada até 1940 quando os primeiros antibióticos começaram a surgir. Alice faleceu aos 24 anos de causa desconhecida e só recebeu reconhecimento por seu trabalho 90 anos depois de sua morte.

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