A maternidade não é só lado A não minha gente!
E não é mesmo! Tem o alfabeto TODINHO! E se bobear, ainda repete!
Depois de um longo dia de trabalho, de pegar uma chuva daquelas, chego em frente ao prédio.
Seu Antônio, o porteiro, sempre sorrindo e ouvindo o noticiário no seu velho rádio a pilha. Ele sempre me cumprimenta com um sorriso que ameniza as confusões de um dia normal / difícil de trabalho.

Entrei no elevador e lá estava a vizinha, com seu bebezinho nascido a poucos dias, no colo.
Tão pequenininho. Todo limpinho, com aquele cheirinho característico dos bebês (que eu particularmente acho que deveria ser guardado num potinho) e todos os “itens de série” dos bebês. Fofinho, com aquelas mãozinhas cobertas com luvinhas, às vezes dá uma bocejada e piscas os olhinhos de forma que parece um abraço. Todo embrulhadinho, parecendo um pacotinho. Realmente, bebês são apaixonantes.
A mais nova mamãe, o exibia como um troféu. Escondendo as olheiras de noites mal dormidas, a bagunça dos hormônios e o grande desafio (às vezes bastante solitário) que é a maternidade, principalmente, nesses primeiros dias com o bebê.

Lembrei de mim. A pouco, era eu, a mais nova mamãe do pedaço.
Gente! Como é DI-FÍ-CIL. E não importa quantas vezes nos tornamos mãe novamente. É sempre tudo novo de novo.
Imersa em meus pensamentos enquanto o elevador subia, comecei a pensar na minha vida. Ser mãe, é muito bom. Mas não todo dia e muito menos, o tempo todo.
Acredite, existem momentos em que aquele bebezinho tão fofinho não vai sorrir para você, mesmo depois de chorar por quatro horas seguidas (é sério, isso acontece sim!). Ele vai é chorar outras quatro ou cinco horas. E talvez ele chore o dia todo. E você não vai saber o que fazer. Vai conferir a fralda, vai tirar a roupa toda pra ver se tem alguma coisa espetando essa criança, vai rezar, vai cantar, carregar, balançar, colocar no berço, carregar de novo. E a criança que até ontem era a coisa mais fofuchinha do mundo, parece um monstrinho que só sabe chorar. Isso é desesperador. E quando ele crescer mais um pouco, não vai mais segurar no seu dedo. Vai puxar sua roupa no meio da rua, mesmo você explicando umas duzentas mil vezes que “meu amor, não faça isso”. E sim, aquele bebezinho no auge dos seus dois anos, vai gritar com você e ainda que sem muita força, talvez te dê um tapa (dói na alma da gente isso). Vai te xingar. Vai fazer pirraça, vai reclamar do que tem e do que não tem. Vai falar que o vizinho é feio na frente do vizinho (e eu sei que você o ensina a respeitar a todos, eu juro que eu sei). Vai sumir no supermercado (você já infartou na vida? Ah não!! Prepare-se, é apenas alguns dos mini infartos que a maternidade trás de “brinde”). Vai te testar (aguarde a adolescência okay?!!!). Vai te mostrar a que veio, porque veio (e não se surpreenda se você se ver naquele pequeno ser, cheios de argumentos e às vezes um tanto quanto sem educação).
Viver a maternidade, vai de mostrar todos os dias o quanto um filho muda a vida da gente.
A maternidade tem o lado XPTO da coisa.
A gente se sente por vezes, a pessoa mais cruel do mundo!
Um misto de culpa e alívio porque deixamos o bebê chorando por infinitos 3 minutos, enquanto terminamos o banho e nos enfiamos numa roupa. Que aliás, deixa eu te contar uma coisa, se você odeia usar absorvente…vai descobrir que além de usar na calcinha, usará no sutiã também! Se teve parto normal, sentar te incomoda. Se foi cesariana, a cicatriz dói, coça e também incomoda. Aquela linha escura na sua barriga (linea nigra) que aparece em evidência no porta retrato ao lado da TV, nesta foto linda do ensaio que você tanto sonhou em fazer exibindo aquele lindo barrigão, conseguirá ficar ainda mais escura depois do parto. E a barriga, provavelmente você se recusaria a exibir como naquela foto, pois agora ela está feito um balão murcho (nesse momento você começa a entender que não tem lógica aquelas famosas da tv, blogueiras e etc…o que é aquilo? É um desserviço essa exibição de barriga chapada 15 dias após o parto quando a gente vive tentando quebrar os padrões de “o corpo perfeito”…vida real minha gente!). E pra terminar de ser muito legal, tem aquelas famosas cintas pós parto (ou calcinhas altas, entendam, o treco é alto mesmo) que a maioria dos médicos recomendam (se você conseguiu usar, parabéns mesmo. Eu nunca consegui usar isso, o treco aperta, incomoda, dói, irrita e tem uma galera – tipo eu – que tem alergia).
Você perceberá que “só” cuida do bebê e acabou esquecendo de você.
Você fica dias sem ao menos se olhar no espelho. Não que você não queira, mas simplesmente porque você não lembra. Falta de tempo, falta de memória, sei lá. Só sei que o dia que você conseguir finalmente se olhar no espelho, talvez tenha uma grande surpresa do quão diferente você está daquela foto ao lado da TV (a foto do barrigão, mamãe gatona, cabelo impecável, maquiagem ultra top e um sorriso enorme).

