O relacionamento abusivo tomou destaque nos últimos tempos e se constitui contemporâneo ao processo de luta pelo #empoderamentofeminino. O relacionamento abusivo não está somente na relação entre homem e mulher. Nem sempre a mulher é a única vítima. O #relacionamentoabusivo também está nas amizades, na família, no trabalho, na escola e, por vezes, não o identificamos.

Assim, seguimos o curso da vida com crises de ansiedade, distúrbios comportamentais e prejudicando nossa saúde mental, comprando um peso que é do outro, ou carregando uma culpa e uma tarefa árdua de correr atrás de afeto, sendo alvo da violência.

Mas será que sabemos como funciona o relacionamento abusivo? Será que estudamos sobre ele suficiente? Será que só mulheres são vítimas? O que motiva um relacionamento abusivo? E, principalmente, como saber se vivenciamos relacionamentos abusivos?

Geralmente, no relacionamento abusivo a pessoa monitora constantemente a outra, tenta diminuí-la, tenta mudar seus hábitos e te controla o tempo todo. Pode reunir todas as características, ou não.
Além disso também é comum a presença de “joguinhos emocionais”, provocativos, situações que fazem a pessoa sentir que está errada ou é culpada pelas situações. Também faz duvidar de sua sanidade mental, controla seus passos, não respeita suas vontades. Te faz acreditar que é a única pessoas que pode te amar, não gosta que você fale com outras pessoas.

No relacionamento abusivo, as ações te fazem sentir estanha ou te diminuem, agridem fisicamente, moralmente ou verbalmente, o abusador pode gritar ou ter comportamento agressivo (principalmente quando contrariado). Neste ponto é importante verificar o ciclo de humor que se estabelece na relação.

O sentimento de posse. A partir desse sentimento o abusador manipula o abusado, como se detivesse poder sobre o outro. Situações como escolher suas roupas, decidir a comida, determinar as escolhas pessoais, impedir o contato com amigos, monitorar redes sociais – sufocar!

Muito associada à posse, a obsessão é o apego exagerado à pessoa e também é uma característica do relacionamento abusivo. Chega ao ponto de inibir comportamentos e escolhas, interfere em situações sociais, ou manipula os gostos e as opiniões, parecendo que “o mundo está contra você”.

Ambos estão fundados em atos de violência, por mais que o abusador possa parecer alguém “doce e meigo”. É preciso estar atento a cada comportamento, observando as diferentes formas de violência.

Se neste comportamento violento, por vezes velado, identificamos características abusivas, vale observar como o relacionamento lida com o respeito às suas vontades, opiniões. Se viola seu direito à liberdade de expressar os sentimentos e vontades. Também estão presentes no relacionamento abusivo, a chantagem emocional, a possessividade e tudo que prejudica sua liberdade e privacidade.

Geralmente as mulheres vivenciam o relacionamento abusivo, sendo colocadas em situação de submissão. E para quem pensa que o relacionamento abusivo só ocorre em relação amorosa, vale analisar as outras relações. A tradição familiar patriarcal, que coloca a mulher em um lugar de submissa, também reproduz o relacionamento abusivo. Até as nossas queridas mães podem desenvolver relacionamentos abusivos.

Se por um lado bate uma raiva e/ou tristeza pelo relacionamento abusivo de desenvolver com quem mais amamos, por outro, também precisamos refletir sobre a cultura patriarcal, que naturaliza o relacionamento abusivo, o compreendendo como elemento comum nas relações. Assim, nossa tarefa é reverter o quadro. É observar os atos provocativos, sarcásticos. É estar atento ao mau-humor das pessoas que nos cercam, que não nos escutam, que nos chantageiam. Que ameaçam e controlam nossa sanidade mental.

Começou a regular seus gastos, suas roupas e até ameaçar suicídio? Fique atenta! A falsa noção de proteção e amor esconde a verdadeira intenção de dependência e manipulação. Do lado do abusador é comum uma falsa noção de superioridade. Inclusive, muitas mulheres integram o jogo abusivo, com a noção de que estão “por cima” de que isso irá atrair o outro.

Outro aspecto da relação abusiva é que também se dá entre amigos. Não só a amizade entre pessoas do mesmo sexo, mas também entre amigos LGBTQ e héteros, entre os próprios LGBTQs.

Nesse sentido, por mais difícil que seja, é preciso encarar que às vezes dentro de sua própria família pode encontrar pessoas que mantêm relações abusivas. Não é incomum observarmos pais, mães, avós, tias e irmãos controladores, manipuladores, ciumentos. Análise estes comportamentos e avalie também como você tem se comportado. Relacionamento abusivo é ciclo, não se deixe reproduzi-lo.

Esteja atenta aos comportamentos abusivos na escola, faculdade e ambientes de estudo. Muito comuns na relação entre professores e alunos, quando um quer aprisionar e controlar as atitudes do outro. Brigam, xingam e manipulam. Estabelecem moedas de troca. Negociam nomes em trabalhos e aniquilam sua saúde mental. Pense nisso. Também vale para as relações constituídas no ambiente de trabalho.

Lembre-se que o relacionamento abusivo não tem endereço certo ele faz morada onde o limite do respeito ao próximo acabou. Da mesma forma, não tem prazo de validade. É preciso buscar ajuda psicológica, fazer muita terapia e, principalmente, aceitar que vive em um relacionamento abusivo. Este é o primeiro passo para buscar o equilíbrio e a harmonia entre os seus sentimentos. Dominar o outro, além de uma relação violenta, é uma cultura que vem arraigada na nossa história e não permite que sejamos livres e respeitosos com o próximo, levando a estarmos sempre em situação de guerra e de manipulação do outro.

Analise. Não deixe que o sentimento de cobrança e de dominação invada sua vida. Estabeleça compromisso com sua saúde mental, vivemos tempos muito difíceis para fazer do outro refém de nossa própria história.

 

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