Slam: Voz de Levante (2018) e a poesia de resistência feita por mulheres

Difícil foi segurar as lágrimas ao assistir Slam: Voz de Levante. O documentário, que ganhou o prêmio de Melhor Documentário e Prêmio do Júri no Festival do Rio e, recentemente, ganhou o prêmio da mostra nacional no FIM – Festival Internacional de Mulheres, aborda a jornada do slam, poesia falada e performada em competições, enquanto poesia marginal, no Brasil.

A presença das mulheres negras como poetisas, slammers e feministas é forte. Difícil não se emocionar e não se identificar com as palavras declamadas por cada uma.

O filme é dirigido por duas mulheres incríveis. Tatiana Lohmann é cineasta, roteirista, montadora e produtora. Roberta Estrela D’Alva é atriz-MC, diretora, diretora musical, ativista, pesquisadora, apresentadora e slammer.

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Por meio do olhar certeiro de Tatiana, começamos o filme com a jornada de Roberta na Copa do Mundo do slam em Paris. Ela é a única mulher. Suas palavras tornam-se resistência e luta. Ela fala sobre machismo, ela fala sobre a mulher.

O documentário mostra uma visão geral do que é a arte do slam, que,esse ano, faz 10 anos que chegou ao Brasil. Filho da cultura hip-hop, há uma grande importância no momento da performance na hora de declamar o poema. Os slammers só têm três minutos. Várias cenas mostram slammers, em praças públicas, cercados por pessoas. Todos param para ouvir poesia. Segundo Roberta, o slam reforça a ocupação do espaço público.

Após uma das sessões do filme no FIM – Festival Internacional de Mulheres, que ocorreu em São Paulo, Tatiana e Roberta estiveram presentes para uma série de perguntas. Roberta enfatiza a função do evento de poesia tem como uma espécie de retorno aos costumes antigos do ser humano de sentar ao redor de uma fogueira para ouvir uma história. É o retorno ao tribal, à oralidade. O slam torna-se transcendental. É assim que o espectador se sente ouvindo um poeta atrás do outro. Às vezes, uma poesia desperta sorrisos. Às vezes, lágrimas. Mexendo com as emoções intensas. Uma poesia nunca passa com indiferença.

O slam é poesia marginal, é transgressão, ruptura com a tradição. É por isso que as mulheres são tão importantes no movimento. Todas as mulheres apresentadas no filme são negras, periféricas e usam a poesia como luta, para denunciar a sociedade patriarcal.

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Luz Ribeiro, outra slammer feminista, também chega à Copa do Mundo do slam em Paris. Mais uma vez, como aconteceu com Roberta, está rodeada de homens e usa a força da sua palavra pra emocionar. É empoderamento. É representatividade. Luz fala sobre como é importante ser ouvida, mesmo que seja nos três minutos de performance na competição.

Mesmo com as dificuldades, as mulheres persistem. Tatiana e Roberta disseram que filmaram por seis anos antes de ganhar qualquer tipo de patrocínio ou ajuda financeira para o filme. O documentário estreia nos cinemas semestre que vem. Quem for assistir poderá ter a chance de ver como o slam agrega a população idosa, a comunidade LGBT e a comunidade surda.

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Assistir à Slam: Voz de Levante é ter esperanças de que nossa palavra será ouvida e de que nossa poesia será celebrada.

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Feminista, escritora, graduanda em Estudos Literários e taurina com ascendente em Peixes e lua em Aquário.

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