Muito provavelmente o estereótipo que mais recai sobre o feminismo é o de que este se trada de um movimento de mulheres que odeiam homens, e é justamente por esse motivo que surgiu uma briga eterna que se pergunta se, afinal, feminismo é ou não é sobre ódio?

Minha resposta a esta questão pode desagradar a muitas (os), mas: não, feminismo não é odiar os machos, e sim, o feminismo abraça e acolhe o ódio aos machos. Calma, fica tudo menos complicado quando você entende que o este se trata de um movimento político que luta pela emancipação da casta feminina (como diria a autora Kate Millet) e não de uma identidade pautada em sentimentos e emoções individuais.

Visto isso, gostaria imensamente de pedir às militantes e ativistas do movimento que tentam provar a todo custo que não odiamos homens que, por favor, parem. Deveríamos estar preocupadas em acolher mulheres e não em causar uma boa impressão, e muitas mulheres odeiam homens sim. É fato que isso não as tornam feministas, mas também não as exclui da possibilidade. Feminismo não é sobre homens, portanto não é sobre o que sentimos ou deixamos de sentir por eles.

Algo que não dá mais para acontecer é olharmos na cara de uma mulher que odeia homens e a enxergarmos como louca desequilibrada, isso é trabalho do patriarcado. Não dá mais para olhar para uma mulher que odeia homens e fingir que ela não tem motivos para nutrir esse sentimento. É muito simples: se uma pessoa é mordida por uma cobra uma vez, ela pode desenvolver medo e repulsa por esse animal. Pois bem, mulheres são maltratadas por homens durante toda a vida, e é nisso que consiste o patriarcado.

O ódio aos homens é, portanto, uma resposta a tudo aquilo que vivemos, é um sentimento real com uma base traumática real e não precisa necessariamente ser desconstruído. Querer viver afastada deles, se recusar a ser didática e compreensiva (principalmente acerca do feminismo), ser apática ou até mesmo rude para com eles: isso tudo é totalmente justificável.

Ao levarmos tudo isso em consideração, é interessante o exame das prioridades. O que é mais importante para nós: acolher as vítimas ou agradar aqueles vistos como “exceções” dentre a casta dos opressores? Se seu amigo “super legal e apoiador” fica mega chateado e se torna até mesmo agressivo quando encontra uma mulher que não quer papo com ele pelo fato de ele ser homem, talvez ele não seja tão legal assim, ou, no mínimo, não tenha percebido que o papel dele nisso tudo é compreender esse posicionamento e sair fora, se é que ele realmente se importa com a integridade feminina.

Por fim, às mulheres e meninas que estão só agora tendo contato com o movimento feminista e estão com medo de serem mal interpretadas pela sociedade, a única notícia que eu tenho para dar é que vocês vão sim, por mais que tentem ser calmas e pacientes ao discutir o assunto. Vamos, portanto, tirar o foco e continuar lutando mesmo com toda essa má reputação, pois se o feminismo ainda é odiado pela sociedade é porque essa sociedade odeia mulheres. A única forma de “melhorar a imagem” do feminismo perante o senso comum é adequando-o ao patriarcado, e ai deixa de ser feminismo e passa a ser apenas uma forma igualmente dolorosa de se enganar e, assim, perpetuar a dominação masculina. Estamos juntas e seremos fortes.

 

Imagem reprodução do google – desconhecemos autoria.

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