Há alguns dias entrei em um conversa em que diziam “nós não sabemos o que somos, no Brasil a maior parte da população teve sua história apagada, não há lembranças”, eu de fato concordo, mas em partes, a cultura do povo negro e indígena foi dizimada e massacrada (pouco sabemos dos costumes de nossos ancestrais e etc), junto com sua história, entretanto, nos dias de hoje grande parcela da população sente na carne essa “lembrança”, não há como esquecer.

A chegada do homem branco no Brasil, foi sustentada pela exploração e destruição, massacrou dezenas de civilizações indígenas, explorou suas riquezas, os submeteu ao trabalho escravo e a morte, as mulheres ao estupro. Não houve reparação. Durante a colonização (por volta de 1500), a primeira mão de obra escrava foi a indígena,  posteriormente substituída pela negra, pois a anterior foi marcada por um número muito alto de mortalidade entre os índios que entravam em contato com epidemias (que vieram junto dos brancos) e pela exaustão do trabalho, a escravidão indígena só foi proibida no século XVIII.

Já a população negra foi arrastada de seu continente para cá, através do tráfico negreiro, em que metade das pessoas traficadas morriam pelas más condições, precariedade e maus tratos nas embarcações, os que chegavam com vida eram destinados a escravidão que perdurou centenas de anos, inserindo essas pessoas em rotinas exaustivas e desumanas de trabalho em lavouras, engenhos e mineração. As mulheres novamente marcadas pelo estupro (e também não podemos esquecer das marcas dos maus tratos das sinhás), a escravidão só foi proibida em 1888. Sem reparação por nenhum dano.

Fiz essa pequena contextualização para perguntar: Para onde foram estas pessoas escravizadas? Onde estão seus descendentes?

Com o fim da escravidão as pessoas que haviam sido escravizadas foram colocadas a margem, sem ajuda, sem manutenção ou algum tipo de auxilio, com isto formaram-se as favelas, morros, e como chamamos hoje as “quebradas”, onde essas pessoas residiram e hoje nós residimos, e lembramos de quem somos.

A posição que nós pessoas colocadas a margem ocupamos, é a herança de um processo colonial desumano que explorou e também matou nossos ancestrais, enquanto alguns recebem as boas heranças de ancestrais destruidores e assassinos.

Nós lembramos. Como diz Djonga “eu não vou mais empurrar sujeira pra debaixo do tapete, nem pra de baixo da minha guela”.

Ainda somos nós que ocupamos trabalhos braçais e de serviçal. São as nossas mães, tias, avós, que criam os filhos das brancas e limpam suas casas. São pessoas negras e indígenas que carregam o fardo de não reparação da escravidão e sofrem na carne as marcas do racismo e preconceito. Mas também somos nós que estamos adentrando as universidades, começando a ocupar mais cargos políticos, e subindo de “status social” e gritamos na cara de vocês: NÓS NÃO ESQUECEMOS.

LADRÃO – DJONGA

(https://www.youtube.com/watch?v=6u9hxVHQhlA)

 

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