Primeiramente julgo importante falar sobre o que são migalhas afetivas, tão citadas atualmente. Migalhas de amor, são por exemplo aquele “oi sumida” de madrugada, aquela pessoa que só fala conosco quando está bêbada, aquele “a gente marca” que nunca acontece, aquela pessoa que só nos quer do seu lado nos momentos de carência, quando termina o namoro, quando está entediado e quer companhia, ou quando quer transar.

Aquele relacionamento amoroso no qual somente nós oferecemos carinho, atenção, fazemos concessões e nos preocupamos. No qual não entramos na lista de prioridades do parceiro.

É preciso ter muito cuidado!

Muitas vezes, por gostar de uma pessoa nós aceitamos muito menos do que merecemos. Julgamos que por aquela pessoa aconpanhar todos nossos storys, curtir fotos, mandar uma mensagem ou outra “quando está afim” é sinal de interesse real em nós, quando na verdade pode ser somente uma carência afetiva ou sexual de momento.

Mas afinal, por que achamos que merecemos tão pouco?

Por que nos permitimos conformar com tão pouco amor, tão pouco afeto? Ser segunda, terceira, quarta opção?

Nós, mulheres somos educadas a nos contentar com poucas demonstrações de afeto masculinas, ouvimos que os homens “são assim mesmo”, não são românticos, não sabem demonstrar sentimentos ou mesmo não precisam demonstrá-los. Acredita-se, por vezes, que se tem um homem fiel e que faz o mínimo ao lado, já é o suficiente e que cobrar atenção, carinho, afeto é “querer demais”.

A sociedade patriarcal na qual vivemos, ainda “não vê com bom olhos” mulheres solteiras, especialmente as que escolhem permanecer solteiras, realizando cobranças sociais diversas, relacionadas a namoro, casamento, filhos… Por conta disso, por vezes sentimos um intenso medo da solidão, estar solteira parece ser sinal de derrota, insuficiência, falta de capacidade…

Por conta desse medo da solidão, permanecemos em relacionamentos abusivos, relevamos traições e compreendemos migalhas como sinônimo de amor.

Precisamos compreender e lutar contra essa ideia de que o mínimo já é suficiente, nós merecemos MUITO amor, MUITO carinho, MUITA atenção, merecemos  todo esse amor que oferecemos aos outros, não merecemos  nada menos que reciprocidade nas relações.

Precisamos tentar nos libertar gradativamente de todas essas pressões sociais que dizem que não podemos estar solteiras e sermos felizes ao mesmo tempo. Se relacionar afetivamente é maravilhoso, porém somente quando existe reciprocidade nessa relação, quando esse amor faz bem, é algo bom e leve, soma felicidade e boas sensações em nossas vidas.

Não precisamos implorar afeto, quem realmente quer estar conosco, se esforça para estar, sente sua falta, arruma tempo e espaço para nos ter na vida. Não inventa desculpas, não nos procura somente quando é conveniente.

Relações em que aceitamos migalhas de afeto, somente aumentam a sensação de solidão.

Devemos permanecer solteiras até encontrar alguém que esteja com você por inteiro, que não precise implorar por afeto, porque ele virá naturalmente.

Somos muito mais do que um relacionamento amoroso.

Somos a somatória de todas as experiências que vivemos até hoje, todas as nossas qualidades e defeitos que nos fazem únicas, nossa luta, nossa beleza incrível e única, nossa inteligência, habilidades, a importância que temos na vida dos nossos amigos, familiares, animais de estimação, a diferença que fazemos no mundo e acredite, fazemos! Muito mais que um relacionamento amoroso.

 

Lembrando das palavras de nossa amada Frida Kahlo, “Onde não puderes amar, não te demores”. Onde não pudermos ser amadas, também.

 

Natália Marques

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