Para começarmos a entender o que a oferta de vagas para crianças de zero a seis anos tem a ver com o feminismo. Vamos lá?!

1 – A obrigatoriedade da oferta da Educação Infantil em rede pública é fato (Vide a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e Bases e as Diretrizes da Educação Básica). De acordo com o PNE, a oferta precisava atender até 2016, 50% das vagas para crianças de zero a três anos e atender todas as crianças de quatro a cinco anos. Vimos a corrida das redes em cumprir esta meta e também vimos o fechamento de várias turmas de zero a três, para atender o quatro e cinco anos. E assim, não se abriram vagas novas. E quem paga o preço? Crianças que são impedidas de usufruir o direito de acesso à educação e mães (que com este direito negado, tem suas vidas profissionais mais complicadas, por vezes, implicando em escolher entre a profissão ou a casa).

2 – A luta em prol da emancipação feminina, também implica considerar a oferta de vagas, junto ao reconhecimento do direito da criança, se constitui como uma estratégia de fortalecer a inserção das mulheres no mercado de trabalho, haja vista que muitas de nós, se não tivéssemos a instituição de educação infantil não teríamos como trabalho, ou, pagaríamos alguém para ficar com as crianças, deixávamos em lugares alternativos, família, etc. Assim, lutar pelo atendimento das crianças em instituições públicas de educação infantil, também é uma pauta feminista.

3 – A luta pela expansão da educação infantil, não pode estar dissociada da luta por melhores condições de trabalho, remuneração, jornada, cargos e salários dos professores. Mais do que nunca é uma ação atual e necessária, que infelizmente, tem colocado o professor como alvo de guerra, haja vista os corpos ensanguentados nas notícias de jornal. Que bom que essas não ficam de fora, afinal, tem sangue né!? Dá ibope!

4 – A resistência existe, é possível mudar o quadro e podemos conferir observando com os eventos das Conferências Municipais Populares de Educação e a Conferência Nacional Popular de Educação (realizada em Belo Horizonte em 24 a 26 de maio). Na constituição e desenvolvimento das Conferências se organizam os Fóruns Populares de Educação, que tem como objetivo o acompanhamento do Plano Nacional de Educação.

5 – O dinheiro destinado à compra de pacotes prontos, que no montante geral, possibilitaria a construção de muitas creches. Além disso, o financiamento é o principal aliado nisso, cito em especial, o respeito ao Custo Aluno Qualidade Inicial (Caqui), que é o valor destinado, por aluno, a cada instituição pública.

6 – A escuta dos profissionais da educação como elemento primordial no desenvolvimento das ações na educação infantil.

7 – A demanda em constante expansão na educação infantil, especialmente em bairros de classe popular. Na maioria das vezes os bairros que mais precisam de vagas estão situados em locais que não tem centro municipal de educação infantil, ou o que tem não comporta a quantidade de crianças do bairro.

8 – Não basta abrir vagas, lutamos pela expansão da educação infantil com qualidade, os documentos do Ministério da Educação são exemplo desta busca.

9 – Para quem quer aprofundar no assunto, recomendo estes artigos #artigo1 #artigo2 #artigo3, estes livros divinos, que constam referências do campo da Educação Infantil #livrocrecheefeminismo #livroporqueacrecheéumalutadasmulheres este último lançado neste mês.

Assim, em meio a tantas conquistas e ameaças aos nossos direitos, precisamos discutir sobre os rumos da democracia, pautando sempre o reconhecimento dos direitos das crianças pequenas!

 

IMAGEM: Google – desconhecemos autoria.

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