A luta das mulheres já passou por diversas pautas. Onde muitas delas eram direitos civis básicos, dos quais homens NUNCA precisaram lutar para adquiri-los.

Ao analisarmos a evolução da pauta feminista, com base nas ondas, que são os momentos históricos onde as demandas das ativistas e acadêmicas feministas ebuliram e entraram na discussão social vemos que:

Na primeira onda feminista, iniciada no século XIX, as mulheres iniciaram de fato a luta por direitos iguais entre homens e mulheres. Elas exigiam tratamentos igualitários nos contratos, o fim do casamento arranjado, o direito à participação no poder político (direito ao voto), direitos às escolhas sexuais, econômicas e reprodutivas. A primeira onda foi longa, muitas dessas pautas só foram alcançadas na Inglaterra e Estados Unidos, como por exemplo o direito ao voto, no século XX, haja vista que foram as primeiras pautas a quebrarem padrões sociais do pensamento patriarcal.

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Já na segunda onda a agenda foi muito marcada pelo direito de escolha das mulheres a tudo que envolve o próprio corpo e desejos, como: sexo, aborto, sentimentos. O movimento da segunda teve início em 1970 e a grande revolução foi trazer o debate da mulher não se limitar somente a criação dos filhos e a luta pela participação no mercado de trabalho. Nesta onda, militantes negras, como Beverly Fisher, já denunciavam a invisibilidade da mulher negra no debate feminista.

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A terceira onda, iniciada em 1990, consolidou às pautas das ondas anteriores e trouxe para o debate político-social à crítica ao olhar classista dos debates feministas nas ondas anteriores e sob a ótica de Judith Buthler trouxe a discussão sobre micropolítica. A partir dessa onda as ativistas negras trouxeram para o debate, além do gênero, as diferenças das pautas por classe e raça.

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Fonte: EL PAÍS

Com base nessa síntese sobre as ondas do feminismo, nota-se que houve avanços, principalmente no que tange os direitos civis das mulheres. Mas, muitas das pautas da primeira onda permanecem dois séculos depois.

A luta hoje continua pela liberdade, uma liberdade muito mais ampla que a do passado. Chimamanda Ngozi Adichie expõe de forma muito clara a luta feminista na música Flawless (um hino por sinal!), da Beyoncé.

“Ensinamos as meninas a se retraírem, para inferiorizá-las. Dizemos para as garotas: você pode ter ambição, mas não demais. Você deve visar ser bem-sucedida, mas não tão “bem”, caso contrário, ameaçará o homem.

Porque eu sou uma fêmea, esperam que eu deseje me casar.  Esperam que eu faça as minhas próprias escolhas na vida, sempre tendo em mente que o casamento é a mais importante delas.  Falando sério, o casamento pode ser uma fonte de alegria, amor e apoio mútuo, mas por que ensinamos às garotas a aspirar ao casamento e não ensinamos a mesma coisa aos meninos?

Educamos as garotas para se considerarem concorrentes. Não por emprego ou por realizações, o que eu penso que pode ser uma coisa boa, mas pela atenção dos homens. Nós ensinamos as garotas que não podem ser seres sexuais da mesma forma que os garotos são. Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos”.

O maior desafio das feministas contemporâneas talvez seja lutar para que as novas gerações sejam criadas/educadas com novas formas de pensar, sem os padrões mentais opressores, para que as pautas pendentes desde a primeira onda feminista, enfim, consigam ser alcançadas: LIBERTEM NOSSAS MENINAS!

Bibliografia e recomendações:

– Livro: Quem tem medo do Feminismo Negro? – Djamila Ribeiro;

– Livro: Para educar crianças feministas – Chimamanda Ngozi Adichie;

– Documentário: She’s Beautiful When She’s Angry – Mary Dore;

– Palestra TED X: Todos devemos ser feministas – Chimamanda Ngozi Adichie.

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