Relacionamento tóxico: o que é e como sair dele

Pessoas que sofreram grandes traumas na infância têm tendência a se atraírem por relacionamentos não saudáveis, em que sentimentos destrutivos são a base da relação. Relacionamentos destrutivos as trazem conforto, pois lembram a infância e a forma que aprenderam sobre como seria amar (ou seja, crescem não sabendo o real sentido de amar). Elas têm baixa autoestima e acreditam que merecem pouco, pois sempre foi isso que receberam de sua família: pouco amor, pouca atenção, pouca compreensão. Um relacionamento tóxico surge exatamente disso, de não saber a diferença entre o amor saudável e o amor doentio, que na verdade nem é amor (apenas desequilíbrio e medo de ficar só). Uma carência profunda sentida desde a infância que grita por qualquer migalha de atenção, mesmo que seja de péssima qualidade.

Famílias disfuncionais são as principais provedoras dos traumas vividos na infância e adolescência (fases em que estamos formando nossa personalidade, conceitos e atitudes). Então, traumas vividos nessa fase são destrutivos e impactam por toda a nossa vida se não os superarmos.

Que traumas podem ser esses? Pais e/ou mães alcóolatras, comedores compulsivos, viciados em drogas, violência dentro de casa, preconceitos, machismo, discussões familiares, traições, incesto, entre muitos outros.

Homens e mulheres podem ter o comportamento de se submeter a parceiros que os anulam sentimentalmente, mas, observamos que a maior parte dos casos de doenças mentais que surgem de relacionamentos tóxicos são em mulheres. Esse fato é histórico e social. A mulher é muito mais suscetível a humilhações e anulações de sua capacidade intelectual. Assim, ela não tem confiança em si própria e em suas próprias ideias, o que faz ficar presa em um relacionamento que só a faz mal.

A psicóloga americana Robin Norwood nos dá 10 passos para plena recuperação do vício de amar demais, como ela chama o amor doentio em relacionamentos tóxicos:

  1. Procurar ajuda: psicológica em livros, terapias e grupos de apoio. Procure também ajudada psiquiátrica se for necessário.
  2. Tornar sua própria recuperação a principal prioridade na vida.
  3. Encontrar um grupo de apoio de semelhantes que a compreendam: uma fonte para procurar grupos de apoio perto de você é o site “https://grupomadabrasil.com.br”. Os grupos do mada são baseados nas pesquisas e opiniões da psicóloga Robin Norwood.
  4. Desenvolver sua espiritualidade por meio da prática diária.
  5. Parar de dirigir e controlar os outros: quem sofre de baixa autoestima tem tendência a controlar as pessoas que convivem com ela para se sentir mais confiante. Pare com esse hábito, não leva a nada! A única pessoa que você tem poder de mudar é você mesma. As outras vão fazer o que tiverem vontade, não o que você manda. Lembre que a maior influência que você pode dar a alguém é através do seu exemplo.
  6. Aprender a não entrar em jogos: jogos são aquelas brigas tóxicas que acontecem nos relacionamentos. Brigas que envolvem o papel de vítima, acusador e consolador. Um pingue e pongue de acusações e desculpas.
  7. Enfrentar corajosamente seus próprios problemas e defeitos: você tem que corrigi-los para ser cada vez mais feliz e evoluir!
  8. Cultivar o que precisa ser desenvolvido em si mesma: principalmente seus gostos e interesses, além da reforma íntima. Muitas focam a vida somente no parceiro, abandonam amigos, família e hobbies. Retome tudo isso que é muito importante, fazendo sua reforma íntima ao mesmo tempo.
  9. Tornar-se “egoísta”: aprender a cuidar de si mesma. Entender que devemos amar a todos, mas principalmente a nós mesmos. Não ter atitudes autodestrutivas para apenas agradar aos outros.
  10. Partilhar com os outros o que você experimentou e aprendeu: fazer o que faço agora, falar para as pessoas como você se recuperou. ATENÇÃO: informar é diferente de aconselhar. Só informe, não aconselhe. Deixe que as pessoas usem seu livre arbítrio.

