“29 de Agosto O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica é dia de resistência. Data marcada pela triste memória de uma violência sofrida por mulheres lésbicas em São Paulo, posteriormente, pela homenagem a uma lutadora chamada: Rosely Roth. O dia que eu passei, eu deixei de ser invisível foi o dia em que abracei o amor de uma mulher. Não se nasce mulher, torna-se, não se torna lésbica, constrói se, na negação do que nos é imposto como uma fase ou passagem ou mesmo quando nos questionam a feminilidade por não gostarmos do homem masculinizado e pensado somente a partir do falo.
Ser lésbica negra é a dupla negação é estar em espaços que não lhe são pensados como mulher, sobretudo como mulher lésbica e como mulher negra.

A trajetória das mulheres lésbicas que conheço são repletas de sucessos, e fracassos, somos mães, esposas, trabalhadoras e, sobretudo, somos parte de uma resistência que nos liga a todos os movimentos de mulheres, somos assoladas pela violência.
Nesse dia de ser visível chamo atenção para a existência de poucas pesquisas e métodos preservativos entre o sexo entre mulheres. Chamo atenção pelo número expressivo de estupros corretivos (aqueles onde se acredita que a mulher deixará de ser lésbica pela ato criminoso sexual). Violências físicas diversas, afinal, há quem acredite que por amar mulheres queremos ser tal como ou ser de fato homens, isso não é um fato.
Nossas infâncias e adolescências somos assombradas pela heteronormatividade e, sobretudo, com a representação que não há amor fora da matriz (masculino/feminino).
Torna-se um ato político reivindicar a identidade de mulher lésbica nos espaços de disputa e poder na atualidade. Ainda porque a resistência é necessária.
Nosso país é embebido em ódio e violência contra gays, travestis, transexuais, negras e negros, pobres, indígenas, quilombolas. Um ato de resistência é descontruir a partir da vivência pessoal viver o político.

Temos que pensar numa visibilidade cotidiana, pois nossas resistências são. Temos que pautar a violência como sistema amplo de dominação patriarcal, para assim, pensarmos em nosso bem viver.
“Nós mulheres negras precisamos nos apresentar com nome e sobrenome para que ninguém se aproprie de nossos destinos e da nossa existência”.
Vilma Reis e Lélia Gonzales evocadas por Charlene Borges – na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, ajuizada no STF pelo PSol e pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos Gênero (Anis). Segunda-feira, Brasília. Integrante do Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União.

Sou Franciele Monique Scopetc dos Santos, mulher, lésbica, negra, professora, filha, irmã, amiga, invisível na maior parte do tempo, porém hoje gritando sua resistência!”

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