Você já ouviu esse termo Gaslighting? Podemos chamá-lo também de “omienlouquece”. Muitos falam e poucos explicam o que é.

Gaslighting é um termo em inglês, que derivou do filme Gaslight, de 1944. Na trama o marido realizava diversas técnicas de manipulação psicológica, para fazer com que a esposa desconfiasse de sua própria sanidade mental, visando internar a esposa em uma clínica psiquiátrica e assim usufruir de sua fortuna.

Mas, a intenção não é que possamos nos ater ao termo, nomenclatura, mas sim que possamos refletir sobre esse tipo de abuso psicológico, que é muito comum e sutil, por conta disso difícil de ser identificado.

É uma forma de abuso psicológico sutil e muito mais comum do que imaginamos, na qual o abusador utiliza de mentiras, distorções da realidade, exageros, apresentando informações falsas e omitindo informações reais.
É uma forma de manipulação psicológica, na qual o abusador desqualifica sentimentos, medos e desconfianças da vítima, sempre confrontando informações.
A intenção é fazer com que a vítima questione sua percepção, memória e própria sanidade mental, acreditando assim que não tem razão de sentir o que sente, que comete exageros e que suas angústias e desconfianças são infundadas.

Frases constantemente utilizadas são: “você é/está ficando louca (o)!”, “você está surtando”, “você é muito exagerada”,  “você está sensível demais (fazendo referências por vezes à TPM para justificar a sensibilidade ou alteração de humor), “você está sempre duvidando/desconfiando de mim!”, “você não confia em mim?”, entre outras.

Já aconteceu de você iniciar uma discussão tendo certeza do real motivo, um erro do parceiro como por exemplo uma desconfiança de traição e terminar essa discussão se sentindo culpada e errada? Isto aconteceu provavelmente porque o parceiro “virou o jogo” argumentando que você desconfiava dele, ou era ciumenta demais, trazendo situações “convincentes”, com as quais ao final dessa discussão você se sentiu culpada e acreditou que estava exagerando.

Já aconteceu também de você iniciar uma discussão tendo a certeza que viu algo que não lhe agradou, como uma foto, uma conversa em uma rede social… Você tem CERTEZA que viu ou leu, porém com as argumentações do parceiro ao final passou a desconfiar de sua própria sanidade? Questionando a si mesma se de fato tinha visto? Se não eram outras palavras escritas ou se você havia “sonhado” ou se enganado?

O abusador pode também dentre as brigas fazer alegações buscando fazer com que a vítima acredite que possui algum transtorno psiquiátrico, fazendo com que a mesma desconfie de sua sanidade mental e julgue que está culpabilizando o agressor pelos seus erros “porque ela não está bem”, transferindo toda a culpa para si.

Outra característica importante são as mentiras excessivas, histórias que por vezes não apresentam sentido, mas com argumentos convincentes que fazem com que a vítima desconfie de suas crenças.

Essa forma de manipulação pode se ampliar a situações graves no âmbito sexual que ocorre quando a vítima dos abusos desconfia se sofreu de fato um abuso sexual, por recordar por exemplo e o parceiro dizer que ela estava sonhando, que não ocorreu daquela maneira, que “pediu por aquilo”, ou estava “participando ativamente do ato”, quando na verdade pode ter se tratado de estupro. Lembrando que relação sexual precisa ser TOTALMENTE CONSENSUAL, TROCA, RECÍPROCA, fora disso é abuso sexual. (vide texto Precisamos falar sobre consentimento nas relações amorosas. SIM… nas relações amorosas!, explicando como detectar abusos nas relações afetivas).

Essa forma de abuso psicológico faz com que a vítima se sinta extremamente dependente do abusador, pois não confia mais em si mesma, em suas percepções e está com a autoestima altamente enfraquecida. Isso faz com que se torne demasiadamente dependente da aprovação, pois não confia em suas próprias convicções.

Este abuso pode ocorrer especialmente em relacionamentos amorosos, mas também entre amizades, relações familiares e profissionais.

Lembrando que não o termo “estar louca” é um termo pejorativo e que emite preconceito. Existem diversos transtornos psiquiátricos, psicológicos, que precisam ser tratados com o auxílio de profissionais especializados, como psiquiatras e psicólogos. Que precisam ser respeitados e jamais tratados de maneira pejorativa.

Se você sofre esse ou outros tipos de abuso em uma relação, é essencial que busque ajuda de uma profissional especializada em saúde mental como a psicóloga, mas não porque “está louca”, ou pelas dúvidas relacionadas a sua saúde mental levantadas pelo parceiro nesse tipo de abuso, mas sim porque você precisa de ajuda para cuidar das “feridas” causadas por essa relação abusiva, os impactos causados em sua saúde mental e autoestima, refletir sobre essa relação e sobre demais aspectos de sua vida, cuidar de você, ”se reencontrar consigo mesma”. Ao vivenciar esse tipo de relação a tendência é que se sinta “perdida de você mesma”, confusa com relação às suas próprias crenças.

Sua autoestima precisa ser fortalecida para sair desse relacionamento abusivo!
Jamais tenha vergonha de buscar ajuda!

Você é forte! Você é suficiente!

 

“Não tenha pressa

Todo processo curativo

Não é tão rápido

ou tão bonito assim

tem dia que dá e tem dia que não dá

e tudo bem

é possível amar depois da dor

mas serão amores diferentes de tudo que você já sentiu

porque amar também é perspectiva

e existe diferença entre amar sendo segundo plano

e amar sendo protagonista.”

Ryane Leão

 

Cuide de você, com amor!

ACREDITE em você!

Lembre-se, ninguém no mundo te conhece mais que você mesma!

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