Mas na verdade, eu acredito que todas as mães passam por isso. Se eu começar a elencar as coisas horripilantes, cruéis e feias que fiz (e faço) na criação dos meus filhos, talvez a culpa diminua. Ou talvez vocês se identifiquem. Talvez a gente entenda de uma vez por todas que vida de comercial de margarina, é só no comercial de margarina mesmo. Bom, deixa eu respirar fundo aqui pra ter coragem…lá vai!
• Já fingi que não ouvi o choro do bebê e que estava dormindo pra ver se o marido acordava e ia buscá-lo no quarto ao lado. E quando o marido não acordou, dei um cutucão na costela dele, pra ver se…desconfia criatura, acorda! E se isso não resolveu, fiquei paradinha, quase sem respirar, rezando pra que sei lá…fosse neura da minha cabeça e o choro não era real, ou que de repente, ele parasse de chorar e voltasse a dormir.
• Já fiquei no banheiro sem fazer nada, encostada na porta pra ter 5 minutos de tempo pra mim.
• Já esqueci de conferir se eles fizeram o dever de casa e eles foram pra escola sem o malfadado dever. E eu tomei bronca da escola (eu levo a educação escolar deles a sério sim, mas cara…tem final de semana que tem para casa de uma vida inteira gente!).
• Já troquei o jantar deles por pizza, batata frita e coca cola, ou por macarrão instantâneo.
• Já barganhei que eles ficassem quietos, ou cuidassem da irmã mais nova, com bala, chocolate ou a grana pro lanche que eles queriam.
• Já fiz hora pra chegar em casa, pra ver se eu os encontrava dormindo e não tivesse que passar por todo aquele auê de já escovou os dentes? Meu filho, penteia esse cabelo… Separou o uniforme da escola? Pelo amor de Deus cidadão, dê descarga no banheiro. Coloca a roupa no cesto de roupa suja. Chega de celular, é hora de dormir.

Essa rotina nos consome, é exaustiva sim.
Agora vou confessar a coisa mais terrível de todas! Que me faz sentir a pior pessoa do planeta. Às vezes eu chego do trabalho (e todo mundo tem dias mega bons e outros que SE-NHOR, pode pular esse dia?) e encontro a casa em verdadeiro estado de guerra. Um gritando. O outro se entupindo de biscoito e achocolatado. A TV, a gente consegue escutar da casa do vizinho, de tão alta. A pequena quer colo, atenção, carinho…e você quer apenas chegar no banheiro pra fazer xixi. Aí no meio desse turbilhão de acontecimentos (tem 2 minutos que entrei em casa) eu sinto amor, raiva, frustração, medo e estou exausta…nesse momento eu me pergunto: “Caramba, o que eu fiz pra merecer isso?”.
Quando a gente se pergunta isso, cai uma culpa sobre nossas cabeças, que parece coisa de desenho animado. Sabe aquelas bigornas de desenho, que caem na cabeça dos personagens e eles afundam no chão. Então! É tipo isso.
Só que isso não me faz menos mãe. Muito menos você, que se identificou com as minhas “confissões”. E óbvio. Isso não diminui nadinha o amor que sentimos pelos nossos filhos.
Isso apenas nos mostra que a maternidade é real. Que a gente não vive de fotinhas coloridas da família feliz no instagram. Que tem dias difíceis pra cacete! E que sim, a gente pensa em desistir. Mas esses dias passam. E a gente encontra uma força que eu não sei te explicar, mas encontra. E levanta da cama pra viver tudo isso de novo.

De repente, ouço o som do elevador, avisando que chegamos. Eu “acordo” dos meus pensamentos. O elevador parou, abriu a porta, a gente saiu.
Olhei pra vizinha de novo. Sorri.
Parabenizei pelo bebê, desejei boa sorte. Disse a ela que ela estava incrível com aquela blusa azul. Que combinava com ela.
Ela fez uma cara de surpresa. Acho que porque normalmente, as mães nesse primeiro momento são um tanto invisíveis.
Perguntei se ela queria um lanche, pois eu hoje estou nos dias de trocar o jantar por um misto quente e tem pão fresquinho aqui. Ela sorriu. Agradeceu. Disse que tinha que correr pra casa, pois o bebê precisava mamar e ela queria tomar um banho.
Sabe o que eu fiz? Perguntei se podia levar um sanduíche pra ela e segurar o bebê enquanto ela tomava um banho um pouco mais demorado. Afinal, eu sei que esses dias são bem difíceis e que a gente precisa julgar menos e ajudar mais. Que as visitas pro recém-nascido deviam vir inclusas de massagens, bolo e suco ou chá ou café para a mamãe (e nem venha falar que não pode tomar nada de café porque o bebê terá cólica). Pois o bebê tá fofo e super bem cuidado. Quem não consegue nem se olhar no espelho, é a mãe.
Portanto, mamães de todas as crenças, idades, credos, lugares do mundo que se viram nos meus “pecados” cometidos e se identificaram. Acalmem-se. É só o lado normal XPTO da maternidade que não aparece no comercial. E que a gente sabe que existe.
E lembre-se, você é a melhor mãe que você pode ser.

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