Não é dia dos professores, não é dia de campanha na educação, mas é dia de mobilização! Todo dia é dia de combater o patriarcado. É dia de nos questionarmos porque fazemos as coisas do jeito que fazemos, porque cumprimos as obrigações que cumprimos. Nesta pequena lista também vale refletir o quão tempo passamos com outra mulheres, como as tratamos, que importância damos às suas falas, qual escuta fazemos de suas lástimas.

Não por acaso, a educação é alvo das mídias. Na educação se acredita na força das diferentes linguagens, como expressão social, como construção de nossa história, de quem fomos, somos e nos tornaremos (BAKHTIN, 2006). Na educação acreditamos que não passamos na vida sem o outro. Nesta leitura, muito particular de quem está na estrada da docência, percebe-se que a sala de aula é um espaço de encontro, por vezes fora dos muros da escola (FREIRE, 2006), que abre as possibilidades de criar, de existir, de refletir sobre o mundo.

A educação permite o encontro com o outro, permite o diálogo, a aproximação, a prática discursiva, o exercício da opinião, do acordo, da condução de desafios em prol da resolução de conflitos. E, acreditamos que é por ela que combatemos a violência, o discurso de ódio e o carceramento disfarçado como alternativa para resolução dos problemas sociais, portanto, combatemos o patriarcado através da aposta na educação como transformação social: “[…] Em outros termos, democracia fundamentalmente significa justiça social – pão, teto e saúde para todos; significa todos terem liberdade de informação, organização e participação em todos os níveis; significa todos poderem exercer a crítica ao capitalismo e buscarem alternativas – sendo básica a gestação e o fortalecimento de um autêntico poder popular; significa a extensão dos direitos democráticos e a produção dos sujeitos capazes de exercê-los; significa, enfim, uma forma de vida (WANDERLEY, 1980, p. 67)”

A democratização da educação é algo que já viemos combatendo ao longo da história e, que, mais do que nunca pede de nós atenção, visto que é por ela que encontramos condições de nos conscientizarmos mutuamente, num movimento em que “[…] Conscientizar não significa, de nenhum modo, ideologizar ou propor palavras de ordem. Se a conscientização abre caminho à expressão das insatisfações sociais é porque estas são componentes reais de uma situação de opressão; se muitos dos trabalhadores recém-alfabetizados aderiram ao movimento de organização dos sindicatos é porque eles próprios perceberam um caminho legítimo para a defesa de seus interesses e de seus companheiros de trabalho; finalmente, se a conscientização das classes populares significa radicalização política é simplesmente porque as classes populares são radicais, ainda mesmo quando não o saibam” (FREIRE, 1980, p. 11).

Desse modo, seguimos questionando o que nos é passado e vamos superando nossas dicotomias, limitações e preconceitos, a ponto de, a partir da constituição do conhecimento, avançarmos na história, nos fortalecendo e fortalecendo a humanidade, pois acreditamos que é papel da educação acreditar que não podemos fazer as coisas ” simplesmente dando ordens aos outros. As pessoas devem estar conscientes disso e perspectivar suas atividades para o futuro” (WANDERLEY, 1980, p. 23)

Sabemos que vivemos tempos difíceis, em especial no campo discursivo, pois, com a democratização das redes sociais, nos tornamos mais vulneráveis aos ataques de quem utiliza a liderança política para assumir autoridade moral, reforçando privilégios sociais e perpetuando o controle das propriedades. Disfarçando-se na face de família, o homem, por vezes numa figura paternal, mantém a autoridade e subordina mulheres e as crianças, sendo assim, necessária nossa luta conjunta contra o sistema social que vocifera ordens de armamento à população, buscando perpetuar nossa vida de gado .

Assim, acreditamos no diálogo com o outro como fortalecimento da existência e superação dos conflitos, portanto, da educação como transformação social, na busca por uma vida mais justa e de respeito à vida. De modo que todos tenham acesso as direitos básicos, que não precisemos matar, roubar ou nos violentar para existir. Citando Florestan Fernandes, fazemos coro à ideia de que “[…] eu não tenho dúvidas em afirmar que é entre as formas novas de participação popular, nas brechas da luta política, que, hoje em dia, surgem as experiências mais inovadoras de educação no Brasil” (p. 107), é tudo uma questão de oportunidade e a educação aposta nisso.

Acreditamos na educação como um caminho possível, vem com a gente nessa luta? Conheça o Plano Nacional da Educação que está incluso nos desmontes da educação que estamos vivendo abruptamente neste 2019 .

Referências

BAKHTIN, Mikhail Mikhailovich. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006.

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 10. ed. -. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.

FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. 8. ed. São Paulo, SP: Olho d’Água, 2006.

WANDERLEY, Luis Eduardo W. Educação Popular e processo de democratização. In.: BEZERRA, Aida; BRANDÃO, Carlos Rodrigues (Org.). A Questão política da educação popular. São Paulo: Brasiliense, 1980. (p. 62-78)

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