O dia 20 de novembro de 1695 ficou marcado pelo assassinato de Zumbi dos Palmares, um dos líderes do maior quilombo da história brasileira. O quilombo tinha cerca de 20 mil negros e negras que resistiram e lutaram por mais de 100 anos contra a escravidão. Porém, apenas em 2003 a data passou a ser comemorada no calendário escolar e somente em 2011, com a lei 12.519, foi instituído oficialmente o dia da Consciência Negra.

No entanto, alguns estados brasileiros ainda não aderem ao feriado do dia 20 de novembro:

  • Pará;
  • Pernambuco;
  • Piauí;
  • Rio Grande do Norte;
  • Rio Grande do Sul;
  • Rondônia;
  • Roraima;

O que poucas pessoas sabem é que, apesar da história destacar homens como símbolo da luta pela liberdade, muitas mulheres negras estiveram lutando igualmente contra o regime escravocrata ao longo da nossa história e uma delas foi a própria esposa do Zumbi, chamada Dandara dos Palmares.

Dandara não se encaixava aos padrões de gênero de sua época – que ainda hoje nos são impostos – e lutou por muitos anos no quilombo dos Palmares, que era localizado no território de Pernambuco (atualmente estado de Alagoas), para que negros e negras pudessem ser livres. Ela suicidou-se ao ser capturada, pois preferiu a morte ao retorno à escravidão.

Já Esperança Garcia, foi a primeira mulher escrava a escrever uma petição no Piauí ao governador, em 1770, denunciando os maus-tratos que sofria numa fazenda. No entanto, era proibido por lei que o escravo tivesse acesso à leitura e escrita e ela sabia que estaria arriscando sua vida. O governador ignorou sua petição e ela então fugiu do local onde sofria maus tratos. Sua petição é conhecida nos dias de hoje e Esperança Garcia foi homenageada e reconhecida como primeira advogada do Piauí, pela OAB-PI.

Tereza de Benguela foi esposa de José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho, no Mato Grosso. Com a morte do seu marido, Tereza se tornou a líder do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por 20 anos. Não há registros de sua morte, mas cogita-se suicídio após captura, em 1770. O dia 25 de julho é oficialmente no Brasil o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data comemorativa foi instituída pela Lei nº 12.987/2014. Ela também foi homenageada nos versos da escola de samba Unidos do Viradouro, com o enredo da agremiação de 1994, intitulado ‘Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal’.

Maria Felipa de Oliveira nasceu escrava e conseguiu a liberdade posteriormente. Lutou em Salvador contra a dominação portuguesa, responsável pela escravização do povo africano e conquistou a vitória contra os portugueses em 2 de julho de 1823.

Maria Firmina dos Reis foi uma professora negra. Em 1847, ao ser aprovada no concurso para professora, recusou-se a andar em um palanque desfilando pela cidade de São Luís nas costas de escravos – o que era costume na época. “Na ocasião, Firmina teria afirmado que escravos não eram bichos para levar pessoas montadas neles”. Em seu primeiro livro, com o título de ‘Úrsula’, Firmina fez questão de mostrar a crueldade de Fernando, senhor de escravos e vilão da história. O livro foi o primeiro romance escrito por uma mulher negra no país. Ela também publicou outros livros posteriormente enfatizando o racismo e segregação da época e

Além das mulheres citadas, muitas outras tiveram grande importância para a libertação dos escravos e têm até hoje, lutando por igualdade, respeito e sobrevivência.

A mulher sempre esteve presente nas histórias e nas lutas, mas a nossa sociedade faz questão de contar a parte de bravura dos homens. Quando a história traz a luta de um povo que foi escravizado e que, até os dias de hoje, têm condições diferentes de oportunidades. A história do negro tem muita riqueza, mas é tratada com pouco significado e alguns pesquisadores afirmam que o intuito é esse mesmo. É esse fato que faz com que o povo continue sendo marionete e repetindo o discurso que desejam que repitam, como:

“Por que existe o dia da Consciência Negra e não existe o dia da Consciência Branca?”

“Eu sofro racismo reverso!”

“Para que cota racial se somos todos iguais perante a lei? Isso é desigual!”

“Eu sou privilegiado por que nasci branco? Eu tenho familiares e amigos negros, não sou racista.”

Para refletir

Dados extraídos do IBGE – A chance de um negro ser analfabeto é de cinco vezes maior que um branco. O negro representa 68% dos analfabetos do país. Somente uma pessoa a cada quatro, com ensino superior, é negra. A cada doze minutos, uma pessoa negra é assassinada no Brasil. 75% da população carcerária no Brasil é de pessoas negras.

Texto sugerido – Como é ser mulher negra na sociedade atual, http://www.todasfridas.com.br/2017/04/16/como-e-ser-mulher-negra-na-sociedade-atual/

 

Autoria das imagens desconhecidas – reprodução da internet.

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