Com a celebração do Natal, temos a tendência a ficar mais complacentes e generosos. Mais afetuosos e com um olhar mais sensível, em especial para os familiares. O que é bem interessante, não fosse o ano 2018 ter revelado tantos fascistas ao nosso redor. Será que esse espírito natalino ainda é possível se o que mais nos chateia está dentro da nossa própria família?!

Em pensar que quem sempre dividiu a sala de tv com você, defende a meritocracia, o escola sem partido e é contra a distribuição de renda.

Em pensar que quem uma vez penteou os seus cabelos, recorrentemente condena os movimentos populares e deseja fim ás cotas e demais projetos sociais.

E é daí para pior, perceber que não só a sua família apoia a ascensão do fascismo, a condenação dos direitos humanos e defende porte de arma, associado a premissas ditadoriais. Mas também grandes amigos, de curto ou de longo tempo, defendendo o suposto fim da corrupção, que na realidade esconde um grande plano Mundial de ocupação militar contra a vida, a liberdade e a democracia.

E é difícil, pensar, que neste ano precisaremos (?) sentar com cada um deles à mesa, sorrir e partilhar o natal. Só de pensar… Imagino que nem temos tanto estômago para engolir a ceia, com piada, opinião alheia e tudo mais. Com ou sem passas, viveremos um Natal e ano novo bastante indigesto.

Esse texto, então, é para nós que estaremos cercadas pelo antro de maldade, de eleitores a favor do machismo, da criminalização do professor, do fim do décimo terceiro, da redução do salário mínimo, dos direitos trabalhistas, etc.

Esse texto, é para dizer que você não está sozinha e, que, nenhum governo conservador e patriarcal irá destruir nosso sentimento coletivo de união, que diga-se de passagem, não se dá apenas no período do natal. Se este ano nos ensinou a selecionar os familiares e amigos, também nos mostrou em quem podemos confiar e a quem devemos dar as mãos. Como temos visto nas redes sociais, é tempo de estarmos juntos, fortalecendo nosso espírito para o que vem por aí.

Nessa perspectiva, este texto também é endereçado àqueles que tiveram a garra e a coragem de assumir passar o natal perto dos seus, na tentativa de compor uma reunião mais democrática, celebrando a vida perto de quem têm amor por ela e respeita suas opiniões, escolhas e, principalmente, não condena a justiça social e os direitos humanos.

Que neste natal possamos agradecer por estarmos rodeados por quem não te julga, mas te respeita e te ama, independente de suas escolhas e de seu gênero, cor, classe e crença.

No fundo no fundo, convenhamos, sempre sabíamos a face de quem esconde o fascismo, talvez não quiséssemos enxergar, afinal é difícil aceitar que pessoas tão próximas, condenam a nossa própria existência.

Enfim, este texto é para desejar, além de um bom Natal, muita paciência e boas energias, para exercitar aquilo que defendemos ao longo dos anos: a liberdade de escolha, o direito à vida, o respeito ao próximo e o combate ao ódio, assim como fez aquele camarada, séculos atrás. Aliás, seria muita incoerência, se não fossemos assim: o dia é Dele, aprendemos tudo isso com Ele!

Então a todas nós: Um Natal de paz, estejam onde estiverem. Ele desejava muito isso. Parabéns para Ele, parabéns para nós, sobrevive(re)mos a tudo isso e, espero que novamente não seja na cruz.

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