Não tivemos medo em 1968. Não tivemos medo em 2018. Não teremos medo.

Sabemos que medo não nos é possível ter porque nossa histórias mostra que nossos direitos são sempre questionados, porque nossas conquistas são diminuídas, nossas mortes são relevadas e nossos sacrifícios chamados de “extremismo”. Não temos medo. Pois quando um homem paira sobre uma bancada e idolatra um torturador, quando esse homem faz alusão à escravidão e trata negros e indígenas como sub raças, quando esse homem brada que a maioria é que vai vencer, nós é que somos chamadas de radicais, de apelidos com apologia ao nazismo.

Como incomoda, não é? Quando fazemos de nossos corpos resistência, quando resignificamos um corpo que é colocado como público, quando escolhemos renascer, quando negamos quaisquer violação corporal e social pelo nosso sexo.
Perigoso é ouvir e ver um homem expressar seus ideais fascistas, que simpatizam com o nazismo e dialogam com a segregação racial, mas apoiá-lo. Mais hostil ainda, é acusar mulheres que se levantam por todas nós, pela democracia.

Pois nós somos as que sabemos andar com medo. O medo na rua. O medo dentro de um casamento. O medo dentro de casa. O medo em qualquer lugar, pois nosso corpo não é nosso. Nosso corpo tem outra serventia, não nos pertence, é para repressão, para o abuso, para a reafirmação do poder. Poder esse que este mesmo homem dissemina. Ódio. Autoritarismo. Dominação.
E nos colocamos contra. Não seremos dominadas, não aceitaremos nem um direito a menos e nem uma morte a mais.

É por todas nós, e também pelas que não estão mais aqui. Pelas que vieram antes, pelas que morreram.
Somos milhões de Marielles.
Nós, sim!

 

Desconhecemos autoria das imagens (imagem google).

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