Dia 4, em São Paulo, começa o FIM – Festival Internacional de Mulheres no Cinema

Com uma homenagem à grande atriz Zezé Motta e ao cinema como forma de luta, o festival fará uma mostra de 28 filmes nacionais e internacionais dirigidos apenas por mulheres e ainda contará com encontros e cursos

Recentemente, no programa do Luciano Huck, o ex-diretor do Atlético perdeu a chance de ganhar 1 milhão de reais em um jogo de perguntas e respostas por desconhecer o fato de que Anna Muylaert, Laís Bodanzky e Tata Amaral são talentosas profissionais da área do cinema.

Esse fato abriu o debate para o fato de que o cinema feito por mulheres não recebe o espaço merecido no Brasil. No país, apenas 17% dos filmes são dirigidos por mulheres. Em face da situação, surge o FIM, o Festival Internacional de Mulheres no Cinema, com o objetivo de dar visibilidade aos trabalhos incríveis que as mulheres que trabalham nessa área estão fazendo na nossa região e em outros países.

Do dia 4 até o dia 11 de julho, o CineSesc e o Espaço Itaú, na Rua Augusta, receberão filmes que mostram a persistência feminina e a sétima arte usada como luta.

A grande homenageada será a atriz Zezé Motta, com uma sessão especial do filme Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues, que a consagrou. O festival vem para mostrar o poder dessa talentosa atriz que inspirou uma geração de atrizes.

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Com organização da Casa Redonda e da Associação Cultural Kinoforum, o evento conta com o apoio da Avon, por meio da FAMA – Fundo Avon Mulheres do Audiovisual, e do Sesc São Paulo, por meio do grupo Mulheres do Audiovisual Brasil.

Minom Pinho, idealizadora do festival e diretora da Casa Redonda diz que que a sigla FIM tem um significado profundo: o início do FIM não é uma finalização, pelo contrário, é uma mensagem de que a luta para que as mulheres sejam vistas com respeito na área do audiovisual está só começando. A intenção é reunir a população, principalmente as mulheres, para conversar sobre o tema e ampliar as discussões sobre mulheres de diversas etnias, origens e visões, como afirma Zita Carvalhosa, correalizadora do FIM.

A curadoria também possui representatividade feminina com nomes como Beth Sá Freire, Juliana Vicente e Andrea Cals. O festival mostrará 28 filmes com a participação das mulheres na direção, por trás das câmeras e nas telonas. Além disso, haverá cursos e encontros.

Mostras competitivas

A mostra competitiva nacional contará com seis longa-metragens brasileiros lançados nos últimos 18 meses.

Baronesa – Juliana Antunes

Mistura de drama com documentário, o filme retrata a vida de duas mulheres em uma periferia de Belo Horizonte. Em meio à realidade da guerra do tráfico e das tragédias trazidas pela chuva, Andreia quer se mudar do bairro onde mora e Leid espera pelo marido que está preso.

É o primeiro longa-metragem da diretora e foi premiado no Festival Internacional de Cinema de Marseille, na França, e na Mostra de Tiradentes, aqui no Brasil.

Como é cruel viver assim – Julia Rezende

Com a única ficção na mostra competitiva nacional, a diretora de Um namorado para minha mulher, conta a história de um quarteto que, em face das dificuldades da classe média suburbana, decide que irá sequestrar um milionário. Todavia, eles não têm experiência alguma com o mundo do crime.

Desarquivando Alice Gonzaga – Betse de Paula

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Nesse documentário, a diretora de Vendo ou alugo, mostra Alice Gonzaga revisitando o cinema brasileiro através dos olhos da memória de seu pai, Adhemar Gonzaga, que fundou o primeiro estúdio de cinema no Brasil, em 1930. A história da família e da sétima arte brasileira se confundem e o espectador pode conhecer um pouco mais dessa mulher admirável que entrou em contato com o cinema desde pequena.

O chalé é uma ilha batida de vento e chuva – Letícia Simões

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Letícia Simões, que já havia feito um documentário sobre Ana Cristina Cesar, agora faz um sobre o escritor paranaense Dalcídio Jurandir, que, além de escritor, viajava de barco pelo rio Tapajós como inspetor de escola.

O desmonte do Monte – Sinai Sganzerla

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Em sua estreia na direção, a diretora faz um documentário sobre o Morro do Castelo, relevo do Rio de Janeiro, que foi destruído apesar de toda a sua importância história e arquitetônica.

SLAM: Voz de levante –  Tatiana Lohmann e Roberta Estrela D’Alva

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A dupla de cineastas, nesse documentário, faz um retrato dos campeonatos performáticos de slam, poesia falada e batalha de versos. A obra acompanha a poetisa negra e feminista Luz Ribeiro, cujo talento no slam a fez ser campeã nacional em 2016 e a levou à Copa do Mundo na modalidade em Paris.

