Ao abrir os olhos acordamos sem saber o que nos espera, as #eleiçõesde2018 vem nos mostrar que sobreviver no mundo, sendo mulher, é um ato de resistência diária.

Estar viva tem sido sinônimo de conquista e, mais do que nunca, tem exigido de nós calma, serenidade e muita estratégia, se quisermos permanecer vivas até o fim das eleições (dependendo de quem ganhar, se continuaremos vivas, é outra história).

Para sobreviver a esses dias, talvez seja importante, nos inspirarmos em alguns critérios para manter a paz e o equilíbrio nesses tempos tão sombrios. O coração parte, toda vez que vemos uma mulher defendendo propostas que vão contribuir para retrocesso aos nossos direitos. Muita calma nessa hora, para uma mulher pensar assim, tem uma construção social patriarcal fortíssima. Respira fundo quantas vezes for necessário. E vamos lá:

1 – Lembrar que a vida é feita de muitas dimensões existenciais e que existem diversos ambientes saudáveis em nosso entorno. A campanha de ódio e violência que se espraia na “vida real” tem como foco o ambiente das redes sociais, saber quem seguimos e o que vemos é uma escolha, por vezes difícil, mas necessária de se fazer. Nossa ansiedade e temor se alimentam de tanta besteira compartilhada nas redes. Escolher o que passa na sua timeline é fundamental! Mesmo que para isso precise utilizar a função de “silenciar ou ocultar as publicações” de pessoas próximas.

2 – Lembrar que existem pessoas que não vão mudar de opinião. Elas defendem a inferioridade da mulher, que nós somos menos do que tudo e todos, apreciam a tortura, são a favor do cerceamento do direito das mulheres. São pessoas que são contra distribuição de renda e a favor do mercado e acúmulo de capital. São pessoas que não gostam de grávidas e acreditam que elas não podem trabalhar ou que cinco meses de licença maternidade é tempo demais. São pessoas que defendem o ensino à distância (em um mundo em que muitas crianças vão à escola para ter acesso à merenda). São pessoas que não gostam de negros, de deficientes, de LGBT e abominam qualquer direito social que seja. Às vezes reúnem tudo isso numa pessoa só, às vezes não, mas essas pessoas estarão sempre dispostas a vociferar sua raiva. Não deixe que você seja o alvo. Será mais difícil ainda, ver mulheres defendendo as ideias de opressão. Respire fundo. Terão casos em que o silêncio será fundamental. Lembre-se que atrás de todo esse fundamentalismo, existe uma construção social patriarcal.

3 – Admitir que algumas pessoas (das que citei acima) não merecem que gastemos nossas energias. Definitivamente. Isso vale, em especial, para os grupos de Whatsapp que reúnem integrantes de família.Interaja com quem dialogue com você! Com quem te escute e compartilha de seus ideais. Isso nos fortalece e nos reenergiza. Esperança em um mundo melhor é fundamental.

4 – Faça campanha para seu candidato, explique os pontos de vista dele, especialmente se perceber que alguém pretende votar em branco ou anular seu voto. Respeitosamente, busque informar os princípios de diálogo, a importância de debater, de dialogar as ideias. Não é momento de “ficar em cima do muro”! Não deixe de ir às urnas exercer este direito que batalhamos tanto para conquistar! É tempo de fortalecer a democracia! Tempo de honrar o direito feminino ao voto.

5 – Observe os discursos dos seus colegas, avalie por perto de quem você realmente deseja estar. Não force a sua presença, nem force estar presente. Não somos obrigadas a nada! Perceba que tem muita gente confusa e que fazer muito barulho e confusão não ajuda, neste momento. Busque manter a serenidade e a calma. Leveza é indispensável.

6 – Análise os materiais que você consome, bem como os espaços que você frequenta. Aproveite este tempo para perceber quem realmente você deseja ser e que sujeito você deseja se formar.

7 – Hidrate-se e alimente-se bem. Procure saber de onde vem seu alimento. É tempo de reunir boas energias e acreditar no trabalhador. Aproveite para conversar com artesãos,  pequenos agricultores e produtores rurais, visite movimentos sociais, esteja atento em como o dinheiro circula e às ideias que os profissionais defendem.

8 – Entenda o que está ocorrendo no Brasil e no mundo. Se necessário, recorra à aulas de história, documentos e outras fontes confiáveis de consulta. Tem muita pesquisa boa sendo realizada (veja os sites de artigos científicos em fontes como o scielo e o banco de teses e dissertações da Capes). Não propague clichês: entenda o que são países vizinhos, leia sobre o currículo da educação, converse com professores, não repita algo só porque alguém que você confia disse! Em todos os casos, não repita algo sem fundamento,opiniões generalizantes ou sem saber sobre.

9 – Seja crítico com tudo que é veiculado. Opinião e embasamento são fundamentais. Cheque as fontes! Não acredite em tudo que você vê e lê! Campanha rasa tem se utilizado muito das mídias para se promover. Conheça mídias alternativas (Por exemplo, Brasil de FatoBrasil 247 e Blog do Freitas).

10 – Estude o plano de seus candidatos. Tente se ver em cada um dos itens e planejar o futuro. Não só o seu, mas das pessoas que ama. Veja as imagens de seus pronunciamentos, quantas mulheres tem ao lado dele? Os escute falar, análise o tom quando se refere às mulheres. Se pergunte se você conviveria com ele ou deixaria uma criança querida para ele cuidar, mesmo que por alguns instantes. Pode parecer simples, mas é uma reflexão fundamental. 


11 – Não se irrite! Deixe isso para quem acredita que debater não é preciso. Propague informações relevantes, energia boa. Não seja mais uma a contribuir com o discurso de ódio, não caia nessa cilada. Começou a esbravejar asneiras do seu lado? Sai fora! Sentar na mesa, deitar na cama, tomar cerveja e estar ao lado de quem defende ideias machistas, homofóbicas, violentas, etc., é a mesma coisa que estar ao lado de um fascista! E isso ameaça a nossa sobrevivência enquanto mulheres livres.

12 – Conheça os VICES! Veja como se sente representada pelas ideias e propostas de cada um. Conheça a trajetória, profissão e leia sobre eles. Nos últimos tempos, vimos o quanto é importante conhecer os vices candidatos à presidência.

13 – Vote! 

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