E num de repente totalmente cheio de altos e baixos (e alguns mais baixos ainda, não se assuste), 4 meses se passaram. A gente vive muito nesses 4 meses. Bom, pelo menos muitas emoções, dúvidas, turbulências e etc. Porque muito provavelmente, foram 4 meses em que ficamos em segundo plano também.

4 meses.

Voltando ao trabalho e a “rotina normal”.

Imagem retirada do blog Renascendo após a maternidade, por Bianca Amorim

Depois de passar por todos aqueles sorrisos para fotos do recém nascido, peito rachado, absorvente pra tudo que é lado, cólica…útero contraindo…cabelo agora é a metade, hormônios na estratosfera, palpites da cidade inteira, sou mulher e me descubro mãe e esqueci em alguns momentos que eu sou mulher…depois de chorar, sorrir, chorar mais um pouquinho, umas 250 fraldas e xixi e 132 de cocô (e você descobrir que vai achar lindo o cocô porque a tal da cólica é um inferno)… voltei a rotina “normal”.

Tenho a sensação que vivi uns cinco anos em quatro meses… Mas ao mesmo tempo, parece que foi ontem de manhã que estava preparando pro parto.

Quanta coisa!

 Que medo dessa “rotina normal”.

O que me espera? Será que vou conseguir fazer meu trabalho como antes? Como serei recebida? E se o bebê adoecer? E se eu precisar sair mais cedo? Ou chegar mais tarde? E se eu não conseguir focar no trabalho e acabar deixando passar algo? Sobre o que mesmo a gente conversa no trabalho na hora do almoço? Meu Deus! E se eu for desligada? Fiz um contrato com a creche de 1 ano…como vou pagar isso? Putz grila…me preocupei tanto com o lugar que o bebê ia ficar que nem me lembro do que tinha naquelas letras miúdas do contrato…

E aquela promoção que eu espero a tanto tempo…será que vai sair um dia?

Eu preciso conseguir fazer meu trabalho como o mesmo empenho de antes. Mesmo não…ainda mais! Agora além de tudo, tem um bebê que depende de mim também.

Foco. Preciso focar nisso.

O despertador tocou. Não dormi quase nada esta noite. Tantas indagações pairando na minha cabeça…ponderei. Pensei de devia mesmo ir. Tenho que ir. Mas na real, tô insegura. Que frio na barriga!

Mas é isso.

Levanta.

Bebê ainda dorme.

Banho rápido.

Começo a me vestir. Bebê acorda. Coisa fofa.

Calma. Já estou quase chorando. Me desculpe filho. Preciso dar um jeito na vida e voltar a tal “rotina normal”.

Ufa.

Respiro.

Arrota. Troca fralda. Veste roupa.

Me vesti.

Sua bolsa está pronta a três dias. E tem um check list do que eu precisava colocar dentro dela, preso na geladeira. Olho de novo pra bolsa, pela enésima vez verifico o check list. Acho que tá tudo aqui. É. Tá sim. E deixei anotado na escola o meu celular, telefone do trabalho, e de metade da família. Vai que acontece alguma coisa e meu telefone fica fora de área bem nessa hora?!

Bebê ok! Bolsa do bebê ok.

Eu estou ok. Bom, aparentemente ok.

Vamos para o carro. Do carro para a creche.

Que despedida sofrida. CREDO!

Me desintegrei. Virei um oceano.

Você ficou sorrindo. Ainda bem.

Passei no banheiro. Lavei o rosto. Que susto. Olha a cara dessa pessoa no espelho?! Pareço um zumbi fantasiado de Rudolph (a rena do nariz vermelho). Pelo menos, consigo rir da situação.

Lavei o rosto.

Entro no carro e vejo a cadeirinha vazia no banco de trás. Pára com isso mulher?! Falo comigo em voz alta. Não posso chorar tudo de novo.

Partiu trabalho. De volta a “rotina normal”.

Cheguei.

 

Bom dia povo! Mostro fotos do bebê. Ouço que tô acima do peso hein? Ouço que estou bonita também (ainda há pessoas gentis, no caso, minha grande amiga que tem um bebê de pouco mais de um ano). Ouço que preciso dar um jeito no cabelo. Ouço que sou doida porque te deixei na creche. Ouço que o bebê adoece muito. Ouço que devo voltar pra academia. Ouço que tenho que ter cuidado, porque se faltar demais, posso perder o emprego. E ouço mais um tanto de coisas que nem sei se ouvi mesmo. Porque desenvolvi uma capacidade absurda de nem escutar asneira, porque não vale a pena.

Na minha mesa, tem uma pilha de pendências. Caramba! Pilha enorme.

Bom, pelo menos o dia vai passar rápido, porque o que não falta é demanda.

 Mergulho no trabalho. Descobri que estava com saudade dessa bagunça que é o mundo corporativo. No fundo, gosto disso.

Entre pilhas de documentos, planilhas desatualizadas, sistema da empresa e e-mails não lidos, meu peito dói. Dor física. Não por ter deixado a cria na creche. Na verdade…dói por isso também. Mas dói porque o peito enche, o leite vaza. Cara, isso dói de verdadeiramente.

Hora do almoço.

Tiro leite e guardo com todo cuidado (ritual enorme, de bolsa térmica, bolsa de gelo, potes esterilizados, bomba de sucção, tira o leite, guarda no potinho, anota quantidade e horário, guarda o potinho no congelador…)

Volto pro meu trabalho.

O dia termina. Dia de trabalho né?

Consegui.

Venci o primeiro dia!

Nem eu acreditava que seria tão intenso.

Corro pra creche. Lá está meu bebê com todos os itens de série fofuxos característicos dos bebês, incluindo aqueles olhinhos grandes que tem uma capacidade absurda de conseguir colo, afago e curar meu medo.

 

A gente vai pra casa.

Round 2.

 

Lava roupa. Desarruma bolsa do bebê. Arruma bolsa do bebê.

Guarda leite materno no congelador (digno de orgulho esse estoque aqui).

Amamenta. Arrota. Brinca. Banho. Amamenta, arrota. Coloca pra dormir.

Ligo a tv. Nem sei o que tá passando ali.

Ajeito mais umas coisas.

Tomo banho. São 23:57 da noite. Levanto às 5:00, contando que você não acordará no meio da noite ne?!

Estou exausta.

Dormi.

E de repente, ouço o despertador tocar de novo.

Estou de volta a “rotina normal”. Só que agora, mais corrida, mais apertada, com um peso enorme também.

 

Parir é difícil.

O início é difícil.

Continuar depois então, é MUITO DIFÍCIL.

E como não parar a vida depois da maternidade?

É um misto de alegria e medo que pesam igualmente.

 

Mas passa.

Juro pra você que passa.

A boa notícia é que dias difíceis também tem início, meio e fim.

Portanto, seja forte.

Tente anotar as coisas (pelo menos comigo funcionou mais quando comecei a anotar mesmo). Você vai conseguir descobrir qual a melhor forma de ajustar a sua “rotina normal”.

Você já era mulher antes de ser mãe. E agora continuará sendo mulher, só que mãe também.

Portanto lembre-se de uma coisa…siga sempre EM FRENTE e ENFRENTE.

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here