Ano mal começou e não estamos com os melhores dos motivos para comemorar (reajustes de impostos, ataques à autonomia docente e desmantelamento da educação, revisão da aposentadoria, congelamento do salário mínimo, ministros ficha suja assumindo cargos, declarações impertinentes, etc). Celebrar o que? Se brigamos com metade da família na época das eleições, se a opção partidária rachou muitas de nossas amizades, se a cada dia que acordamos percebemos como o mundo anda mesquinho e egoísta?

Celebrar o que? Se descobrimos estarmos rodeados de uma vizinhaça preconceituosa, submissa ao patriarcado e, principalmente, repleta de ódio.

Este texto, pelo tom inicialmente crítico-reflexivo é uma proposta de desenvolver dentro de nós a expectativa de acreditar no mundo, acreditar em nós, acreditar que podemos ter dias melhores e, que precisamos buscar caminhos para isso.

Mesmo com todos os dias, duramente desmotivantes vividos em 2018, creio que certamente encontramos bons motivos para viver: de pensar que nos juntamos em diferentes momentos em prol de um objetivo (#elenão) e fomos capazes de movimentar nosso instinto reacionário diante de tantos desmontes sociais. Com isso, percebemos que não estamos sozinhos e, talvez nos console, a perspectiva de que tem mais gente como nos, apostando na vida, lutando por nossa existência.

Portanto, talvez valesse investir em (re)encontros que mobilizem e nos incentive a combater todo discurso de ódio, para continuarmos a seguir nossa trajetória, acreditando que nenhuma onda neoconservadora é maior do que a força humana de resistência e esperança, pois nada é pior do que desacreditar no ser humano.

Assim, este texto é um convite, de paramos para refletir sobre os intensos momentos vividos em 2018, sobre as pessoas que conhecemos e os espaços de diálogos que criamos e estabelecemos, sobre momentos que realmente nos energizaram e nos fizeram a acreditar em um mundo mais justo e igualitário.

Convite este, associado à lembrança de que somos a maioria, logo, precisamos controlar nossa ansiedade, investir mais em nós, cuidar da nossa saúde e da nossa existência. Também, sempre que possível brigar menos, de perceber o que realmente nos importa, de selecionar, de nos desligar um pouco das redes sociais, de escutar o canto dos passarinhos, de ver a beleza nas ondas das águas, de sentir o frescor do vento, de ver beleza nas folhas do chão.

Bonito é quem reconhece que abaixar a cabeça, também é contemplar as belezas, de quem consegue ser forte, de se nutrir do meio ambiente, de recuperar dentro de nós a força mais sábia, de ser resiliente em meio ao caos. De encontrar abrigo no próximo, de fazer morada na utopia, e de lembrar que tudo na vida é fulgaz e que o abraço e os bons encontros são valiosos e necessários (vale a inspiração nesta imagem maravilhosa, do trabalho de Julia Pavin, fotógrafa que nos reenergiza a cada retrato da força feminina).

E com isso, celebrar o reconhecimento de quem realmente se importa com a humanização, celebrar as máscaras que caíram, celebrar o reconhecimento de nós no outro. De quem sente a mesma dor – de que é ser oprimido neste País tão desigual. Celebrar o tempo de acreditar e perceber que temos perto de nós a beleza mais infindável: nossa capacidade de (re)existir, nossa principal essência.

“É tempo de nos aquilombarmos”, é tempo de nos unir com os nossos. De respirar profunda e lentamente. Temos muito a ver com isso e, precisamos reconhecer que um mundo melhor, também depende de nós. Assim, que continuemos seguir nossa jornada, juntas e fortes, mesmo em meio ao caos, pois somos #todasfridas

Foto:Julia Pavim

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