A coexistência é fundamental. Principalmente nos tempos em que nossos dias tem sido de muita luta para viver tentando assegurar direitos tão fundamentais em um governo de oposição.

Inspiradas na filosofia bakhtinina, que preza pelo diálogo em nossas relações, podemos entender que aprender com o outro é fundamental para nossa sobrevivência. Nesta perspectiva, temos visto, cotidianamente, o desafio que é conviver com pessoas tão diferentes de nós.

Tentando ver o mundo como um lugar de possibilidades de aprender, compreendemos que exercitar e dividir o mundo com pessoas tão diferentes de nós é muito difícil.

Reconheço , neste desafio, inclusive a luta de viver todos os dias com obstáculos corporais. Como a fome, o corpo gordo, o cabelo que incomoda.

Sobre estes pontos e outros, não é difícil encontramos elementos de voz, que clamam por justiça social. As tentativas de (re)existência estão estampadas nas bandeiras dos movimentos sociais, nos lambe-lambes e páginas em mídias sociais! Não vê quem não quer.

Escrever talvez tenha sido uma das poucas praças de exercício de estar com outro. Afinal, quando escrevemos, não temos como adivinhar quem vai nos ler. No máximo escrevemos na expectativa de que possamos contribuir com reflexões acerca do mundo que vivemos.

Nesse sentido partimos da premissa de que para superar os ataques constantes à democracia (leia-se especialmente as questões ligadas ao retrocesso político) se torna fundamental também, aprender a olhar as questões sociais de diferentes formas, isso, segundo aprendemos com Paulo Freire faz parte de nossa leitura de mundo.

Talvez não há como projetar um futuro digno, sem entender que para superar as dificuldades do presente seja necessário lançar mão de algumas estratégias, articulando o combate com procedimentos construídos a muitas mãos. Mãos dadas inclusive a pessoas tão diferentes de nós.

De todo modo, o enfrentamento precisa ser feito. Não há como jogar fora o histórico de conquistas obtidos, com muito sangue, até aqui.

Nesta reflexão, talvez possamos nos dispor, mais sensíveis e atentas aquele outro tão diferente de nós. Que sejamos mais leves e tolerantes. Que estudemos nosso adversário. Que sejamos mais corajosas.

Que saibamos compor um caminho, traçando planos de superar aos desafios do presente agregando, somando e potencializando nossa força social. Pois se resistir é importante, coexistir é fundamental! É o desejo que fica para este inicio de ano.

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