Fim de ano chegando, tempo de analisar como estamos cuidando da nossa saúde. Sempre é momento de avaliar nossas aprendizagens e planejar as ações futuras. Tempo de revigorar o espírito, cuidar do corpo, da mente e, principalmente, fazer o balanço de como estamos, observar o equilíbrio entre nossos sentimentos, nossa cabeça, nosso corpo e nosso coração.

Claro que é importante não olhar nosso corpo de forma fragmentada, por isso mesmo, analisar cada dimensão dele se torna uma forma de prezar pela qualidade do todo.

Nesse sentido, rever nossas atitudes, preconceitos, cultura e a forma como isso tem influenciado as nossas decisões sobre nossos corpos se torna pertinente. Se o título te chamou a atenção, convidamos à reflexão sobre o motivo de não gostarmos ou de nunca termos cogitado a possibilidade de agendar uma consulta ao ginecologista. Existem muitos mitos sobre o exame ginecológico, não podemos ficar refém deles. Veja aqui alguns deles:

Assim, considerando o título deste texto, indagamos se já fizemos nosso preventivo este ano. Isso mesmo, aquele que agendamos com uma ginecologista e que nos permite verificar como anda nossa saúde feminina, nos precavendo especialmente sobre o #câncer!

O exame ginecológico, chamado de preventivo, exame citológico, exame colpocitológico ou citologia oncótica, tem como objetivo, “Além de sua importância epidemiológica na prevenção do câncer, as ações em programas de planejamento familiar, pré-natal, atendimento a patologias obstétricas e controle de doenças sexualmente transmissíveis.” (CARVALHO; FUREGATO, 2001). Detalhes sobre como é um exame preventivo você pode encontrar aqui 

Vivemos em uma era em que o câncer está comum (seja pela forma como temos organizado nossa alimentação, seja pelo uso de substâncias nocivas ou pelo rumo que o mundo está tomando mesmo). Portanto, precisamos estar atentas a qualquer sinal do nosso corpo. Percebeu um cisto? Não é normal! Sangrou depois da menopausa? Não é normal! Sentiu caroço em alguma parte do corpo? Não é normal!

Além disso, vários fatores interferem na forma como as mulheres significam a #prevenção docâncerdocolodeútero, citamos, por exemplo, os valores da sociedade, cultura e família, os sentidos que a sociedade circula sobre o câncer ou outra patologia, o medo de encarar a possível doença, entre outros.

Portanto, sempre precisamos buscar verificar sobre os sintomas com uma médica ou médico. Se homem ou mulher? Importa que nos trate com respeito, ética e profissionalismo, tire nossas dúvidas (das mais bestas às mais complexas), nos conscientize da importância que é cuidar do nosso corpo, nos conhecer, nos tocar! E, principalmente, que dê espaço para o diálogo, para indagações,dando oportunidade para que sejamos o centro de todas as ações que implicam na nossa saúde (leia mais sobre isso aqui)

Nenhuma pesquisa feita na internet vale a dor de viver uma doença porque não prestamos atenção e não valorizamos os detalhes e sinais que o nosso corpo dá. Alguns destes sintomas, somente podem ser vistos por exames laboratoriais. Daí a importância de nos consultarmos. Seja qual for a dúvida, temos muitos especialistas a postos para acolher nossas angústias, medos, questões… O sistema público de saúde, por exemplo, tem seus próprios ginecologistas, basta ir ao postinho do bairro. Ah, mas fulana/o conhece todo mundo do postinho! Procure uma indicação na faculdade, colégio, trabalho (às vezes as empresas têm seus próprios profissionais).

Seja por conta da dúvida sobre pílula, diu, hormônios… não deixe de procurar ajuda! Por tempos, nós mulheres passamos por momentos em que a consulta ginecológica era tratada como algo vergonhoso. As mulheres ressabiadas por serem tocadas, por já terem iniciado a vida sexual (seja com masturbação ou parceiro), por precisarem ficar de pernas abertas, por terem vergonha do corpo, entre outros fatores, abdicam de agendar consultas (ou quando agendam, desmarcam) porque não se sentem à vontade para fazê-lo.

Convenhamos: em uma sociedade que prega o tempo todo nosso corpo como um tabu, há de ter muita vergonha mesmo! Porém, seria uma crueldade deixarmos de cuidar da gente porque arrastamos tamanha cultura machista e patriarcal. Estamos do mesmo lado!

Mas, consulta ginecológica não é o fim do mundo. Ginecologistas estão acostumados a verem diferentes tipos de corpos, em especial, de vaginas! Não se preocupe, a sua será só mais uma. Consulta ginecológica passa rápido, é geralmente indolor e nem sempre precisa tirar a roupa e/ou realizar o exame . Às vezes é mais para conversar mesmo!

Se homem ou mulher, que a ginecologia possa fazer morada em nossas vidas. Que possa ser parceira da mulher, respeitando suas escolhas, seus limites, seus preconceitos e desafios. Que possa lidar com respeito, entendendo a dificuldade que é, para algumas mulheres a exposição de seu corpo. Que possamos vencer a etapa dos preconceitos e assumir a bandeira de respeito ao corpo feminino, lembrando que o cuidado de si/de nós é um nobre ato de carinho.

Lembramos que a saúde da mulher exige especificidade, são muitos os intervenientes pelos quais passamos. Cuidamos da saúde da família inteira, monitoramos a alimentação de um batalhão, damos conta do mundo, que não é incomum esquecermos da gente. E se incomum, não pode se tornar algo natural. Deixar de cuidar da gente não é normal!

E já que estamos com um tom de cuidado, vale lembrar de tantos outros preventivos que precisamos passar na vida. Nos precavendo do que é #tóxico, dos #relacionamentos abusivos, do que causa micro câncer em nossas vidas, reduzindo nossa alegria e contaminando nossa auto-estima, contribuindo para que esqueçamos de nós mesmas, de nossa saúde, auto-estima, de nós! A quem leu o texto até aqui, fica o pedido para que possamos observar como temos cuidado de nossa saúde. São tantas as campanhas de prevenção, que às vezes passam invisibilizadas aos nossos olhos atarefados.

2018 foi um ano difícil, de muita luta política, de muita disputa ideológica. 2019 também promete! Portanto, cuidar da gente é o maior ato de amor e cuidado com o mundo, numa perspectiva de que, se desejamos um mundo melhor é fundamental que comecemos por nós mesmas. Afinal, #somosnóspornós! Que venha dezembro!

Referências:
CARVALHO, M. L. O.; FUREGATO, A. R. F. – Exame ginecológico na perspectiva das usuárias de um serviço de saúde. Revista Eletrônica de Enfermagem (online), Goiânia, v.3, n.1, jan-jun. 2001. Disponível: . Acesso em: 21 de nov. 2018.

Imagem reprodução da internet – desconhecemos autoria

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