Durante a recuperação, a mulher passará por várias fases: desejar parar de se ajudar, reconhecimento de que precisa de ajuda, conseguir ir atrás de ajuda e, por fim, compromisso com a reabilitação. Ao fim desse processo, a sua autoestima volta a existir e ela se torna mais confiante e tolerante consigo mesma. Então, não desista na metade do caminho!!

Como me sentirei quando estiver equilibrada? Robin Norwood nos traz essas mudanças:

*Ela se aceita totalmente, mesmo quando deseja mudar partes de si mesma. Há uma autoestima e um autorrespeito básicos que ela nutre cuidadosamente e expande propositadamente.

*Aceita as pessoas como são sem tentar mudá-las para satisfazer as próprias necessidades.

*Está consciente de seus sentimentos e de suas atitudes em relação a todos os aspectos de sua vida, inclusive sua sexualidade.

*Cuida de todos os aspectos de si mesma: sua personalidade, sua aparência, suas crenças e seus valores, seu corpo, seus interesses e suas realizações. Valoriza-se, em vez de procurar um relacionamento para se sentir valorizada.

*Tem autoestima suficiente para apreciar a companhia de pessoas, especialmente do sexo masculino, que são boas exatamente como são. Não precisa se sentir necessária para sentir que tem valor.

*Permite-se ser aberta e confiante com pessoas adequadas. Não teme ser conhecida em um nível muito pessoal, mas também não se sujeita a ser explorada por aqueles que não estão interessados em seu bem-estar.

*Pergunta: “Este relacionamento é bom pra mim? Permite que eu me transforme em tudo que sou capaz de ser?”

*Quando um relacionamento é destrutivo, ela é capaz de rompê-lo sem experimentar uma depressão incapacitante. Tem um círculo de amizades que a apoiam e interesses saudáveis que a ajudam a superar crises.

*Valoriza acima de tudo sua própria serenidade. Todos os conflitos, o drama e o caos do passado perderam seu encanto. Ela protege a si mesma, sua saúde e seu bem-estar.

*Sabe que, para um relacionamento dar certo, os parceiros devem ter valores, interesses e objetivos semelhantes, e ser capazes de ter intimidade. Também sabe que merece o melhor que a vida tem a oferecer.

Mesmo após se sentir reequilibrada, dificuldades e vontade de voltar aos velhos hábitos podem surgir. Se manter serena é um grande desafio e devemos aceitá-lo, fazer nosso melhor por nós mesmas. Sempre que for necessário, recorra a uma psicóloga ou alguém que possa orientar corretamente e ajudar você a não cometer os mesmo erros, orientando.

É importante salientar que seguir esses passos não significa o término do relacionamento atual. Dependendo do nível de toxicidade, é possível que os dois se tratem e cheguem ao equilíbrio. Caso isso não seja possível, a outra pessoa da relação não queira também mudar por conta própria sua forma de se relacionar, a mulher, após curada da sua depressão, poderá avaliar a situação racionalmente e decidir se vale a pena ou não continuar.

Tudo tem limite. Devemos ajudar primeiramente a nós mesmos e, só após, tentar ajudar os outros. No entanto, se seu parceiro só quer te fazer sofrer e não te valoriza, erga a cabeça e siga em frente. Se seu parceiro é violento e não permitir que se afaste, recorra aos amigos, família e até mesmo à justiça se for necessário.

Se você está vivendo ou já viveu algum relacionamento tóxico, seja você homem ou mulher, guarde esse texto e use de base inicial para o início de sua recuperação. Não desista do tratamento e siga em frente até se sentir saudável. O maior ensinamento que o relacionamento tóxico nos traz é sobre valorizar seu amor próprio e de como é a maneira correta de ajudar as pessoas. Temos que viver acima de tudo para nós mesmos. Permita-se ser feliz; você não merece nada a menos do que a felicidade.

Texto baseado no livro “Mulheres que amam demais”, da escritora Robin Norwood.

Dedico minha vida a estudar o máximo possível e compartilhar o que aprendo com quem estiver disposto a refletir comigo. A vida é muito bonita e, para quem está disposto a mudar o mundo, é mais linda ainda!

 

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