Somos programadas para dizer sempre sim. Para perseguir o ideal de mulher perfeita que sempre precisa estar disponível para os outros se colocando em último lugar. Nos ensinaram que a felicidade se encontra no quanto estamos dispostas a nos doar para as outras pessoas, especialmente homens, nos desdobrando para preencher as lacunas deles: emocionais, sexuais e psicológicas, para que eles não precisem “procurar na rua”. Não é surpresa ver tantas mulheres com a autoestima completamente destruída por nunca se considerarem boas o bastante, afinal elas “sempre se doaram tanto e sempre receberam tão pouco de volta”.

“Será que o problema é comigo”?

Talvez sim, mas apenas pela sua dificuldade em utilizar uma palavra muito simples, e que faz toda a diferença: NÃO.

Com o feminismo ganhando visibilidade, as vertentes se sudvidindo e a maior fonte de informação de massa tendo se tornado o feminismo midiático, empurraram uma nova forma de nos colocar em caixas: “mulheres empoderadas topam qualquer parada, sexo, nudes, relacionamentos abertos ou poligâmicos, e etc.

Esse texto está longe de ser uma tentativa distorcida de ditar regras conservadoras disfarçadas de feminismo. Continuamos lutando para que as mulheres sejam tratadas com dignidade independente de suas roupas ou atividades sexuais, mas o que pouca gente conta para quem está começando a se alinhar com o feminismo, é da importância de ter responsabilidade sobre o próprio corpo e respeitá-lo. E não estou falando de cobri-lo como dizem para você cobrir, ou de não fazer sexo com quem você estiver a fim por medo do que possam pensar, estou falando sobre não cair no papo de que você precisa sempre ceder caso contrário não é m
“moderna” ou “empoderada o bastante”.

Você não é uma farsa por não exibir o seu corpo, por não falar publicamente sobre a sua sexualidade ou por não topar sexo casual. Feminismo é sobre se conhecer, conhecer o seu corpo, sobre descobrir a melhor forma de se sentir confortável com ele, a melhor forma de satisfazê-lo, a melhor forma de passar a amá-lo e olhá-lo com admiração e afeto e tudo isso demanda tempo.

É possível que algumas correntes mais liberais façam você acreditar que exibir o seu corpo publicamente é a melhor forma de empoderamento, mas fazer isso por aprovação seja de outras mulheres feministas, ou para mostrar algo para os outros, só muda a forma como a opressão se desenrola, porque de um jeito ou de outro você estará se distanciando de se conhecer e mais uma vez cedendo à pressões.

O amadurecimento de se conhecer e se respeitar tanto a ponto de não pensar duas vezes em dizer não para um homem ou para a sociedade no geral, é um processo longo e doloroso para a maioria das mulheres, mesmo quando superamos a pressão social da estética, profissional, familiar, dos amigos, no fim ainda continuamos por mais um perídodo presas a romantização do sacrifcio pessoal em nome do amor, nos arrependendo das decisões erradas, e nos matando dando 150% para que uma relação dê certo e a gente possa compensar “as cagadas”.

Não é fácil.

Olhar para dentro analisando todas as vezes em que a gente disse sim querendo dizer não e tentando entender como podemos melhorar aquilo e de onde tirar forças para começar a fazer somente o que nós queremos, machuca. E mesmo nos entendendo conosco mesmas, ainda sim fatores externos terão poder sobre nós enquanto mulheres, principalmente a mídia.

A verdade é que não será a nossa geração e muito possivelmente nem a próxima que irá atingir um nível de autoconhecimento e de empoderamento pessoal e social para dizer com toda propriedade “meu corpo, minhas regras”. Por muito tempo nossas decisões sobre nosso corpo ainda serão guiadas por N fatores alheios à nossa vontade, mas a consciência de que não existe uma fórmula, é um bom começo.

Empoderamento é fazer o máximo possível para além de lutar por respeito e equidade de direitos, saber reconhecer a hora em que seu corpo e sua mente dizem não e conseguir transformar isso em palavra dita, mesmo que seja para o cara que você mais ama, que você quer mais impressionar, ou seu amigo para quem você acha que deve favores.

Quando perder a virgindade, transar ou não no primeiro encontro, esperar ou não até o casamento, postar ou não uma foto sensual, começar ou não um relacionamento aberto são escolhas e não tem certo ou errado, tem apenas o caminho que vai te magoar ou o que vai te deixar confortável com a sua decisão, e é nisso o que você precisa pensar antes de tudo.

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imagem: reprodução do pinterest

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