A mostra competitiva internacional contará com seis filmes estrangeiros indicados pela curadoria. Todos foram feitos nos últimos 18 meses e são dirigidos por mulheres.

Jovem mulher – Léonor Serraille

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Premiado no Festival de Cannes em 2017, o filme conta a história de uma mulher que segue seu parceiro até Paris. Lá, após dez anos de relacionamento, ele termina com a moça. Mas como ela está em Paris, decide não mergulhar na melancolia e na nostalgia e decide aproveitar a cidade, o que acaba gerando uma jornada reflexiva sobre si mesma.

Esplendor – Naomi Kawase

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Esse longa-metragem japonês também foi premiado em Cannes em 2017 e apresenta ao espectador a história de Misako, uma moça que escreve versões de filmes para deficientes visuais. Durante a exibição de um dos filmes, ela conhece Nakamori, um fotógrafo que, paulatinamente, está perdendo a visão. Suas fotos fazem Misako se lembrar de seu passado e, a partir disso, eles começam a desenvolver um relacionamento.

Diário da minha cabeça – Ursula Meier

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Nesse filme, a diretora suíça conta a história de um garoto de 18 anos que mata seus pais friamente. Ninguém sabe o motivo pelo qual ele fez isso e, para intensificar a situação, poucos minutos antes dos assassinatos, ele enviou um diário ao seu professor de francês explicando e confessando o ato. A partir daí, as autoridades começam uma investigação e interrogam o professor, que se vê confrontado com suas próprias dúvidas.

Tesoros – María Novaro

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O filme mexicano mostra dois irmãos, Dylan e Andrea, que partem com outras crianças em uma viagem de exploração pela costa do Pacífico em busca de tesouros de piratas. Todavia, eles encontram mais do que isso. Tesoros retrata a importância de cuidar do meio-ambiente.

Colo – Teresa Villaverde

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A viagem pelo mundo do FIM vai para Portugal com um filme que retrata a vida de uma família e suas dificuldades com a crise econômica que assola seu país e o desemprego.

Vergel – Kris Niklison

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Essa co-produção da Argentina com o Brasil mostra que a rivalidade entre os dois países não tá com nada. Quando o cinema brasileiro e o argentino se unem o resultado é profundo e sensível: o filme conta a história de uma mulher brasileira que espera o corpo do marido ser liberado, após a sua morte. Eles passavam as férias na Argentina quando a tragédia aconteceu. A burocracia para a liberação do corpo é tanta que ela começa a perder o senso de tempo e realidade em meio à sua dor. A mulher está hospedada em um apartamento cheio de plantas, mas não consegue regá-las. A vizinha se oferecer para ajudar e, a partir daí, ela encontra alguém com quem compartilhar sua dor.

Ao final de cada mostra competitiva, o público poderá votar em seu filme favorito. Os dois filmes vencedores ganharão R$ 15 mil cada.

Mostras especiais

O programa Lute como uma mulher apresentará sete filmes com mulheres na produção que mostrem formas de luta e resiliência. Aqui, o cinema é mostrado como uma forma de resistência feminina.

Chega de fiu fiu – Amanda Kamanchek e Fernanda Frazão

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Esse documentário aborda a violência do assédio sexual em espaços urbanos. Ele acompanha o cotidiano de três mulheres andando por esses lugares com câmeras escondidas e o resultado é uma denúncia da violência de gênero.

Então morri – Bia Lessa e Dany Roland

O filme mostra a vida de uma mulher, desde seu nascimento até à sua morte. Todavia, sua vida se mistura com a imagem da vida de diversas outras pessoas de diferentes regiões do Brasil mostrando a universalidade das experiências e das emoções humanas.

O programa O fogo que não se apaga será uma homenagem às mulheres que dedicaram suas vidas ao cinema e que continuam criando obras de arte inspiradoras, afinal, o fogo realmente não se apaga.

Filmes de Helena Ignez, Paula Gaitán, Helena Solberg, Beth Formaggini e Lucia Murat serão apresentados.

Haverá uma sessão de Amor maldito, de 1984, dirigido por Adelia Sampaio. Ele foi o primeiro filme nacional a mostrar o relacionamento amoroso entre duas mulheres, as personagens Fernanda e Sueli, e a ter uma cineasta negra.

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Sessões especiais

A estreia do festival, dia 4 de julho, acontecerá no CineSesc, a partir das 20h. Zezé Motta estará presente como homenageada e convidada especial.

Após a cerimônia de abertura, haverá uma sessão especial do filme Que língua você fala? de Elisa Bracher, documentário que aborda a questão do imigrante e adaptação em face a uma nova língua.

