Feminista não é feminina?

Quem nunca ouviu falar do conto chamado “feminista não é feminina”? Será que é verdade?

Logo que comecei a me tornar feminista e a falar publicamente sobre isso, críticas chegaram. E para minha surpresa, a maior parte delas foi feminina (de amigas, mais precisamente).

“Jéssica você está ficando louca, vai parar de se arrumar, vai virar “sapatona”? Vai parar de se depilar, se desleixar? Porque isso? Tu não podes se traumatizar tanto por causa dos homens.”

Ok, vamos por partes. Vamos analisar!

“Primeiramente”, sou artista e faço engenharia ao mesmo tempo. Sempre vai ter alguém me achando louca por causa disso. Ou seja, não me importo se me chamam de louca. (Em outro momento falo sobre a injustiça de acharem que pintores são loucos ou vagabundos, desenhar e pintar são artes bem difíceis por sinal!) Outra coisa, essa história de chamar todas as mulheres que fogem da linha imposta pelo patriarcado de loucas só mostra alienação por parte da pessoa. Falta muita informação para quem chama uma feminista de louca só por lutar pelos seus direitos.

“Segundamente”, se eu quisesse parar de “me arrumar”, isso não seria sinal de loucura, somente estaria adotando um novo estilo. Tenho direito de me vestir e de me arrumar como eu quiser (quem me conhece sabe que nunca abandonei meus batons fortes por ideologia nenhuma). Também, a depilação é algo muito pessoal, cada uma sabe de si quanto a isso. Não é assunto para se ficar debatendo. (Aliás, existe um machismo bem grande através desses tabus de imagem, já pensaram sobre?)

“Terceiramente”, continuo sendo heterossexual, mas se eu tivesse atração por mulheres, qual o problema? Toda forma de amor vale a pena! Questionar sua forma de se relacionar sexualmente é puro preconceito.

“Quartamente”, se tornar feminista não significa se revoltar contra os homens somente por relacionamentos fracassados. Claro que eu, como a maior parte das mulheres, já sofri e muito com relacionamentos abusivos, mas se tornar feminista vai muito além disso.

Nós nos tornamos feministas quando nos tornamos empáticas a todas as mulheres que vemos sofrer. Nossas familiares, amigas, colegas de trabalho, as mulheres que não conhecemos e que vemos sendo mortas. Quando nos tornamos feministas, cada mulher que é morta, cada caso de relacionamento abusivo que ficamos sabendo, toca pesado no nosso coração. Nós começamos a enxergar todas as mulheres como irmãs. E sabe aquela história de “com família ninguém pode mexer??” É algo mais ou menos assim. O senso de coletividade começa se tornar mais forte.

Tornar-se feminista é lutar por direitos iguais, por respeito, por salários iguais, por liberdade.

Tornar-se feminista é entender que cada mulher pode se vestir, se relacionar, se depilar, o que for, da maneira que achar melhor e não se incomodar com isso. É se incomodar com o que interessa, com ver uma mulher sofrer, sendo desrespeitada, ganhando menos que o colega de trabalho, isso que deve incomodar.

Já pararam pra pensar que o salto alto, a maquiagem, a depilação perfeita, o se comportar de forma x, y ou z que agradam os homens são questões puramente culturais? Questões de imagem devem ser opções e não obrigações. Quem gosta da gente de verdade, fica perto independentemente de como aparentamos ou nos comportamos.

Outra acusação que vem no pacote é: “não vai mais aceitar cavalheirismo?”. Essa questão daria mais um texto a parte! “Cavalheirismo” é gentileza de homens com mulheres e gentis todos nós devemos ser! Devemos ser gentis com qualquer pessoa! Porque eu não poderia aceitar ajuda para carregar sacolas pesadas e porque eu não posso segurar a porta para um homem passar?

Acredito que as mudanças de comportamento que devemos nos preocupar são aquelas que visam nos tornamos um ser humano melhor. Ser feminista, não ser preconceituoso, fazer caridade, ser gentil, ser empático, são sugestões de comportamento que valem a pena por serem questões relevantes a toda a sociedade. O meu corte de cabelo ou minha roupa devem ser de interesse apenas meu, não da sociedade.

Esclarecimento adicional: feminismo não é o contrário de machismo. O machismo maltrata mulheres e o feminismo é a luta para não sermos maltratadas. Nós feministas não queremos que nenhum homem seja maltratado, queremos apenas respeito e igualdade.

O feminismo é a luta pela liberdade de sermos o que quisermos. Antes de acreditar cegamente em qualquer falácia contra o movimento, procure mais fontes, debata com suas amigas feministas sobre o assunto. Esteja sinceramente aberta a conversar e a entender os conceitos. Sempre questione e se questione. Temos que nos unir e não lutar uma contra as outras.

Artista, escritora, poetisa e estudante de engenharia química.

Dedico minha vida a estudar o máximo possível e compartilhar o que aprendo com quem estiver disposto a refletir comigo. A vida é muito bonita e, para quem está disposto a mudar o mundo, é mais linda ainda!

Não podemos deixar a beleza morrer! Através da arte, da ciência, da filosofia, eu luto para que a beleza continue viva!

 

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