Ultimamente surgiram alguns fenômenos na internet como a teoria da Terra plana, que o feminismo é o inverso de machismo, racismo reverso entre outros. Isso não assusta os mais pragmáticos já que,conviver com desinformações tem sido uma constante.

Estamos numa era aonde todos os dados podem ser informados e ainda assim questionamentos sem menor embasamento serão feitos. A filósofa e feminista negra, Djamila Ribeiro, denomina esse fenômeno de desonestidade intelectual em seu livro “Quem tem medo do feminismo negro? e afirma:

“Negar fatos sociais para impor uma opinião é um problema sério de megalomania, é síndrome de privilegiado. O que mais me assusta é a pessoa nem sequer se importar se sua opinião tem relação com a realidade ou se é disseminadora de preconceito. ”

Nesse sentido, numa discussão, você pode expor que o feminismo é necessário, que o brasil precisa urgentemente de políticas públicas que combatam a violência contra mulher, que as mulheres estão se sentindo cada vez mais inseguras, especialmente as mulheres negras, e comprovar com dados do Mapa da violência de 2015, que a o Brasil tem a taxa de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres e que num grupo de 83 países (com dados homogêneos fornecidos pela ONU), ocupa a 5ª posição entre os países que mais matam MULHERES.

Quando o assunto é racismo, há quem afirme veementemente que somos uma só raça, “somos todos humanos”, mas estatisticamente a realidade é outra. Segundo o Mapa da Violência, em 2003 a vitimização de negros, por homicídios por arma de fogo, era 71,7 % maior do que brancos, em 2014 o percentual aumentou para 158,9%. O índice positivo indica o percentual (%) a mais de mortes negras sobre as brancas; ou o percentual (%) a mais de mortes de brancos, quando o índice é negativo.

Quando se trata de jovens negros, a estatística é ainda mais contundente, na pesquisa de 2013, na idade entre 16 e 17 anos os negros morreram quase três vezes mais que os brancos da mesma idade, proporcionalmente ao tamanho de suas respectivas populações.

Ou seja, a negação de fatos, não muda a realidade, que continua sendo cruel. O achismo exacerbado não torna as estatísticas menos agressiva aos negros e mulheres, mas o seu achismo propaga um discurso desonesto.

Tentar inverter o significado real do feminismo, afirmando que mulheres querem mandar nos homens, não muda a história da humanidade, que é patriarcal. Na verdade, e só alimenta uma estrutura de poder que mata constantemente mulheres pelo simples fato de serem mulheres.

Dizer que negros são raivosos com brancos e que racismo no Brasil não existe, pois somos o país da democracia racial, só alimenta essa mesma estrutura de poder que massacra os negros desde os primórdios do descobrimento, que os escravizou por mais de três séculos e que a cada dia, torna o racismo mais, sistemático, sistêmico e endógeno, “deglutindo” diariamente os nossos jovens negros.

A sua negação aos fatos é uma desonestidade intelectual SIM, pois como diz o velho ditado “contra fatos, não há argumentos” e cada vez que fatos são negados você também é corresponsável por essas estatísticas cruéis.

O Brasil precisa debater essas estatísticas, ao invés de nega-las, e exigir a criação de políticas públicas a partir do feminismo interseccional, ou seja, pensadas a partir de um recorte de gênero, classe e raça. Pois se uma política pública atingir uma mulher negra ou um adolescente negro, que hoje estão na base da pirâmide, é porque essa a política abrangeu a sociedade como um todo.

 

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