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Zezé também estará presente na sessão especial de Xica da Silva, de Cacá Diegues, sucesso de público que levou 3 milhões de pessoas ao cinema em 1976. O filme será exibido no Espaço Itaú de Cinema – Augusta, no dia 5 de julho, quinta-feira, às 20h. Logo em seguida, a atriz Zezé Motta falará sobre protagonismo feminino no cinema e sobre seus 50 anos de carreira, cujo sucesso continua até hoje: Zezé está na segunda temporada da série 3% da Netflix.

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O tradicional bate-papo “Cinema da Vela”, do CineSesc convidou três diretoras presentes no FIM para falarem sobre suas experiências no audiovisual. Adelia Sampaio falará sobre Amor maldito, Roberta Estrela D’Alva percorrerá sua carreira na poesia, na TV e no cinema e Juliana Vicente falará sobre sua série Afronta e a TV Preta. A conversa acontecerá no dia 9 de julho, às 19h30, com mediação de Minom Pinho.

Dia 11 de julho, às 20h, ocorrerá a cerimônia de encerramento no CineSesc. Além das premiações das mostras competitivas, serão apresentadas as diretoras e os projetos escolhidos pelo FAMA – Fundo Avon de Mulheres no Audiovisual.

Para o encerramento, haverá uma sessão do filme Paraíso perdido de Monique Gardenberg. Ele foi o primeiro filme apoiado pela edição piloto do FAMA que ocorreu em 2017. O filme conta a história de uma família que tenta ser feliz em uma boate chamada Paraíso perdido. Lá, eles cantam músicas populares e românticas.

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Programas de formação

Realizado com apoio do CPF Sesc – Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo – e da Ancine, o festival trará cursos, encontros e masterclasses, com profissionais experientes, para o público feminino que se interessa em mergulhar no mundo do audiovisual. É a sua chance de tirar aquela ideia do papel e colocar em prática!

Masterclasses

5 de julho

Introdução ao documentário para cinema e Tv – Deborah Osborn

Duração: 3h

 

6 de julho

Respirando com a câmera – Heloisa Passos

Duração: 3h

 

10 de julho

Produção Executiva para cinema – Geórgia Costa Araújo

Duração: 3h

 

11 de julho

Distribuição cinematográfica: estratégias e resultados – Barbara Sturm

Duração: 3h

 

Os preços variam de R$ 4,50 a R$ 15. Mais informações: http://fimcine.com.br/br/conteudo/masterclasses

 

Cursos

6 e 7 de julho

Cinema Negro: ativismo e protagonismo feminino – Janaina Oliveira

Duração: 6h

 

10 e 11 de julho

A crítica de cinema e a diversidade do olhar – Flávia Guerra

Duração: 6h

 

5 e 12 de julho

A intervenção da mulher no documentário brasileiro – Daniela Capelato

Duração: 6h

 

Os preços variam de R$ 15 a R$ 50. Mais informações: http://fimcine.com.br/br/conteudo/cursos

 

Encontros

4 de julho, das 9h às 18h

II Seminário Internacional Mulheres do Audiovisual

Promovido pela Ancine e pelo Sesc São Paulo

Mais informações: http://fimcine.com.br/br/cont/532-2o.-seminario-internacional-mulheres-no-audiovisual

5 de julho

Conhecendo o financiamento público ao audiovisual

Promovido pela Ancine, com partipação de Carolina Brasil Romão e Silva, Renata Lucia de Toledo Pelizon, Fabiana Trindade Machado e Myriam Assis de Souza

 

FIM – FESTIVAL INTERNACIONAL DE MULHERES NO CINEMA

Quando: 04 a 11 de julho de 2018

Onde: Sessões no CineSesc (R. Augusta, 2075) e Espaço Itaú de Cinema – Augusta (Rua Augusta, 1475) e programa formativo no CPF – Sesc (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar)

Realização: Casa Redonda e Associação Cultural Kinoforum

Patrocínio: Avon | FAMA – Fundo Avon Mulheres do Audiovisual

Apoio: Sesc São Paulo e grupo Mulheres do Audiovisual Brasil

Informações: www.fimcine.com.br | facebook.com/fimcine

Ingressos:

Espaço Itaú de Cinema – Augusta: R$ 20,00 e 10,00 todos os dias

CineSesc: R$ 20,00 e R$ 10,00 (sexta, sábado, domingo e feriado – segunda, 9/julho); R$ 17,00 e R$ 8,50 na quinta e terça; R$ 12,00 / R$ 6,00 na quarta.

As cerimônias de abertura e encerramento têm entrada gratuita, com retirada de ingresso na bilheteria do CineSesc a partir das 19h.

O bate-papo “Cinema da Vela” é gratuito e não requer ingresso.

 

Feminista, escritora, graduanda em Estudos Literários e taurina com ascendente em Peixes e lua em Aquário.

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