Renan Santos Silva, conhecido pelo nome artístico Dj Renan da Penha, é um jovem carioca, negro e que advém das favelas do Rio de Janeiro, onde se tornou conhecido pelo ritmo de funk 150 bpm (150 batidas por minuto), idealizador do famoso “baile da gaiola”, cujo fez com que seu trabalho ganhasse notoriedade nacional. 

O ritmo 150 bpm é um ritmo novo no mercado da música, obteve espaço no mercado fonográfico em 2017 quando o ritmo sai das favelas do Rio de Janeiro e ganha espaço por todo Brasil com músicas de artistas renomados como Ludmilla e Nego do Borel. Este tipo de funk é acelerado e muitas vezes contém o tipo de letra chamado “proibidão” que é muito apreciado, por pessoas (que como eu) são faveladas. 

         A sociedade coloca este tipo de música à margem, como algo sem valor, sendo um ritmo preterido. No entanto é válido ressaltar que quando se vive em periferias e favelas não há como cantar sobre flores, mar e romances, quando a realidade é de criminalidade, pobreza e violência.

Seguimos para a carreira do Dj com a seguinte frase muito popular “felicidade de pobre dura pouco”, em abril de 2019 Renan foi acusado de associação ao tráfico de drogas no Complexo do Alemão, no entanto, provada sua inocência foi absolvido de tais acusações em primeira instância — mas levando em consideração o atual cenário político brasileiro, de um país que está sendo governado a base de fake news, retrocessos e injustiças, onde quem é forçado a ocupar os morros e periferias, se encontram sem lazer, saúde, educação e tantos outros direitos essenciais, Renan é alvo da mira racista e excludente do Estado; Sem reparação histórica (porque as pessoas que ocupam esses espaços são os descendentes de escravizados, que continuam ocupando cargos/empregos subalternos) — a absolvição não teve relevância para o ministério público do Rio e este pede a prisão de Renan. 

Renan ficou cerca de 8 meses preso, sem provas, o que revela a cara de um Estado racista, preconceituoso e injusto. No dia 21 de novembro de 2019 foi concedida sua libertação junto de tantos presos em primeira instância.

“Baile da Penha sempre lotado” (Mc Kevin Chris) e assim o Dj Renan da Penha foi liberto e pode continuar trabalhando e proporcionando lazer no Complexo em que toca e sendo um símbolo de resistência, pois sua prisão gerou comoção nacional nas redes sociais e em veículos de comunicação, pois pode-se concluir que sua prisão não foi por envolvimento ao tráfico e sim pela posição social ao qual ele ocupa.

REFERÊNCIAS

LOPES, Adriana Carvalho, et al. A favela tem nome próprio: a (re) significação do local na linguagem do funk carioca. Revista Brasileira de Linguistica Aplicada, 2009.

ANJOS, Paloma Macedo dos. Racismo cultural na criminalização e proibição do baile funk no bairro Jardim Jaqueline, SP. 2018.

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