Este convite para conversa sobre o Diu não tem a pretensão de substituir uma consulta a profissionais da área da saúde, até porque pedir indicações ou indicá-las é proibido! Não sou profissional de saúde, apenas criei o espaço deste texto como uma possibilidade de incentivar que mais mulheres busquem informações médicas sobre as possibilidades de utilização de métodos contraceptivos não hormonais, bem como incentivar o conhecimento, o autoconhecimento e não autodiagnostico e automedicação (deixemos isso para quem se formou para isso, certo!?).

Feita essa introdução, partimos do mais simples. O Dispositivo Intra Uterino (Diu) é direito da mulher, ofertado pelo Sistema Público de Saúde (Sus) e pode ser requerido via posto de saúde. O processo é simples e consiste em quatro etapas antes da realização do procedimento. A primeira de entrevista na consulta médica, a segunda de palestra e roda de conversa com os profissionais de saúde, a terceira exames e a quarta o próprio procedimento, que no meu caso foi muito tranquilo e contou com a presença de 07 estudantes de medicina, além do médico que explicava pacientemente todas as etapas do procedimento, que obedecem a Lei Nacional 9.263/1996 do Planejamento Familiar – minha principal fonte de consulta e amparo!

Muitas pessoas indagam sobre o fato de ser nulípara (mulher sem filhos) e colocar Diu. Recentemente o Ministério da Saúde ressignificou a sua compreensão da inserção do dispositivo, permitindo assim que as mulheres sem filhos também possam colocar Diu! Eu sou uma delas e percebi que muitos médicos ainda tem resistência em colocar Diu em nulíparas. Antes desta decisão li muito sobre o assunto e coloco aqui algumas referências sobre o tema. Creio que o que mais coloca em questão (no caso do Sus, o que faz com que os médicos tenham receio da colocação de Diu em mulheres sem filhos é o modelo, pois obviamente a média do comprimento da cavidade da mulher que já tem filhos é maior do que a das mulheres sem filhos, mas ambas são suficientes para os dius disponíveis no Brasil (mirena: 3,2 cm; t380a: 3,6 cm e multiload: 2,89 cm).

Falando sobre modelos, ressalto que o Diu que é oferecido pelo Governo Federal é o modelo T380A, o chamado diu de cobre (sem hormônio e fica no corpo +- até 10 anos). O mirena é o que tem hormônio (fica no corpo +- até 5 anos). Além desses existem outros tantos. Mas se for o caso, essa escolha precisa ser feita junto com a avaliação de exames e do acompanhamento de sua médica ou médico. E, se for o caso, realizar exames e avaliar qual melhor modelo para sua situação. Eu fiz pelo Sus e estava certa de minha escolha, como nunca fiz uso de pílula anticoncepcional, pois sempre soube dos efeitos negativos dos hormônios, estava certa de que a adoção do diu de cobre era uma opção boa para mim. Hoje combino a utilização do Diu com o Coletor Menstrual (este utilizo a três anos, querem saber sobre ele também?) e me sinto muito bem! Uma dupla divina – Sem dores, nunca tive cólicas.

Mas isso é algo muito particular e que precisa levar em consideração a particularidade da saúde de cada mulher. Além disso, é preciso reconhecer que muitas mulheres precisam de hormônio por questões de saúde, portanto, o primeiro passo é a consulta médica e o segundo é a confiança na ideia de que o melhor método é o que você se sente confortável, segura e bem assistida. Também é preciso lembrar que o Diu não nos previne de doenças, apenas impedem a gravidez! Portanto, a camisinha é sempre bem-vinda!

Assim, também é bom lembrar que é necessário estudarmos sobre os procedimentos que decidimos realizar em nosso corpo, isto envolve auto conhecimento e aprendizagens, contato e escuta da área clínica e nos deixa mais seguras em nossas decisões. Por não sermos da área, às vezes deixamos passar algo que é nosso por direito, por uma informação que recebemos errada.

No meu caso, se eu não tivesse ciência que nulíparas poderiam colocar o diu, desistiria na primeira entrevista ou consulta, pois mesmo que tivesse encontrado no caminho médic@s e enfermeir@s competentes, também encontrei profissionais que discordavam sobre a inserção do diu em nulíparas. Assim, o conhecimento me levou a buscar e ter acesso ao direito, garantido por lei. Lembrem-se sempre de que é direito da mulher ser assistida, informada e bem tratada! Não se furte em buscar ajuda se sentir lesada pelo comportamento desenvolvido nos ambientes de saúde.

Agradeço ainda o Grupo Diu de Cobre [Oficial] do Facebook, por me permitir ter acesso a vários conteúdos relativos ao tema, bem como às companheiras do grupo com as quais interajo.  Registro aqui um pouquinho do que li antes de decidir sobre o Diu:

Caderno de Atenção Básica
Conheça os métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS 1ª parte e 2ª parte 

Esclarecendo mitos sobre o DIU de cobre

Direitos sexuais, direitos reprodutivos e métodos anticoncepcionais, do Ministério da Saúde

Tem muita coisa ainda, precisando, entrem em contato. Vamos conversar?!

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