Apesar de tantas questões preocupantes com relação ao destino do país nessa etapa final das eleições, não podemos esquecer-nos do mês em que muitos estados do Brasil e também diversas partes do mundo têm mais atenção a um assunto que atinge muitas famílias: o câncer de mama. O empoderamento é nosso principal aliado para a prevenção e o combate ao câncer de mama, uma vez que a conscientização e a luta por nossos direitos é a nossa arma fundamental tanto para o combate quanto para a cura da doença.

O “Outubro Rosa” possui pouco tempo de criação – década de 90 EUA – e tem como objetivo conscientizar a população e combater o câncer de mama (e agora também o câncer de colo do útero), além de ajudar mulheres e suas famílias a enfrentarem a doença com autoestima. O foco maior do movimento ainda é a detecção precoce da doença como melhor meio para buscar a cura, pois segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de mama representa 28% dos novos casos da doença a cada ano e sua possível prevenção pode ser feita por meio do autoexame da mama – que não é considerado um dos melhores exames preventivos do câncer – mas que pode ser feito uma vez por mês, todos os meses, 3 a 10 dias após o aparecimento da menstruação ou em uma data fixa nas mulheres que já não têm menstruação, e exames de mamografia – mais indicado – oferecidos gratuitamente pelo SUS. Quanto mais cedo a doença é tratada, mais eficazes são os resultados e as chances de cura e, para proteger a paciente de grandes esperas, está em vigor a Lei dos 60 Dias, que determina que o primeiro tratamento (cirurgia, quimioterapia ou radioterapia) deve iniciar em no máximo 60 dias no SUS, a contar da data do exame anatomopatológico que confirmou a presença do câncer.

“Existem diferentes tipos de câncer de mama. Algumas características são o grau tumoral, que informa se o tumor tem chance de crescer de forma rápida ou lenta, e o estadiamento, que aponta em qual estágio, de 0 a 4, o câncer se encontra, levando em consideração o tamanho do tumor e quais estruturas e órgãos ele atingiu. O estágio 4, por exemplo, indica que há metástase, ou seja, a presença de tumor em outra parte do corpo além da mama. Também é possível determinar se há a presença dos chamados receptores hormonais, ou seja, se o tumor cresce na dependência de estrogênio e às vezes também de progesterona, e se há receptores para a proteína Her2, produzida pelo gene de mesmo nome, indicador de agressividade do tumor.” (Femama – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama).

A grande maioria dos casos de câncer de mama ocorre por alterações genéticas adquiridas ao longo da vida, e não herdadas, mas saber se o câncer é hereditário ajuda a prevenir o surgimento da doença em parentes próximos, que podem tomar medidas para redução de risco, mediante identificação de uma mutação hereditária.

Os testes genéticos são cobertos por planos de saúde e muitos movimentos lutam para que estejam disponíveis também no SUS. Pacientes usuários da rede pública de saúde podem realizar consulta com geneticista, mas o teste genético ainda não é oferecido gratuitamente.

Há anos tramita no Congresso um projeto de lei que visa definir o prazo máximo de 30 dias para a conclusão da etapa diagnóstica, desde a suspeita até a confirmação do câncer em biópsia.

Nossos direitos:

  • Saúde é direito de todos e dever do Estado.
  • Toda mulher, a partir de 40 anos de idade, tem direito à realização de mamografia. (Lei Federal 11.664/2008).
  • Todas as necessidades das mulheres devem ser cobertas pelo SUS que é universal e gratuito, isto é, independente de qualquer tipo de contribuição, todas devemos ter acesso ao mesmo.
  • Pelo SUS, todas têm direito de receber gratuitamente os medicamentos prescritos por ordem médica, inclusive os de alto custo e quimioterápicos orais.
  • Crianças e idosas têm direito a acompanhante durante todo o período de sua internação.
  • É nosso direito solicitar uma segunda opinião médica, podendo trocar de médico, hospital ou instituição de saúde.
  • É nosso direito ter acesso ao seu prontuário médico, podendo solicitar cópia integral dele.
  • As mulheres com câncer têm prioridade para receber créditos decorrentes de ações judiciais contra a Fazenda Pública.
  • As mulheres com câncer e permanentemente incapazes para o trabalho podem ter direito a indenizações decorrentes de contratos de seguro de vida e aposentadoria privada.
  • Os planos de saúde não podem negar a cobertura de quimioterapia oral, ainda que o tratamento seja realizado na casa do paciente.
  • Plano de Saúde não pode limitar valor do tratamento.

O feminismo traz o autoconhecimento para a mulher numa busca constante por autovalorização e empoderamento psicológico, o que, deste modo, nos conduz à diversos assuntos em relação a tudo o que enfrentamos ou podemos vir a enfrentar. Temos que continuar lutando para que nossos direitos não sejam perdidos e eles são essenciais para o tratamento da mulher. Após essas conquistas, os resultados positivos se estenderam e o número de mortes pela doença diminuiu significativamente. Temos que pensar nas consequências que sofreremos com a quantidade de candidatos conservadores que elegemos até o momento e que pouco indicam interesses nos assuntos de saúde, educação e direitos conquistados. Estamos todas aflitas com o futuro do nosso país e a sororidade é um dos principais alicerces nessa causa, uma vez que o apoio entre as mulheres capacita o psicológico para o enfrentamento da doença com força e coragem.

 

 

Bibliografia

Como Fazer o Autoexame da Mama, disponível em: https://www.tuasaude.com/como-fazer-o-autoexame-da-mama/

Outubro Rosa, disponível em http://www.inca.gov.br/outubro-rosa/cancer-mama.asp

Empoderamento e o câncer de mama, disponível em https://www.femama.org.br/2018/br

 

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