Muito se fala sobre relacionamento abusivo, mas será que conseguimos perceber os pequenos sinais? Será que conseguimos detectar o relacionamento abusivo que não tem “cara de relacionamento abusivo”?

Quando pensamos em pessoas que cometem abusos, pensamos em pessoas grosseiras, que gritam em público, agridem fisicamente, fazem escândalos por ciúmes em público e são extremamente controladores. Estes comportamentos também são característicos de um parceiro abusivo. Porém, e quando ocorrem abusos pouco perceptíveis aos olhos da sociedade?

Muitas vezes, o abusador pode ser alguém que te trata muito bem, especialmente na frente das pessoas de seu convívio, faz declarações de amor em público e parece “bonzinho” perante a sociedade. Ninguém irá imaginar que ele é abusivo e dificilmente acreditará quando você contar.

Este tipo de relacionamento abusivo é muito perigoso, pois a própria pessoa que sofre os abusos dificilmente enxerga que está em um relacionamento deste. Sente culpa, pois acredita que são apenas “pequenas falhas” frente a diversos acertos e agrados.

Vou citar coisas comuns neste tipo de relacionamento:

– Culpa: A pessoa se sente constantemente culpada, e pode sofrer forte manipulação psicológica. No início de uma discussão sente que tem razão em sua queixa e ao final da discussão se vê como errada, exagerada, louca. Duvida de suas próprias certezas, se sente injusta por desconfiar de alguém que a trata tão bem, pede desculpas constantemente.

– Manipulação psicológica: A pessoa abusiva parece mudar de personalidade quando fica nervosa, normalmente é calma, mas nestes momentos, grita, te trata mal, xinga ou quebra objetos. Some por dias, não atende ligações. Quando passa o “nervoso” alega que não estava bem e que agora o nervoso já passou. Mas alega que também “olha o que você faz com ela, você a tira do sério, faz com que ela perca o controle com esse seu jeito difícil”. Você se sente culpado pela briga, afinal é mesmo muito difícil de lidar. Os famosos “jogos emocionais”.

– Traição: Você desconfia que a pessoa está te traindo, quando por vezes, de fato está, porém, quando questiona ela alega que você não confia nela e nunca irá confiar. Se ela passa todo o tempo que tem livre ao seu lado como pode te trair? Ela te ama, faz tudo por você. Você está exagerando, é louco! Você se sente culpado novamente.

– Violência sexual

Mas pode existir violência sexual dentro de um relacionamento afetivo? Pode sim!

Quando você diz que não está com vontade e seu parceiro ainda assim te pressiona para ter relações sexuais é violência sexual.

Se você pede para que ele pare, pois está sentindo dor e ele não para, é violência sexual;

Quando seu parceiro realiza algum ato sexual, toque enquanto não está consciente (dorme) é abuso sexual;

Quando ele ameaça te largar porque você não consegue satisfazê-lo sexualmente da maneira que gostaria é agressão psicológica;

– Distorcer fatos

Se o parceiro distorce memórias, ocorridos. Você tem certeza que algo ocorreu, como alguma memória de abuso vivenciada no relacionamento e o parceiro distorce essa memória, te questiona, diz que está louca e te faz duvidar de sua própria percepção. Isso é violência psicológica!

Todos os tipos de agressão física, psicológica e sexual caracterizam relacionamento abusivo e causam feridas psicológicas que necessitam serem cuidadas e que demoram a se recuperar. Causam fortes danos à autoestima.

Como posso saber se estou em um relacionamento abusivo?

Se observe! Perceba se você se questiona por diversas vezes se está louca, se é sensível demais, se percebe sua autoestima prejudicada, aumento do sentimento de insegurança.

Não é normal ter medo do seu parceiro, se sentir ansiosa por medo de como ele irá reagir.

Não é normal se afastar dos seus amigos, não ter privacidade, ser constantemente controlado.

Você não pode se sentir pior nessa relação do que estava antes de tê-la, relações precisam somar coisas positivas em nossas vidas, jamais nos entristecer e rebaixar a autoestima.

Se você está vivenciando um relacionamento abusivo não se culpe, não se julgue inferior ou covarde por estar nessa relação. Existem diversos motivos como relação familiar conturbada, vivências traumáticas na infância, questões relacionadas a autoestima que te fazem permanecer e não perceber que está vivenciando abusos. Não se culpe ou se puna, você precisa de ajuda!

Se você conhece alguém que está em um relacionamento abusivo, ajude, alerte, incentive esta pessoa a buscar ajuda com um profissional especializado. O processo de psicoterapia é essencial para auxiliar no fortalecimento da autoestima de quem vivenciou/está vivenciando um relacionamento abusivo. É um espaço de acolhimento e nunca de julgamento!

É muito importante que o abusador também realize acompanhamento psicológico, para cuidar dos motivos que o levam a cometer o abuso.

Busque não julgar a pessoa que está vivenciando o relacionamento abusivo e busque acolher, oferecer escuta e empatia. O julgamento e a desconfiança em nada irão auxiliar!

Enfatizando:  não precisa ter agressão física para ser abusivo!

Em caso de agressão contra a mulher disque 180.

 

RELACIONAMENTO ABUSIVO É ASSUNTO SÉRIO, BUSQUE AJUDA!

 

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