Bebês que nascem com vagina são pré destinadas a usar rendas e laços antes mesmo de conseguirem engatinhar. São colocado sapatos delicados e saias rodadas. Antes mesmo de sair da maternidade, suas orelhas são furadas pra dar lugar a um pequeno brilho que identifique que dentro da fralda esconde-se uma vagina e não um pênis.

Quando crianças, ganham ursinhos de pelúcia, bonecas delicadas e loucinhas rosas pra brincar de ser frágil, sensível e ter habilidades domésticas. Ouvem que devem sentar de perna fechada, que devem ser simpáticas com todos e evitar falar alto. É muito cedo que crianças com vagina são ensinadas que devem agir diferente do que crianças com pênis.

Na adolescência, antes mesmo de nascer os pelos, quem tem vagina sabe muito bem que deve aparar, arrancar, esconder cada um que insiste em surgir. Também tem que esconder os peitos. E as pernas. E a barriga. O cabelo e a pele devem estar brilhando, nada menos que isso. Também é bom ter uma cor nas unhas, nos olhos e nos lábios, mas nada muito forte, pra não chamar atenção demais dos que tem pênis.

No auge da juventude, as da turma das vaginas, sabe muito bem o que é ser julgada por ser magra demais, gorda demais, alegre demais, fria demais e ainda assim sofrer assédios e abusos todos os dias pelos da turma dos pênis.

Na vida adulta, quem tem vagina precisa ser doce, bela, ter jeito com crianças e saber lavar, passar e cozinhar justamente para fazer par com quem tem pênis. Quem tem vagina precisa mostrar pra sociedade que sabe como sobreviver nessa cultura divida pelo o que as pessoas tem no meio das pernas.

Apesar de as pessoas que tem vagina serem submetidas a comportamentos pré determinados desde o nascimento, elas ainda são mal vistas quando apresentam tristeza ou depressão. Pior ainda quando se manifestam contrárias a todos os sofrimentos que passaram e passam simplesmente por nascerem com vagina.

Sim! As pessoas que nascem com pênis também são direcionados a certos comportamentos, porém, não vivem diariamente o medo de ser oprimido, violentado ou morto por ter uma vagina.

Não é por menos que o número de depressivos cresceu mais de 18% em dez anos. O suicídio passou a ficar entre as 20 principais causas de mortes do mundo. Dentro dessa realidade global, o Brasil se destaca por ser o país da América Latina com o maior percentual de depressivos.

E será porque essa doença tem sido avaliada, em muitos estudos epidemiológicos, como sendo aproximadamente duas vezes mais prevalente em mulheres que em homens?

A questão fica no ar pra gerar reflexão sobre o assunto. O que não gera dúvidas, é que a forma como se vive hoje, a forma como as crianças são criadas, essa divisão baseada entre ter vagina e ter pênis está matando cada dia mais pessoas.

Referências:

http://www.scielo.br/pdf/rpc/v33n2/a07v33n2.pdf

http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/at-revista/brasil-tem-o-maior-numero-de-casos-de-depressao-da-america-latina/?cHash=1a14d366c4460d46da7ca28c7998af81

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